Com as barbas de molho
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Com as barbas de molho

Uma eventual disparada do petróleo tende a acelerar a inflação global, e essa nova conjuntura internacional impõe desafios ao Banco Central brasileiro. Previa-se que o ciclo da queda dos juros fosse começar na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês. O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse que, se o conflito fizer o preço do barril variar entre US$ 75 e US$ 85, não haveria motivos para mudanças nos planos de redução dos juros, mas isso parece mais um desejo do governo do que uma avaliação técnica. Ceron admitiu que uma cotação acima de US$ 100 pressiona a inflação e pode ter outras repercussões.

Pelo Estreito de Ormuz, cujo lado norte é controlado pelo Irã, passa mais de 20% do comércio de petróleo do mundo. O Irã anunciou o bloqueio do canal, ainda que dados de satélite não identifiquem o fechamento total. Mas há notícias de que navios foram atingidos, e a insegurança afeta o tráfego dos petroleiros.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), o mercado global está bem abastecido, mas considerando que, de cada cinco barris de petróleo transportados no mundo, ao menos um passa pelo Estreito de Ormuz, não é difícil imaginar as consequências do fechamento do canal.

Quando se reunirem, em duas semanas, os integrantes do Copom terão mais elementos para avaliar a situação, e é imprescindível manter o critério de política monetária adotado até aqui. Ou seja, uma avaliação estritamente técnica, apartada de quaisquer pressões políticas e eleitorais, irá traçar o caminho mais adequado para o País.