Mulher queimada em festa de carnaval é transferida de hospital
Um mês após ter o corpo queimado enquanto trabalhava em uma festa de carnaval, a funcionária de buffet Jennifer Rodrigues Monteiro, de 30 anos, continua internada. O acidente aconteceu no dia 13 de fevereiro, no Clube de Campo de Mogi das Cruzes.
A família afirma que tem recebido pouco apoio após o acidente e cobra mais assistência das empresas envolvidas no evento. Segundo o advogado trabalhista Gustavo Triboni, a vítima pode ter direito a indenização. O Clube de Campo disse que "a presidência do CCMC continua acompanhando o caso dentro do que o papel institucional lhe compete". (Leia mais abaixo)
O g1 também questionou o buffet para qual Jennifer trabalhava como freelancer no dia do acidente, mas não recebeu uma resposta até a última atualização desta reportagem.
Segundo a tia dela, Adriana Rodrigues, Jennifer está estável, mas ainda depende de ventilação mecânica para respirar.
Jennifer teve o corpo queimado enquanto trabalhava em uma festa em Mogi das Cruzes — Foto: Reprodução/Redes sociais
Ainda de acordo com a familiar, a vítima precisou passar por uma traqueostomia e por cirurgias de enxerto de pele. Ela também teve uma infecção na pele, que já foi controlada.
Apesar da evolução no tratamento, Adriana afirma que o estado de saúde ainda inspira cuidados.
"Ela segue estável, mas ainda tem dificuldade para respirar sem a ventilação mecânica. O quadro continua sendo de risco", afirmou.
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Apoio após o acidente
Apoio após o acidente
A tia contou que o buffet onde Jennifer trabalhava tem dado pouco apoio à família desde o acidente.
Segundo Adriana, a empresa tem enviado alimentos, produtos de limpeza e ajuda em dinheiro para que o irmão da vítima, Felipe Estevão, consiga ir até o hospital e, em alguns momentos, pagar hospedagem.
No dia 17 de fevereiro, Jennifer foi transferida para a Santa Casa de São José dos Campos, unidade especializada no tratamento de queimados.
Já o Clube de Campo de Mogi das Cruzes, onde ocorreu o evento, não manteve contato com a família após o dia do acidente, segundo Adriana.
"Um diretor foi até o hospital no dia e disse que daria todo o suporte para as crianças dela, mas depois disso ninguém mais nos procurou", afirmou Adriana.
Rotina da família mudou
Rotina da família mudou
Jennifer é mãe de cinco filhos. Após o acidente, a rotina da família mudou completamente.
Os dois filhos mais velhos, de 12 e 11 anos, passaram a morar com o pai. Já os três mais novos, de 7, 6 e 4 anos, estão sob os cuidados da tia.
Adriana conta que precisou reorganizar a rotina para cuidar das crianças enquanto a sobrinha segue hospitalizada.
"Minha vida virou de cabeça para baixo desde aquela madrugada. Hoje estou com três crianças pequenas, que precisam de rotina, escola, alimentação e cuidados", disse.
O que diz a lei
O que diz a lei
Segundo o advogado trabalhista Gustavo Triboni, acidentes que acontecem durante o trabalho podem gerar responsabilidade das empresas envolvidas, mesmo quando o serviço é feito como freelancer.
Ele explica que, em atividades comuns em eventos e cozinhas — que envolvem fogo, líquidos quentes ou substâncias inflamáveis — a Justiça costuma aplicar o conceito de responsabilidade objetiva.
Nesse tipo de situação, não é necessário comprovar culpa direta da empresa.
"Basta demonstrar que o acidente ocorreu durante o trabalho e que a atividade envolvia risco", disse o advogado.
De acordo com Triboni, nesses casos a empresa responsável pela contratação pode ser obrigada a pagar despesas médicas, tratamento, indenizações por danos morais e materiais e compensação pela perda de renda durante o período de recuperação.
O especialista afirma ainda que o local onde o evento aconteceu também pode ser responsabilizado, dependendo das circunstâncias do acidente.
"Se houver relação entre o ocorrido e as condições de segurança do espaço ou a organização do evento, o estabelecimento que sediou a festa também pode responder pelo caso", ressaltou.
Segundo o advogado, quando não há suporte adequado das empresas envolvidas, a família pode buscar a Justiça para garantir os direitos da vítima.
"O processo judicial é a forma de obrigar a empresa a arcar com suas responsabilidades, garantindo o cumprimento dessas obrigações por meio de uma decisão da Justiça", disse.
O que diz o CCMC
O que diz o CCMC
Veja a nota do Clube de Campo de Mogi das Cruzes:
"Importante destacar que, em razão do rápido socorro prestado pela ambulância que estava de prontidão no CCMC, no evento, a colaboradora do buffet contratado para a festa atingida pela combustão inesperada foi encaminhada a devido atendimento médico de urgência e de emergência em unidade hospitalar.
A Presidência do CCMC continua acompanhando o caso dentro do que o papel institucional lhe compete.
Por fim, importante ressaltar que, em 68 anos de existência, este foi o primeiro incidente com vítimas registado no clube - algo pontual."
Relembre o caso
Relembre o caso
Jennifer Rodrigues Monteiro ficou ferida depois que um réchaud (aquecedor usado para manter alimentos aquecidos) pegou fogo durante o evento de carnaval "Abre Alas", realizado no Clube de Campo de Mogi das Cruzes, na noite de 13 de fevereiro.
Segundo relato de uma pessoa que estava na festa, o incêndio começou quando a funcionária abastecia o equipamento com álcool. O fogo se espalhou rapidamente e atingiu a trabalhadora.
Ela foi socorrida e levada para atendimento médico. Inicialmente, a Santa Casa de Mogi informou que Jennifer teve 31,5% do corpo queimado. A família, no entanto, contesta essa estimativa e afirma que a área atingida é maior.