Criado em 1926 pelo escritor A.A. Milne, o ursinho atravessou gerações, ganhou adaptações da Disney e até protagonizou polêmicas culturais e políticas
Por O Globo e AFP — Burbank
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GERADO EM: 10/03/2026 - 11:06
Ursinho Pooh celebra 100 anos: legado cultural e político global
O Ursinho Pooh, criado por A.A. Milne em 1926, celebra 100 anos. O personagem, que ganhou vida através dos livros e das adaptações da Disney, tornou-se um ícone global com um legado que inclui influências culturais e políticas. Pooh, conhecido por sua sabedoria e simplicidade, continua relevante, inclusive em contextos políticos atuais, como no caso das comparações com o líder chinês Xi Jinping.
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O Ursinho Pooh, que encantou gerações com sua sabedoria simples e sincera, está prestes a completar 100 anos. O querido personagem infantil surgiu em 1926 em um livro escrito pelo inglês A.A. Milne, com ilustrações de E.H. Shepard. A Disney, que adquiriu os direitos de Pooh e de seus amigos do Bosque dos Cem Acres nos anos 1960, planejou um ano de comemorações para o ursinho, cuja imagem é reconhecida em todo o planeta.
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"Todos somos Ursinho Pooh", disse Kevin Kern, gerente de pesquisa dos arquivos da Walt Disney em Burbank, Califórnia, onde todos os tipos de objeto do ursinho estão catalogados de forma impecável.
"Ele mostra todas as emoções que nós mostramos. Vê as coisas que nós vemos. Tem as dificuldades que nós temos, seja tentando subir em uma árvore para pegar mel ou compreender seus amigos", afirmou.
"Ele é tão cheio de sabedoria que nem sempre percebe que a compartilha, e isso é eterno", acrescentou Kern.
Do livro infantil ao fenômeno global
Do livro infantil ao fenômeno global
O primeiro livro de Milne, publicado na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos em outubro de 1926, foi inspirado no filho do autor, Christopher Robin, e em sua coleção de bichos de pelúcia: Pooh, Leitão, Ió, Coruja, Coelho, Can e seu bebê Guru.
Dois anos depois, o efervescente Tigrão juntou-se ao grupo no segundo livro, traduzido em português como "Ursinho Pooh Constrói uma Casa ".
Ao longo das décadas, os livros foram publicados em dezenas de idiomas, e foram comercializados bichos de pelúcia, mochilas, lancheiras, relógios e filmes, incluindo o recente longa-metragem, de 2018, com "Christopher Robin" estrelado por Ewan McGregor como um Robin adulto que se reencontra com Pooh.
Entre a política e a cultura pop
Entre a política e a cultura pop
As aventuras do adorável ursinho não pararam aí. Ele chegou até a concorrer à presidência dos Estados Unidos, e a Disneylândia organizou um desfile em 1972 como uma alternativa alegre à disputa entre Richard Nixon e George McGovern.
No século XXI, Pooh teve outra incursão na política (ainda que involuntária), quando críticos do líder chinês Xi Jinping disseram que havia uma semelhança entre o dirigente e o ursinho rechonchudo. Censores do Partido Comunista trabalharam para remover da internet qualquer referência ao personagem.
E em 2023, quando expiraram os direitos autorais nos Estados Unidos, Pooh acabou dando conselhos às crianças sobre o que fazer durante ataques a tiros em escolas, ao ser estampado em panfletos no Texas nos quais recomendava: "Correr, esconder-se, lutar".
Nesse mesmo ano, ele se transformou em um vilão armado com uma faca no filme de terror de baixo orçamento "Ursinho Pooh: Sangue e Mel", que recuperou com folga seus custos graças a uma bilheteria que surpreendeu a indústria.
Mark Henn, animador que trabalhou no popular longa da Disney de 2011, "O Ursinho Pooh", disse que ficou emocionado por desenhar um personagem com o qual cresceu.
"Ele com certeza traz alegria", comentou à AFP. "Ele é muito tranquilo. Mesmo quando fica irritado, há uma calma no seu jeito de ser, e acho que é isso que atrai tanta gente".