A exposição itinerante "Mandela, Ícone Mundial de Reconciliação" chega ao Portão Cultural, em Curitiba, de 3 de março a 30 de abril de 2026, e apresenta ao público a trajetória do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela.
Por meio de 50 painéis fotográficos e de uma instalação audiovisual, a mostra relembra a luta de Mandela contra o apartheid, regime de segregação racial que dividiu a África do Sul por décadas, seu encarceramento por 27 anos e a eleição, em 1994, como primeiro presidente negro do país.
Legado de justiça e autodeterminação
Promovida pelo Instituto Brasil África em parceria com a Fundação Nelson Mandela, de Joanesburgo, a exposição destaca a contribuição do líder sul-africano para a democracia, os direitos humanos e a paz, em diálogo com desafios globais atuais.
Segundo o embaixador Carlos Duarte, secretário de África e Oriente Médio, o exemplo de Mandela está ligado a princípios fundamentais das relações internacionais, como a autodeterminação dos povos e o respeito à soberania dos Estados. "É alguém que não abriu mão de suas convicções e sempre foi impulsionado pela ideia de justiça", afirma.
Ele lembra que, mesmo após ser preso por tanto tempo em um país dividido pelo apartheid, Mandela se tornou figura central do acordo político que encerrou o regime. "Quando chegou a hora de fazer um acordo pela via pacífica, foi preciso procurá-lo para viabilizar o fim do apartheid", destaca Duarte.
Mostra quer inspirar reconciliação em tempos de conflito
Para João Bosco Monte, presidente do Instituto Brasil África, a exposição ganha força no atual cenário internacional. "Com tantos conflitos, talvez a voz que clama no deserto seja a voz do Mandela, e nós queremos inspirar, trazendo a ideia de alguém que busca reconciliação e respostas práticas para problemas urgentes", avalia.
Racismo no Brasil entra em debate
Antes de Curitiba, a mostra passou por Brasília, São Paulo e Belém. Patrocinada pela Itaipu Binacional, a iniciativa também provoca uma reflexão sobre o racismo e as desigualdades no Brasil, tema ressaltado pelo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri.
"Nós não podemos acreditar que aqui existe justiça racial ou que negros e negras têm as mesmas oportunidades que os brancos; isso não é verdade", afirma Verri. Segundo ele, eventos como a exposição ajudam a avaliar desigualdades sociais, o desrespeito a direitos e a necessidade de discutir o Brasil que a sociedade deseja construir.
Serviço
Mandela, Ícone Mundial de Reconciliação