Presidente afirma ter eliminado a maior parte das capacidades militares do Irã, mas parlamentares veem inconsistência da Casa Branca; alta do petróleo é fator de risco eleitoral
Por O Globo e agências internacionais
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GERADO EM: 03/03/2026 - 21:22
Aliados de Trump defendem legalidade de guerra incerta contra o Irã no Congresso dos EUA
No Congresso dos EUA, aliados de Trump defendem a legalidade da guerra contra o Irã, embora os objetivos permaneçam incertos. Trump afirma ter enfraquecido militarmente o Irã, mas enfrenta críticas sobre a motivação do conflito. A legalidade das ações foi discutida no Senado, com riscos eleitorais devido ao aumento do petróleo. A guerra é impopular entre americanos e pode impactar as eleições.
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Quatro dias após iniciar, ao lado de Israel, um ataque de grande porte no Irã, o governo de Donald Trump afirmou que eliminou “a maioria” das capacidades militares de Teerã, e citou um possível vácuo de poder, depois que dezenas de lideranças foram mortas. Mas o discurso segue acompanhado por dúvidas sobre a motivação e os objetivos de uma guerra impopular nos EUA. Nesta terça, Trump escalou uma “tropa de choque” para apresentar ao Congresso os argumentos da Casa Branca e defender a legalidade da ação.
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A portas fechadas no Senado, Rubio garantiu que o governo cumpriu todos os requerimentos legais para iniciar a guerra, citando que notificou lideranças dos dois partidos sobre os bombardeios antes de seu início, além de fornecer detalhes a respeito da operação nos dias posteriores. Senadores afirmam que não há previsão de envio de tropas ao Irã e que a situação está evoluindo rapidamente.
Segundo o senador democrata Chris Murphy, ouvido pelo New York Times, os representantes do governo disseram que esse é um "conflito sem prazo definido", e que a campanha militar "ainda nem começou de fato", prevendo mais mortos em ações de combate. Além de Rubio, estão no Capitólio o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, e o diretor da CIA, John Ratcliffe. Eles se falarão ainda com os deputados.
— Estou realmente preocupado com o desvio de foco da missão — disse ao New York Times o senador democrata Chuck Schumer, que classificou a reunião de "muito insatisfatória", e acusou o governo de oferecer “respostas diferentes todos os dias”.
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Na noite de segunda-feira, Trump enviou uma carta ao Congresso afirmando que os ataques tinham como meta "neutralizar as atividades malignas do Irã" e "promover os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos, incluindo garantir o livre fluxo do comércio marítimo através do Estreito de Ormuz”, onde há restrições impostas pela Guarda Revolucionária.
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Trump sabe que não há consenso sobre mandar tropas e recursos para o Oriente Médio, mesmo contra um algoz histórico. Nos próximos dias, os democratas devem colocar em votação uma resolução que reduz os poderes do presidente para ordenar intervenções sem o aval do Congresso. O presidente da Câmara, Mike Johnson, acredita ter os votos necessários para barrar a medida, mas mesmo entre os republicanos há certa inquietação.
— Parece um pouco com o presidente Lyndon Johnson indo para o Vietnã, não é? — disse um parlamentar republicano, em condição de anonimato, ao portal Politico, se referindo ao presidente que escalou a participação americana na Guerra do Vietnã, nos anos 1960.
Na véspera, Rubio conversou com líderes dos dois partidos, e disse que os EUA foram à guerra porque Israel estava determinado a atacar o Irã, mesmo sem os americanos, e que se juntaram a eles para reduzir os impactos das retaliações iranianas. A explicação foi rejeitada por Trump e pelo premier israelense, Benjamin Netanyahu.
— Isso é ridículo — respondeu Netanyahu, em entrevista à rede Fox News. — Donald Trump é o líder mais poderoso do mundo. Ele faz o que acha que é o certo para os EUA.
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Na Casa Branca, Trump garantiu ter ordenado a operação em primeiro lugar.
— Eles (Irã) iriam atacar se não fizéssemos nada, eles atacariam primeiro. Eu tinha certeza disso — disse o presidente, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz. —Se alguma coisa aconteceu, talvez eu tenha forçado a mão de Israel, mas Israel estava preparado, e nós estávamos preparados, e tivemos um impacto muito, muito forte, porque praticamente tudo o que eles tinham foi destruído. Agora, o número de mísseis deles está diminuindo drasticamente.
Rubio tentou se explicar.
— Eu disse a vocês, isso tinha que acontecer de qualquer maneira, o presidente tomou uma decisão, e a decisão que ele tomou foi que o Irã não teria permissão para se esconder atrás de seu programa de mísseis balísticos — se esgueirou o secretário de Estado, antes das audiências no Congresso. — A questão fundamental é a seguinte: nós, no caso, o presidente, determinamos que não seríamos atacados primeiro.
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Antes de sábado, Casa Branca falava em ajudar a população que tomava as ruas em protestos contra o governo, e que foi reprimida de maneira atroz, com milhares de mortos e cobrava concessões dos iranianos, como o fim dos programas nuclear e de mísseis balísticos, além do desmantelamento da rede de milícias aliadas, em meio a ameaças frequentes de ataque.
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Após as primeiras bombas lançadas, ainda não está claro o que motivou Trump a atacar o Irã.
Em guerra, presidente já disse que, em breve, o Irã teria mísseis capazes de atingir os EUA, que queria facilitar a queda dos aiatolás, e que o país estava perto de uma bomba atômica. A carta enviada ao Congresso na segunda-feira não falou em ameaças imediatas, mas sim em interesses de longo prazo. E aos jornalistas no Capitólio, nesta terça, Rubio lançou um novo argumento: o de que Trump decidiu pela guerra quando entendeu que "as negociações não iriam funcionar".
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Antes da visita da “tropa de choque” ao Congresso, Trump defendeu a guerra ao lado do chanceler alemão na Casa Branca. Ele afirmou que havia destruído boa parte da capacidade militar iraniana, se mostrou surpreso com a escala das retaliações ao redor do Golfo Pérsico, e revelou que um nome visto por Washington como novo provável líder do Irã foi morto, sem dizer quem era.
Trump comparou o cenário ao da Venezuela pós-captura de Nicolás Maduro, em janeiro, "quando o regime permaneceu intacto", mas disse que, diante do grande número de baixas nos altos escalões iranianos, "provavelmente não conhecemos mais ninguém" com quem dialogar. Se dirigindo à população local, pediu que "ainda não saiam" às ruas para pedir a queda do regime, uma vez que "muitas bombas estão sendo lançadas".
— Gostaríamos de ver alguém lá que traga o poder de volta para o povo, e veremos o que acontece com o povo — explicou.
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Além da desconfiança no Congresso, a guerra de Trump e Netanyahu tem pouco apoio entre os americanos. Pesquisas mostram que mais de 60% dos entrevistados são contra a ofensiva, na maioria democratas e independentes. Números que podem aumentar se houver mais mortes de militares dos EUA — até o momento, seis morreram no Kuwait —, se o governo ameaçar enviar tropas ao Irã — o que Trump não descartou —, ou se o conflito começar a ser sentido no bolso.
O preço do barril do petróleo disparou desde os ataques, e o virtual fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção global de petróleo e gás, pode agravar o cenário. Nos EUA, a gasolina teve o maior salto desde 2005. A poucos meses de uma eleição crucial para Trump, com a renovação da Câmara e parte do Senado, e que tem o custo de vida como um dos temas centrais, os reajustes nas bombas são uma perigosa vulnerabilidade.
— Assim que isso terminar, acredito que esses preços cairão ainda mais do que antes — disse Trump na Casa Branca, pouco antes de sinalizar que poderia usar navios da Marinha para escoltar os petroleiros no Estreito de Ormuz, o que ajudou a conter a alta do petróleo nos mercados.
(Com The New York Times)