Crescente Vermelho afirma que ataques israelense-americanos contra a nação persa atingiu 153 cidades com mais de mil bombardeios
Por O Globo, com agências internacionais — Teerã e Tel Aviv
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GERADO EM: 03/03/2026 - 10:22
Israel e EUA Intensificam Ataques ao Irã; 787 Mortos em Teerã
Israel intensificou ataques ao Irã, bombardeando a Presidência e o Conselho de Segurança em Teerã, em ação conjunta com os EUA. Desde sábado, 787 iranianos morreram e mais de mil bombardeios atingiram 153 cidades. Além de alvos militares, infraestruturas civis foram danificadas. A Agência Internacional de Energia Atômica relatou danos à central nuclear de Natanz, sem consequências radiológicas. O cenário é de medo e instabilidade no Irã.
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As Forças Armadas de Israel bombardearam a Presidência do Irã e a sede do Conselho de Segurança da nação persa nesta terça-feira, anunciaram oficialmente as fontes militares do Estado judeu, em um novo detalhamento sobre a ação conjunta com os EUA contra o principal inimigo estratégico do país. A ofensiva acontece pouco depois do Crescente Vermelho — que integra o Movimento Internacional da Cruz Vermelha — divulgar um balanço apontando que 787 pessoas morreram no Irã desde o início da guerra no sábado, e que mais mil bombardeios foram lançados contra 153 cidades iranianas.
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"A Força Aérea israelense atacou e desmantelou instalações dentro do complexo da direção do regime terrorista iraniano no coração de Teerã", indicou um comunicado militar, que também confirmou que há ações simultâneas contra alvos iranianos e do movimento Hezbollah, no Líbano, onde há confirmação de um avanço por terra.
Mais Sobre Irã
Israel mantém uma campanha aérea implacável contra o Irã, após a onda inicial de ataques no sábado ter conseguido a eliminação do alvo de maior valor dentro do regime iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. A confirmação da morte do líder supremo da República Islâmica não aplacou a ofensiva, que já destruiu ou avariou instalações militares, arsenais de mísseis e mesmo instalações nucleares. Houve também a confirmação de danos a infraestruturas civis — o principal deles a uma escola de ensino primário, que o governo iraniano diz ter resultado na morte de 175 pessoas na cidade de Minab, a maioria meninas.
Ao menos um ataque parece ter atingido diretamente o programa nuclear iraniano — apontado pelo presidente americano, Donald Trump, como alvo prioritário da contenção americana. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou nesta terça que houve danos aos "edifícios de entrada da central subterrânea de enriquecimento de combustível de Natanz", uma das principais centrais nucleares do país. A autoridade nuclear da ONU, porém, afirmou que não foram detectadas quaisquer "consequências radiológicas".
Embora o enfrentamento com o Irã venha sendo prioritariamente uma guerra aérea, combates navais também parecem estar em curso no Golfo Pérsico, onde parte da frota americana enviada ao Oriente Médio está mobilizada, e onde drones navais iranianos acertaram navios-petroleiros nos últimos dias. Há também o primeiro indício de uma ação por terra: fontes ouvidas pelo jornal al-Arabiya afirmaram que Forças Especiais de Israel teriam realizado uma operação em solo iraniano. O escopo da operação não foi detalhado pelas fontes. Oficialmente, fontes militares israelenses confirmaram o início de operações por terra no sul do Líbano, com objetivo de criar um perímetro de segurança na fronteira, de onde partem a maioria dos ataques do Hezbollah.
Veja destruição em Teerã após quatro dias de ataques dos EUA e de Israel
Em meio aos ataques massivos, a população iraniana convive com uma realidade de medo. A conexão de internet foi bloqueada em todo o país — em meio a convocações de EUA e Israel à tomada de poder pela oposição —, cidadãos alteraram suas rotinas para tentar buscar proteção em meio aos ataques e protestos pró e contra o regime foram registrados nos últimos dias. Muitos mostram preocupação e se dizem contra a ação violenta.
— Este é um ataque sistemático não apenas contra militares, mas também contra civis — disse o jornalista Mohammad Khatibi em entrevista publicada pela BBC, descrevendo que entre os alvos bombardeados nos últimos dias estão torres de comunicação, estações de radiodifusão e o Grande Bazar da cidade, que descreveu como "em escombros".
O temor constante pelos ataques aéreos foi descrito pelo pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos do Oriente Médio, Abas Aslani, que vive na capital iraniana, em entrevista à rede americana CNN. Ele avaliou que mesmo pessoas contrárias ao governo estão preocupadas com os desdobramentos após a operação.
Explosões, fumaça e destruição: as imagens do ataque de EUA e Israel ao Irã
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Imagem capturada da televisão estatal iraniana mostra o local que seria da escola da escola primária para meninas na província iraniana de Hormozgan, perto do estreito de Ormuz. — Foto: IRIB TV / AFP
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Frame de vídeo mostra pessoas inspecionando os danos em um local atingido após ataques dos EUA e de Israel em Teerã, no Irã — Foto: AFP
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Frame de vídeo de redes sociais mostram explosões em Teerã após EUA e Israel bombardearem a capital em ataque coordenado ao Irã — Foto: AFP
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Uma nuvem de fumaça se eleva após uma explosão relatada em Teerã após EUA e Israel bombardearem capital em ataque coordenado. — Foto: ATTA KENARE / AFP
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Projétil iraniano atinge base naval dos EUA no Bahrein — Foto: AFP
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Fumaça sobe nos céus de Abu Dhabi em meio a ataque retaliatório do Irã por agressões dos EUA e Israel — Foto: AFP
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O rastro de um foguete do sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro de Israel é visível sobre os céus de Jerusalém — Foto: JACK GUEZ / AFP
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Fumaça de um ataque aéreo israelense na área sul do Líbano, al-Qatrani. EUA e Israel bombardearem a capital do Irã, Teerã, em ataque coordenado — Foto: Rabih DAHER / AFP
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EUA e Israel lançam ataque coordenado contra o Irã; bombas no Teerã (foto) começaram na manhã deste sábado (28) — Foto: ATTA KENARE / AFP
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Pessoas correm para se abrigar ao som das sirenes em Tel Aviv. As Forças Armadas de Israel afirmaram que seus ataques contra o Irã, em coordenação com os Estados Unidos, atingiram dezenas de instalações militares. — Foto: Jack GUEZ / AFP
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Motoristas lotam ruas de Teerã, capital iraniana — Foto: AFP
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O rastro de um foguete do sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro de Israel é visível sobre os céus de Jerusalém — Foto: JACK GUEZ / AFP
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— A cada instante, espero ouvir o som de uma explosão. Não sei onde um novo local será atingido — disse Aslani, acrescentando que as pessoas não estão dispostas a ver uma "intervenção estrangeira". — Essa instabilidade não é bem-vinda pela maioria da população, mesmo que esteja irritada com a situação econômica ou com o governo.
A coordenação estreita entre americanos e israelenses no campo de batalha tem contrastado com a retórica ambígua das lideranças políticas dos aliados. O premier israelense, Benjamin Netanyahu, disse em entrevista na Fox News, na segunda-feira, que o ataque foi lançado porque o regime iraniano teria intensificado a construção de "novas instalações", incluindo "áreas subterrâneas", que tornariam seus programas de mísseis balísticos e de bombas atômicas — que Teerã afirma não perseguir — "imunes em questão de meses". Netanyahu afirmou que a guerra "pode levar algum tempo", mas "não anos", e disse que o objetivo final era "criar as condições necessárias para que o povo iraniano possa tomar em suas mãos o seu destino e formar o seu próprio governo eleito democraticamente".
O objetivo final apontado por Netanyahu foi descartado como prioridade na véspera pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, durante uma entrevista no Pentágono. O republicano afirmou que as ações contra o Irã não seriam um novo "Iraque" — referindo-se a invasão de 2003 —, e lembrou a oposição de Trump às chamadas "guerras para construir nações". Em outra parte do discurso, o secretário disse que uma mudança de regime não era um dos objetivos americanos — contrariando uma afirmação anterior de Trump —, mas apontou como desejável que o povo iraniano tomasse o poder. Ele seguiu a mesma linha de Netanyahu ao dizer que não haveria uma "guerra eterna".
- Leia também: Contradições entre autoridades do governo Trump expõem dilema dos EUA na guerra contra o Irã
Cobrança de responsabilização
Cobrança de responsabilização
À medida que os danos da ofensiva ao Irã vão se revelando, autoridades internacionais e figuras do regime exigem a responsabilização dos EUA e de Israel por ataques a alvos civis — embora a mesma tática esteja sendo utilizada por Teerã, em sua retaliação massiva por países da região, que já chegou a Chipre. Autoridades iranianas denunciaram, além do bombardeio à escola primária em Minab, ainda na onda inicial de ataques, danos a nove hospitais — que tem proteção especial pela lei internacional.
Um grande funeral público foi realizado na cidade do sul do Irã, com algumas das pessoas presentes levando fotos das crianças e das professoras mortas. Algumas tinham apenas 7 anos de idade, segundo as autoridades. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou os EUA e Israel de matarem as crianças, enquanto EUA e Israel negam que tenha havido uma ação deliberada de bombardear uma escola infantil, mencionando apurações internas.
Nesta terça, o Irã cobrou ao Conselho de Segurança da ONU que atue com urgência para deter a guerra.
— O Conselho de Segurança das Nações Unidas tem um dever (...) se quiser, pode agir, porque não há outro obstáculo à ação além de sua própria vontade — afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana Esmail Baghaei. (Com AFP)