Guerra no Oriente Médio ameaça inflação no Brasil
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Guerra no Oriente Médio ameaça inflação no Brasil

A escalada da guerra no Oriente Médio já começa a produzir reflexos diretos na economia brasileira. Em participação no Jornal Gente, o economista e ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro alertou que o principal impacto imediato será sentido no bolso do consumidor.

Com o semi-fechamento das rotas estratégicas de petróleo na região, o preço do barril tipo Brent ultrapassou os 80 dólares, pressionando a oferta global. Segundo o economista, esse movimento deve forçar a Petrobras a promover um reajuste nos combustíveis que pode variar entre 10% e 15%, o que teria efeito direto sobre a inflação.

A possível alta nos preços ocorre em um momento já delicado da economia brasileira. O Produto Interno Bruto fechou o último ano com crescimento fraco, e os investimentos — que vinham em ritmo mais forte — começaram a desacelerar. Para Rabello de Castro, o cenário externo adiciona mais incerteza às decisões do Banco Central, que precisará avaliar com cautela qualquer movimento sobre a taxa básica de juros.

No campo dos investimentos, a recomendação é prudência. O economista orienta o pequeno poupador a evitar decisões impulsivas e a manter posições em renda fixa, aproveitando o atual patamar elevado dos juros. Ele pondera que a Bolsa brasileira segue considerada barata no cenário internacional, mas que o momento exige cautela diante da retirada parcial de recursos estrangeiros e da volatilidade global.

Sobre o comércio exterior, o especialista destaca que, embora o Brasil seja exportador de petróleo e commodities agrícolas — o que ajuda a sustentar a balança comercial — nenhuma guerra é positiva para o comércio internacional. O aumento dos custos logísticos e do transporte pode afetar principalmente o setor industrial.

Rabello de Castro também chamou atenção para um problema estrutural: em dólares, o Brasil praticamente não cresceu na última década. Para ele, o baixo nível de investimentos e a expansão dos gastos públicos comprometem a capacidade de crescimento sustentável do país.

O economista defende que o Brasil precisa recuperar a confiança institucional e criar condições para ampliar investimentos produtivos. Em meio à turbulência internacional, a palavra de ordem, segundo ele, é cautela — tanto na política econômica quanto nas decisões individuais de investimento.