Departamento de Estado americano anunciou a retirada de funcionários diplomáticos não essenciais e de seus familiares em seis países da região
Por O Globo com agências internacionais — Washington
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GERADO EM: 03/03/2026 - 07:10
EUA Retiram Funcionários Não Essenciais de Embaixadas no Oriente Médio por Ameaças do Irã
Os EUA ordenaram a retirada de funcionários não essenciais de embaixadas em seis países do Oriente Médio devido a ameaças crescentes atribuídas ao Irã. A decisão afeta Jordânia, Bahrein, Iraque, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, refletindo a elevação do risco para instalações diplomáticas. Em meio à tensão, a embaixada americana na Arábia Saudita foi atingida por drones. As embaixadas seguem operando com equipes reduzidas, exceto no Kuwait, que permanecerá fechada.
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O Irã multiplicou os ataques contra alvos americanos no Oriente Médio. À medida que cresce a ameaça de novas retaliações contra instalações dos Estados Unidos na região, o Departamento de Estado americano anunciou nesta terça-feira a retirada de funcionários diplomáticos não essenciais e de seus familiares em seis países, além do fechamento das embaixadas da Arábia Saudita, Kuwait e Líbano. Em paralelo, Washington — que já confirmou a morte de seis militares desde o início da ofensiva — orientou cidadãos americanos a deixarem 14 países do Oriente Médio, do Egito para o leste, citando “sérios riscos à segurança”, embora grande parte do espaço aéreo esteja fechado e companhias aéreas tenham suspendido voos para a região.
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No X, a secretária-adjunta para Assuntos Consulares dos EUA, Mora Namdar, afirmou que os americanos que vivem no Irã, Iraque, Jordânia, Líbano e Israel devem "SAIR AGORA" utilizando qualquer meio de transporte comercial disponível.
Em Israel, o embaixador americano Mike Huckabee instruiu seus cidadãos a saírem do país através da Península do Sinai, no Egito. "As opções são MUITO LIMITADAS”, escreveu o embaixador nas redes sociais. A embaixada dos EUA em Jerusalém, porém, afirmou não ter condições de ajudar americanos a deixar Israel.
Atacada por dois drones iranianos nesta terça-feira, a embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita emitiu um alerta de segurança, avisando sobre um possível ataque iminente com mísseis ou drones sobre a cidade de Dhahran, no leste do país. O Ministério da Defesa saudita afirmou que houve "incêndio de pequena proporção e danos materiais mínimos ao edifício".
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No Kuwait, a embaixada americana também foi alvo da República Islâmica. Nesta terça, a missão diplomática anunciou que fechará por tempo indeterminado, um dia após um correspondente da AFP ter visto fumaça saindo do edifício após ataques iranianos ao país.
Segundo a agência Reuters, testemunhas viram uma densa fumaça preta saindo do consulado americano em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, nesta terça-feira. Pouco depois, o gabinete de imprensa de Dubai informou que não houve feridos no "incidente envolvendo drones" nas proximidades do consulado dos EUA, que fica em uma área povoada da cidade, próximo à embaixada britânica e ao consulado saudita.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou que um drone atingiu um estacionamento adjacente ao prédio do consulado e disse que "provocou um incêndio no local", mas que "todos os funcionários estão a salvo".
— Como sabem, começamos a retirar pessoal de nossas instalações diplomáticas antes disso. Nossas embaixadas e instalações diplomáticas estão sob ataque direto de um regime terrorista — afirmou Rubio.
Em Washington, após a ordem de retirada de cidadãos americanos do Oriente Médio, democratas criticaram a decisão do Departamento de Estado. O senador Chris Murphy, de Connecticut, afirmou que o governo Trump "se recusa a ajudar as pessoas a saírem".
— O ataque em si é ilegal e desastroso, mas a falta de preparo para o que vem a seguir também é imperdoável. Incompetência por toda parte — disse Murphy.
O senador de Nova Jersey, Andy Kim, também criticou o governo, afirmando que a situação reflete uma falta de estratégia.
— Eu trabalhei no Departamento de Estado antes e a segurança dos americanos no exterior é a maior responsabilidade. Avisos para que os cidadãos evacuem três dias após o início desta guerra, quando o espaço aéreo está fechado, são um claro sinal de zero estratégia e planejamento por parte do governo Trump — afirmou o senador. — Agora, os americanos têm opções limitadas para evacuar em um momento extremamente perigoso, sem qualquer assistência do governo.
Horas depois das críticas, Dylan Johnson, secretário-adjunto de Estado para Assuntos Públicos Globais, afirmou que "o Departamento de Estado está trabalhando ativamente para garantir aeronaves militares e voos fretados para cidadãos americanos que desejam deixar o Oriente Médio". "Estamos em contato direto com quase 3 mil americanos no exterior", escreveu Johnson nas redes sociais.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, também disse que o Departamento de Estado "está trabalhando ativamente em planos para ajudar os americanos no Oriente Médio a retornarem para casa".
Até agora, segundo Rubio, cerca de 9 mil americanos foram retirados do Oriente Médio desde o início da guerra. Ainda de acordo com o secretário, aproximadamente 1.600 cidadãos americanos estão solicitando assistência na região.
Retaliação iraniana
Retaliação iraniana
O Irã lançou centenas de mísseis e drones contra os países do Golfo em retaliação à série de ataques americanos e israelenses, que começaram no último sábado. A maioria dos ataques iranianos foi interceptada, segundo os governos dos países do Golfo. A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, afirmou que abriria "as portas do inferno" para seus "inimigos".
Segundo relatórios do governo, Teerã lançou, pelo menos, 390 mísseis e 830 ataques com drones no Golfo Pérsico, região onde se localizam diversas bases militares americanas. No último domingo, o Comando Central dos Estados Unidos afirmou que o Irã atacou mais de 12 locais na região, incluindo centros civis como aeroportos, hotéis e áreas residenciais.
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O embaixador do Irã na ONU, Ali Bahreini, expressou dúvidas, nesta terça-feira, sobre a possibilidade de acordo com os EUA, enquanto o presidente americano, Donald Trump, disse ser "tarde demais" para voltar à mesa de negociação com o regime teocrático.
— Por enquanto, temos muitas dúvidas sobre a utilidade da negociação — disse o embaixador a jornalistas.
Também nesta terça, durante uma coletiva de imprensa no Salão Oval, Trump disse que ficou surpreso ao ver o Irã lançar ataques contra territórios vizinhos em retaliação à ofensiva coordenada entre EUA e Israel do último sábado. Segundo ele, os países do Golfo também ficaram surpresos.
Mortes de americanos
Mortes de americanos
Seis soldados americanos foram mortos e quase 20 ficaram feridos em um ataque retaliatório iraniano contra uma instalação militar no Kuwait, no último domingo. Inicialmente, o Comando Central dos EUA havia informado que três soldados morreram no ataque, mas as autoridades confirmaram na segunda-feira que o número de mortos dobrou, após um militar não ter resistido aos ferimentos e outros dois corpos terem sido encontrados nos escombros.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, confirmou que um bunker americano no Kuwait foi atingido depois que um míssil lançado durante a retaliação inicial do Irã conseguiu burlar as defesas aéreas.
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Também no domingo, em vídeo publicado nas redes sociais, Trump prometeu "vingar" os militares mortos e ameaçou a Guarda Revolucionária Islâmica caso seus membros não "deponham as armas".
— Infelizmente, haverá mais mortes antes que esta guerra termine — disse Trump. — Mas os EUA vingarão suas mortes e desferirão o golpe mais devastador contra os terroristas que estão travando uma guerra, essencialmente, contra a civilização. Exorto novamente a Guarda Revolucionária, as forças armadas iranianas e a polícia a deporem as armas e a receberem imunidade total, ou enfrentarão a morte certa.
Escalada militar amplia tensão
Escalada militar amplia tensão
A recomendação do governo americano de retirada de seus cidadãos, além do corpo diplomático, ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Nos últimos dias, Israel intensificou operações militares e iniciou incursões ao longo da fronteira com o Líbano. Testemunhas relataram que o Exército libanês abandonou posições na região.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as forças do país devem assumir novas posições consideradas estratégicas para impedir ataques do grupo Hezbollah contra comunidades israelenses próximas da fronteira. O Exército israelense informou ainda que tropas foram posicionadas em diferentes pontos do sul do Líbano como medida de segurança.
(Com AFP e New York Times)