Empresário grava momento em que israelenses deixam Morro de São Paulo às pressas em meio à convocação para a guerra; vídeo viraliza
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Empresário grava momento em que israelenses deixam Morro de São Paulo às pressas em meio à convocação para a guerra; vídeo viraliza

Ao GLOBO, o autor das imagens disse que ouviu de turistas que parte do grupo teria interrompido a viagem no Brasil para retornar ao país em meio à guerra no Oriente Médio

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    GERADO EM: 03/03/2026 - 08:52

    Turistas israelenses deixam Morro de São Paulo devido a tensões no Oriente Médio

    Um vídeo gravado em Morro de São Paulo, na Bahia, viralizou ao mostrar turistas israelenses deixando a ilha devido à tensão no Oriente Médio. O empresário Alaim Miller, autor das imagens, relatou que muitos interromperam suas viagens para retornar a Israel em meio ao conflito. A ilha, popular entre israelenses, viu um fluxo inesperado de saídas, destacando a forte presença dessa comunidade no local.

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    Um oásis, refúgio ou até “terra prometida” para jovens viajantes? Morro de São Paulo, no litoral da Bahia, acostumou-se a ver mochilas, festas eletrônicas e conversas em hebraico espalhadas pelas praias. Mas um vídeo gravado no último fim de semana mostrou um momento incomum nesse cenário: dezenas de turistas israelenses deixando a ilha às pressas, em meio à escalada da tensão envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã.

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  • As imagens, publicadas nas redes sociais e já com mais de 1,4 milhão de visualizações, mostram jovens com malas e mochilas caminhando pelo deck e se preparando para partir. Nos comentários, internautas misturam curiosidade, empatia e surpresa diante da cena registrada em um dos destinos mais populares entre israelenses no Brasil.

    Confira:

    O vídeo foi gravado por Alaim Miller, dono da empresa de passeios de barco Morro SP Tur. Em conversa com o GLOBO, ele contou que a movimentação começou de forma inesperada enquanto trabalhava, como faz diariamente, aguardando turistas para os passeios.

    — A gente fica ali na ponte esperando o pessoal para os passeios. Já é muito comum encontrar israelenses por toda parte, nos restaurantes, nas ruas. Eles têm um ritmo diferente, dormem durante o dia porque passam a noite nas festas eletrônicas — contou.

    Segundo ele, por volta do meio-dia, algo parecia diferente.

    — Nesse dia começou uma movimentação grande no deck. Muita gente com mala. Parei para conversar e tentar entender o que estava acontecendo.

    Como muitos dos turistas não falam português, a conversa aconteceu com ajuda de aplicativos de tradução. Foi assim que ele entendeu que parte do grupo pretendia voltar para Israel.

    — Pelo que consegui entender, muitos estavam indo embora por causa da guerra. Alguns falaram que tinham que retornar por conta da guerra. Não sei se já tinham passagem ou se viria algum voo especial, mas a conversa era toda sobre voltar — disse.

    Até o momento, não há confirmação oficial de que os jovens tenham sido convocados ou obrigados a deixar o Brasil. Ainda assim, a gravação rapidamente viralizou e reacendeu discussões sobre a forte presença israelense na ilha.

    Nos comentários da publicação, muitas mensagens demonstram solidariedade. “Eu morei em Morro há alguns anos e conversei com israelenses. Eles diziam que ninguém quer estar na guerra, mas nasceram vivendo isso”, escreveu uma usuária.

    Outro comentário destacou o impacto econômico da presença deles. “São jovens que vêm para curtir, movimentam o turismo e o comércio local.”

    Houve também mensagens de apoio. “Encontraram nesse lugar um sonho de paz, mesmo que por um tempo.”

    E outras que falam da relação criada com a comunidade. “Voltem sempre, vocês são amados por nós.”

    Uma ilha que virou destino israelense

    Uma ilha que virou destino israelense

    A presença maciça de turistas israelenses em Morro de São Paulo não é recente. O movimento ganhou força após a gravação da série israelense Malabi Express, em 2012. A produção mostrava jovens que, depois de cumprir o serviço militar obrigatório, viajavam ao Brasil e começavam uma nova vida na ilha.

    A repercussão da série transformou o destino em uma espécie de rota quase obrigatória para jovens israelenses em mochilões pela América do Sul.

    — Depois dessa série, muita gente começou a querer conhecer Morro. Hoje existem até agências em Israel que vendem pacotes específicos para cá — afirmou Alaim.

    Com o aumento do fluxo, parte do comércio local se adaptou. Restaurantes passaram a oferecer cardápios em hebraico e pratos ajustados às tradições alimentares judaicas, como a ausência de carne de porco e a separação entre carne e laticínios. A ilha também ganhou uma sinagoga e eventos voltados para esse público.

    Os números mostram o tamanho do fenômeno. Em março de 2024, durante o período pós-Carnaval, 54% dos turistas estrangeiros em Morro de São Paulo eram israelenses, segundo dados da prefeitura de Cairu.

    A relação com o destino vai além do turismo. Em alguns pontos da ilha, adesivos com fotos de soldados mortos em conflitos são colados em postes e muros, em homenagens feitas por amigos que visitam o local.

    — Quando eles planejam viajar e algum amigo não consegue porque morreu na guerra, acabam homenageando aqui. É uma forma de lembrar — explicou o empresário.

    O contraste entre festa e conflito

    O contraste entre festa e conflito

    Grande parte dos visitantes israelenses é formada por jovens que acabaram de concluir o serviço militar obrigatório ou que estão na reserva. Muitos usam o dinheiro economizado durante o período para viajar pelo mundo antes de iniciar a vida profissional.

    — Eles chegam para descansar, curtir. Fazem muitas festas, principalmente de música eletrônica. É um estilo que eles gostam muito — disse Alaim.

    Guerra no Oriente Médio

    Guerra no Oriente Médio

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    Imagem capturada da televisão estatal iraniana mostra o local que seria da escola da escola primária para meninas na província iraniana de Hormozgan, perto do estreito de Ormuz. — Foto: IRIB TV / AFP

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    Frame de vídeo mostra pessoas inspecionando os danos em um local atingido após ataques dos EUA e de Israel em Teerã, no Irã — Foto: AFP

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    Frame de vídeo de redes sociais mostram explosões em Teerã após EUA e Israel bombardearem a capital em ataque coordenado ao Irã — Foto: AFP

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    Uma nuvem de fumaça se eleva após uma explosão relatada em Teerã após EUA e Israel bombardearem capital em ataque coordenado. — Foto: ATTA KENARE / AFP

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    Projétil iraniano atinge base naval dos EUA no Bahrein — Foto: AFP

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    Fumaça sobe nos céus de Abu Dhabi em meio a ataque retaliatório do Irã por agressões dos EUA e Israel — Foto: AFP

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    O rastro de um foguete do sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro de Israel é visível sobre os céus de Jerusalém — Foto: JACK GUEZ / AFP

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    Fumaça de um ataque aéreo israelense na área sul do Líbano, al-Qatrani. EUA e Israel bombardearem a capital do Irã, Teerã, em ataque coordenado — Foto: Rabih DAHER / AFP

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    EUA e Israel lançam ataque coordenado contra o Irã; bombas no Teerã (foto) começaram na manhã deste sábado (28) — Foto: ATTA KENARE / AFP

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    Pessoas correm para se abrigar ao som das sirenes em Tel Aviv. As Forças Armadas de Israel afirmaram que seus ataques contra o Irã, em coordenação com os Estados Unidos, atingiram dezenas de instalações militares. — Foto: Jack GUEZ / AFP

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    Motoristas lotam ruas de Teerã, capital iraniana — Foto: AFP

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    O rastro de um foguete do sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro de Israel é visível sobre os céus de Jerusalém — Foto: JACK GUEZ / AFP

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    A movimentação ocorre em meio à escalada de tensão no Oriente Médio. Israel vive uma sequência de confrontos que se intensificaram após ataques do Hamas em outubro de 2023, que deixaram mais de 1.400 mortos no país e levaram à captura de reféns. A resposta militar israelense resultou em milhares de mortos na Faixa de Gaza.

    Nesse contexto, o governo de Benjamin Netanyahu anunciou a convocação de cerca de 100 mil reservistas, que devem se somar aos aproximadamente 50 mil militares já mobilizados desde o início da guerra na Faixa de Gaza. Segundo as autoridades israelenses, os reforços serão enviados para diferentes frentes, incluindo Gaza, a Cisjordânia e as fronteiras com Síria e Líbano.

    Mesmo a milhares de quilômetros dali, o impacto acaba chegando a destinos inesperados — inclusive a uma ilha turística no litoral baiano.

    — Morro sempre foi visto por eles como um paraíso, um lugar para esquecer um pouco a realidade — disse Alaim.

    Ainda não se sabe quantos turistas deixaram a ilha ou quantos pretendem retornar nos próximos dias. O que se sabe é que, por algumas horas, o paraíso tropical virou cenário de despedidas apressadas e de um vídeo que rodou o mundo.