O mercado médico exige competências que vão além do estetoscópio. A fluidez no manejo de ferramentas de inteligência artificial (IA) deixou de ser um acessório para se tornar um diferencial competitivo decisivo. No podcast "Quero Estudar Medicina", a Dra. Ana Karina Figueiredo, pediatra, endocrinologista pediátrica e professora universitária da Universidade Anhembi Morumbi, em São José dos Campos, e Fernando Baía, estudante de Medicina e coautor do livro A Inteligência Artificial na Medicina, traçam um guia de como futuros profissionais podem se destacar utilizando a tecnologia a seu favor.
Tecnologia como aliada da produtividade
A Dra. Ana Karina incentiva estudantes e médicos a abraçarem a IA como forma de facilitar o trabalho cotidiano. Para a médica, a tecnologia deve ser usada para otimizar processos burocráticos e acelerar pesquisas, mas com uma ressalva importante sobre a dedicação pessoal. "Estudem, que amanhã serão vocês no lugar dele", reforça, lembrando que a máquina apoia, mas o conhecimento crítico pertence ao médico.
A visão é de que o profissional que domina a IA consegue entregar um atendimento mais ágil e fundamentado, sem perder a essência do raciocínio clínico que apenas a formação sólida proporciona.
Preparação deve começar cedo
Para quem ainda busca uma vaga na universidade ou já está nos primeiros anos da graduação, o conselho é a antecipação. O estudante Fernando Baía sugere que vestibulandos e acadêmicos comecem a utilizar a IA para criar questões personalizadas, tabelas comparativas e mapas mentais.
Segundo o estudante, conhecer as ferramentas antes mesmo de entrar na faculdade ou no mercado de trabalho garante uma curva de aprendizado menor. Ele utiliza algoritmos para transformar conteúdos densos em materiais de revisão dinâmica, o que permite uma absorção mais eficiente de matérias complexas.
Dominar a IA significa saber formular comandos (prompts) precisos para obter diagnósticos diferenciais e revisões bibliográficas seguras. O mercado atual valoriza o médico que sabe integrar dados de wearables e plataformas de monitoramento remoto à sua prática, oferecendo uma medicina personalizada.
A mensagem dos especialistas é clara: a IA não substituirá o médico, mas o médico que utiliza a IA certamente terá vantagem sobre aquele que a ignora. A tecnologia é o meio para uma formação mais eficiente e uma carreira adaptada às demandas digitais.