Segundo ele, se necessário, a Marinha dos EUA começará a escoltar as embarcações por essa via marítima o mais rápido possível
Por Bloomberg
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GERADO EM: 03/03/2026 - 18:48
EUA escoltarão petroleiros no Estreito de Ormuz em resposta à crise energética
O presidente Donald Trump declarou que os EUA escoltarão petroleiros no Estreito de Ormuz e oferecerão seguro para garantir a passagem segura, em resposta à crise energética causada pela guerra com o Irã. A U.S. International Development Finance Corporation oferecerá seguro a preços razoáveis, enquanto a Marinha americana poderá escoltar navios. O anúncio surge em meio a disparadas no preço do petróleo e tensões no Oriente Médio.
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O presidente americano Donald Trump afirmou nesta terça-feira que os EUA forneceriam garantias de seguro e escoltas navais para assegurar a passagem segura de petroleiros e outras embarcações pelo Estreito de Ormuz, medidas destinadas a evitar uma possível crise energética causada pela guerra com o Irã.
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Trump afirmou que a U.S. International Development Finance Corporation (DFC na sigla em inglês), agência independente que atua como um braço de investimento internacional do governo americano, ofereceria seguro “a um preço muito razoável” para ajudar a garantir o fluxo de energia e de outras atividades comerciais no Golfo. Além disso, afirmou, “se necessário, a Marinha americana começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível.”
“Não importa o que aconteça, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO de ENERGIA para o MUNDO”, publicou o presidente nas redes sociais.
Os preços do petróleo reduziram fortemente os ganhos com a notícia, com o Brent — referência global — sendo negociado próximo de US$ 80 por barril após o fechamento.
Os preços do petróleo haviam disparado desde que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã, provocando amplas interrupções no Oriente Médio e praticamente interrompendo os fluxos de petróleo pelo estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do suprimento mundial de energia.
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A publicação de Donald Trump não detalhou o mecanismo de seguro a ser oferecido pela DFC, instituição que normalmente atua para mobilizar capital privado para nações em desenvolvimento e reduzir riscos de investimentos em países mais pobres.
O anúncio de Trump ocorreu no momento em que as maiores seguradoras marítimas mútuas do mundo retiraram a cobertura contra riscos de guerra para navios que ingressam no Golfo Pérsico. Embora alguns proprietários de embarcações tenham conseguido cobertura com outros provedores, os custos estavam disparando.
O impasse no Estreito de Ormuz e os ataques do Irã a infraestruturas portuárias em todo o Oriente Médio fez com que as taxas de frete dos petroleiros que saem do Golfo disparassem 25% nesta terça-feira, segundo informou o Financial Times.
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De acordo com o FT, citando a plataforma de preços Argus, os preços para petroleiros de grande porte na rota Oriente Médio-Golfo passaram de US$ 87 por tonelada ontem para US$ 109 nesta terça-feira.
O governo americano está tentando resolver o problema dos altos preços do petróleo, que dispararam em meio à guerra no Oriente Médio, com o Estreito de Ormuz, corredor fundamental para o tráfego de petroleiros, praticamente fechado. Se isso resultar em preços mais altos nos postos de gasolina, pode representar um risco político potencial para Trump antes das eleições de meio de mandato em novembro.
O secretário de Estado, Marco Rubio, disse a repórteres esta semana que os EUA haviam previsto aumentos nos preços da energia e que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Energia, Chris Wright, lançariam um programa para mitigar os impactos. Trump se reuniria com Wright e Bessent para discutir o assunto na Casa Branca ainda nesta terça-feira.
O seguro contra riscos políticos, como o oferecido pela DFC, ajuda a cobrir perdas decorrentes de guerra, violência e outros tipos de instabilidade política.