Suspeitos de ter participado do episódio foram indiciados por estupro coletivo qualificado e cárcere privado
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GERADO EM: 02/03/2026 - 22:13
Adolescente é vítima de estupro coletivo em Copacabana; 4 indiciados
Um relatório policial detalha como uma adolescente de 17 anos foi atraída e violentada em um estupro coletivo em Copacabana. Quatro suspeitos foram indiciados por estupro coletivo qualificado e cárcere privado. O adolescente envolvido, que conhecia a vítima, foi o articulador do encontro. A jovem foi agredida fisicamente e coagida por cerca de uma hora. Os suspeitos são considerados foragidos, e o caso está sob investigação das autoridades.
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Entre 19h24 e 20h42 do dia 31 de janeiro de 2026, câmeras de um prédio na Rua Viveiros de Castro, em Copacabana, Zona Sul do Rio, registraram a entrada e a saída de quatro homens, um menor de idade e uma adolescente de 17 anos. O que aconteceu no apartamento ocupado pelo grupo veio à tona na forma de um relatório da 12ª DP (Copacabana): em seu depoimento, a jovem contou que, por cerca de uma hora, foi submetida a violência sexual e coação, além de receber tapas, chutes e socos dentro do imóvel, no sexto andar do edifício.
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Os quatro suspeitos de ter participado do episódio foram indiciados por estupro coletivo qualificado — porque a vítima é menor de idade — e cárcere privado. São considerados foragidos desde o último sábado, quando a polícia montou uma operação para tentar prendê-los. Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, que têm 19, podem pegar penas de até 18 anos de prisão.
O convite
O convite
Os dois se encontraram na portaria do prédio e, no elevador, ela ouviu dele uma insinuação de que fariam “algo diferente”. Ela deixou claro que não gostava da ideia e não a aprovaria. Ainda de acordo com o relatório, já estavam no imóvel Vitor Hugo — da família dos proprietários do endereço, usado eventualmente para aluguel — e Mattheus Veríssimo Zoel Martins. A presença de João Gabriel Xavier Bertho e Bruno Allegretti também foi confirmada.
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Depois de cumprimentar os presentes, os dois adolescentes foram para um quarto. Quando começavam a se beijar, Mattheus entrou no cômodo, sob o pretexto de buscar seu celular, e saiu. Eles estavam dando início a uma relação sexual quando, segundo depoimento da vítima, o espaço foi mais uma vez invadido, desta vez por três dos adultos. Eles ficaram assistindo e fazendo comentários debochados, até que Mattheus tocou seu seio. A jovem protestou, e os três chegaram a sair do quarto. Logo em seguida, no entanto, os quatro maiores de idade voltaram. A situação, a partir daí, evoluiu para uma sessão de estupro coletivo, descrita em detalhes sórdidos pela jovem à polícia.
Sessão de agressões
Sessão de agressões
Quando finalmente deixou o apartamento, às 20h25, a vítima, na saída do prédio, contou ter enviado uma mensagem de áudio para o irmão dizendo que “achava que tinha sido estuprada”. No endereço onde mora, também no bairro, com a avó, a quem trata como mãe, a jovem relatou mais uma vez o que tinha acontecido. Em entrevista ao RJ2, da TV Globo, a avó desabafou:
— Quando eu me deparei com ela e falei: “Filha, o que houve?”. Aí foi quando ela suspendeu o vestido mais ou menos até aparecer a nádega, e eu fiquei desesperada. E só catei os documentos e falei: “Vamos pra delegacia”. Ela se sentia muito culpada e dizia querer desistir da vida por vergonha, porque achava que, por onde ela passasse, todo mundo iria apontá-la como estuprada e como culpada. Ela está conseguindo se conscientizar de que ela não tem culpa, de que ela não está sozinha e de que ela importa.
O inquérito também registra que os jovens mantinham proximidade e histórico de convivência escolar. Dois dos envolvidos são estudantes do Colégio Pedro II, no campus Humaitá: o adolescente de 17 anos, cursando o 1º ano do ensino médio, e Vitor Hugo Oliveira Simonin, que ainda está no 9º ano do ensino fundamental após três reprovações. A reitoria da instituição disse que entrou com processo para o desligamento dos dois estudantes.
Pedido de expulsão
Pedido de expulsão
O Grêmio Estudantil do colégio emitiu nota exigindo a expulsão dos envolvidos no estupro coletivo antes mesmo da instituição se posicionar.
— Eles não respeitavam quando uma menina dizia “não”. Era algo recorrente. O Vítor Hugo foi expulso do time de futsal da escola porque arrumou briga, saiu na mão com outro rapaz de fora — disse uma aluna do ensino médio do Pedro II.
Uma aluna do 9º ano afirmou que, assim que recebeu a notícia, identificou os responsáveis antes mesmo de ler os detalhes.
— É assustador ver uma pessoa do seu dia a dia ter coragem de fazer algo tão brutal. Na hora em que falaram que havia um menor de idade envolvido, eu sabia que era ele. Antes mesmo de mostrarem a foto — conta.
Mattheus Veríssimo Zoel Martins concluiu os estudos no Colégio Intellectus, em Botafogo, em 2024. João Gabriel Xavier Bertho é atleta, com passagem pelo time de futebol Serrano RJ. Bruno Allegretti é estudante de Ciências Ambientais da Unrio.
Em nota, o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) informou que a 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Violência Doméstica da Área Centro ofereceu denúncia, perante a Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente, no caso envolvendo o estupro coletivo da adolescente.
* Estagiária sob a supervisão de Leila Youssef