A nova fase da Operação Compliance Zero ampliou a gravidade das investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o grupo ligado ao Banco Master. A Polícia Federal conseguiu recuperar mensagens apagadas de celulares apreendidos, mesmo após reinicialização completa dos aparelhos, revelando supostas ameaças e tentativas de intimidação.
Entre os diálogos, constariam referências a simulação de assalto e agressões contra o jornalista Lauro Jardim, além de menções a ameaças direcionadas a funcionários ligados ao empresário. As mensagens reforçam a suspeita de que o grupo atuaria não apenas em crimes financeiros, mas também em estratégias para obstruir investigações.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal, houve bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. A decisão é do ministro André Mendonça, que também autorizou medidas cautelares e prisões preventivas. As apurações indicam quatro núcleos de atuação: fraudes contra o sistema financeiro, cooptação de servidores públicos, ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, além de um núcleo voltado à intimidação.
Outro ponto que chama atenção é a suspeita de que recursos bilionários teriam sido ocultados enquanto o Fundo Garantidor de Créditos cobria um rombo estimado em R$ 40 bilhões no mercado financeiro. Parte dos valores — cerca de R$ 2,2 bilhões — teria sido identificada em contas vinculadas ao pai do empresário.
Em Brasília, a repercussão política é intensa. Parlamentares como Nicolas Ferreira, Sérgio Moro e Alessandro Vieira cobraram esclarecimentos e defenderam que os investigados sejam ouvidos pela CPI que apura o crime organizado.
Há ainda expectativa sobre uma possível delação premiada, hipótese que ganhou força após mudanças na equipe de defesa de Vorcaro, embora até o momento não haja confirmação oficial de acordo em andamento.
Com mandados ainda em aberto e buscas em curso, a operação segue produzindo desdobramentos que podem atingir tanto o sistema financeiro quanto o cenário político nacional.