Inquietação intensa, dificuldade de permanecer sentado e sensação persistente de desconforto interno são algumas das manifestações que caracterizam a acatisia.
O termo ganhou visibilidade após a atriz e apresentadora Mônica Iozzi relatar, nas redes sociais, que precisou ser internada em decorrência da condição.
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Apesar de inicialmente se referir à condição por “afasia” e “acasia”, o nome correto é acatisia, união dos termos gregos a (negação) e kathízein (sentar-se).
Este é um transtorno do movimento, geralmente associado ao uso de medicamentos, de acordo com o neurologista Feres Eduardo Aparecido Chaddad Neto, da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP) e professor do Programa de Pós-graduação em Neurociências da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
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“A acatisia é um transtorno de origem neuropsiquiátrica caracterizado por uma sensação subjetiva intensa de inquietação interna associada à necessidade quase irresistível de se mover”, explica.
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Principais causas
“A causa mais comum é o uso de antipsicóticos, especialmente os de maior potência bloqueadora dopaminérgica”, diz o neurologista.
Do ponto de vista neurobiológico, Chaddad Neto explica que o quadro está classicamente relacionado ao bloqueio de receptores em áreas cerebrais envolvidas no controle do movimento.
Ele acrescenta que a acatisia também pode ocorrer devido ao uso de antidepressivos, principalmente os inibidores de serotonina, e com determinados antieméticos, que são medicamentos voltados para controlar náuseas e vômitos.
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Em geral, informa o especialista, os sintomas surgem após o início do tratamento ou depois de aumento de dose.
“O desequilíbrio envolve principalmente a dopamina, mas pode incluir alterações nas vias serotoninérgicas e noradrenérgicas (redes neuronais do sistema nervoso central que utilizam serotonina e noradrenalina, respectivamente)”, explica.
Tal desequilíbrio se reflete em desconforto, tensão ou agitação interna, acompanhados de comportamentos como levantar-se repetidamente, balançar as pernas ou caminhar de um lado para o outro.
Como identificar
Chaddad Neto ressalta que diferenciar a acatisia de outras condições é fundamental porque isso influencia na conduta terapêutica.
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No caso de pacientes com acatisia, o neurologista diz que o “sofrimento decorre predominantemente da inquietação corporal, e não necessariamente de medo ou preocupação cognitiva”.
O mesmo não acontece em casos de ansiedade intensa, em que o quadro é psíquico e vem como resultado da preocupação excessiva e tensão mental.
Já em cenários de crises de pânico, a forma como o quadro se apresenta serve de parâmetro. Afinal, nesse caso, o início tende a ser súbito e incluir sintomas que atingem um pico em poucos minutos, como taquicardia e sensação de falta de ar.
Além disso, o neurologista explica que, quando a agitação está ligada a quadros como mania ou psicose, costuma haver alteração do pensamento e do juízo crítico. Contudo, cenários dessa natureza não fazem parte das características centrais da acatisia.
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Sinais de alerta
Entre os sinais que indicam maior gravidade está a intensidade do sofrimento. “Quando o paciente descreve a inquietação como insuportável ou torturante, isso indica um grau elevado de desconforto interno”, esclarece o neurologista da BP.
Além desse sintoma, ele destaca outros sinais que demandam atenção:
“A acatisia está documentadamente relacionada ao aumento do risco de suicídio quando não reconhecida e tratada adequadamente”, alerta.
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A acatisia é reversível?
Na maioria dos casos, a condição pode ser revertida. Contudo, isso vai depender da identificação da causa e da intervenção adotada, segundo Chaddad Neto.
Para isso, ele indica que a primeira medida é a reavaliação do medicamento suspeito, seja para reduzir a dosagem ou para substituir por outro com menor potencial de causar sintomas extrapiramidais – que são justamente os distúrbios motores involuntários que surgem como efeitos colaterais de remédios.
Quando a suspensão não é possível, porém, podem ser utilizados medicamentos para aliviar os sintomas.
Já em situações de sofrimento intenso ou risco associado, o neurologista diz que pode ser necessário realizar internação para estabilização clínica e ajuste terapêutico.
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