Apocalipse pelos próximos anos: uma em cada três pessoas acredita que o mundo vai acabar durante sua vida, aponta estudo
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Apocalipse pelos próximos anos: uma em cada três pessoas acredita que o mundo vai acabar durante sua vida, aponta estudo

Pesquisa com mais de 3,4 mil americanos indica que visões apocalípticas influenciam a forma como indivíduos percebem ameaças globais

Por O Globo — Califórnia

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    GERADO EM: 10/03/2026 - 11:54

    Um terço dos americanos crê no fim do mundo em sua vida, diz estudo

    Estudo revela que um terço dos americanos acredita que o mundo acabará em sua vida, influenciando a percepção de ameaças globais. Pesquisadores analisaram 3,4 mil pessoas nos EUA e Canadá, destacando que crenças apocalípticas moldam respostas a riscos econômicos, ambientais e sociais. A pesquisa, liderada por Dr. Matthew I. Billet, aponta a necessidade de compreender essas diferenças para enfrentar desafios globais.

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    Você acredita que o mundo vai acabar durante a sua vida? Para quase um terço dos americanos, a resposta é sim, e essa convicção pode influenciar diretamente a forma como eles encaram grandes ameaças globais.

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  • Um estudo publicado neste mês de março no Journal of Personality and Social Psychology investigou como crenças sobre o fim do mundo afetam a percepção de riscos existenciais. A pesquisa foi conduzida pelo psicólogo Dr. Matthew I. Billet, que realizou o trabalho durante seu doutorado na Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, e hoje atua como pesquisador de pós-doutorado na Universidade da Califórnia, Irvine.

    Segundo o pesquisador, a ideia de um apocalipse deixou de ser apenas um tema religioso ou marginal. “A crença no fim do mundo é surpreendentemente comum na América do Norte e está influenciando significativamente a forma como as pessoas interpretam e reagem às ameaças mais urgentes que a humanidade enfrenta”, afirmou Billet.

    Ao todo, os cientistas analisaram respostas de mais de 3,4 mil pessoas nos Estados Unidos e no Canadá. Em uma amostra nacional americana com 1.409 participantes, quase um terço disse acreditar que o mundo acabará ainda durante sua própria vida.

    Como as pessoas imaginam o apocalipse

    Como as pessoas imaginam o apocalipse

    Para entender melhor essas percepções, os pesquisadores desenvolveram uma medida psicológica específica para avaliar crenças sobre o fim do mundo. O método foi testado em diferentes grupos religiosos, incluindo católicos, protestantes tradicionais e evangélicos, judeus, muçulmanos e pessoas sem religião.

    O estudo identificou cinco dimensões principais que moldam a forma como as pessoas pensam sobre o apocalipse: quão próximo ele estaria de acontecer, quem ou o que o causaria, o grau de responsabilidade humana, o papel de forças divinas e se o desfecho seria visto como algo positivo ou negativo.

    “As diferentes narrativas que as pessoas acreditam sobre o fim do mundo podem levar a respostas muito diferentes para questões sociais”, explicou Billet. “Alguém que acredita que os humanos estão causando o apocalipse por meio das mudanças climáticas reagirá de forma muito diferente às políticas ambientais do que alguém que acredita que o fim dos tempos é controlado por profecias divinas.”

    Impacto nas decisões sobre riscos globais

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    Os resultados indicam que pessoas que acreditam que o fim está próximo e que ele seria causado por ações humanas tendem a perceber maior gravidade nas ameaças globais e a apoiar medidas mais drásticas para enfrentá-las. Já aqueles que atribuem o destino do mundo a forças divinas demonstraram menor disposição para apoiar ações preventivas.

    “Independentemente da precisão de qualquer narrativa apocalíptica específica, elas ainda são relevantes para a forma como as populações enfrentam riscos concretos”, disse o pesquisador. “Se quisermos construir consenso sobre temas como mudanças climáticas, segurança da IA ou preparação para pandemias, precisamos entender como diferentes comunidades interpretam essas ameaças por meio de suas próprias lentes culturais.”

    O estudo também teve a participação dos pesquisadores Dr. Azim Shariff e Dr. Ara Norenzayan, da UBC, e Dr. Cindel J. M. White, da Universidade de York.