Comgás e Sabesp negam falhas, e Cetesb foi acionada para investigar o caso
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GERADO EM: 03/03/2026 - 16:56
Explosão na Consolação: Concessionárias e Prefeitura em Impasse sobre Causas e Responsabilidades
Uma explosão na Rua da Consolação, em São Paulo, gerou um impasse entre concessionárias e a prefeitura. A Enel detectou gás inflamável, mas Comgás e Sabesp negam falhas. Cetesb foi acionada para investigar. A suspeita recai sobre a rede elétrica da Enel, com possível combustão de borracha. A cratera foi fechada e a via liberada após 30 horas. O caso segue em investigação.
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Dois dias após a explosão que abriu uma cratera na Rua da Consolação, uma das principais vias de São Paulo, nem a prefeitura nem as concessionárias responsáveis pelas redes subterrâneas — como Enel, Sabesp e Comgás — conseguem apontar a origem do problema. A Enel afirma ter identificado o acúmulo de gases inflamáveis no interior de uma galeria, mas tanto a Comgás quanto a Companhia Ambiental do Estado, a Cetesb, dizem não ter constatado a presença do combustível no local.
O impasse transformou o episódio em um jogo de empurra entre as empresas, que negam falhas em seus sistemas, e a administração municipal, que também evita assumir o ônus do ocorrido. O tema afeta principalmente a Sabesp, responsável pelo sistema de águas e esgotos, a Enel, que cuida da distribuição de energia, e a Comgás, que cuida da rede de gás encanado, todos sistemas subterrâneos.
A explosão ocorreu no último domingo, 1º, por volta das 23h. Imagens do sistema de monitoramento da prefeitura, o Smart Sampa, mostram que, por pouco, um veículo não caiu na cratera de 15 metros quadrados aberta na altura do número 2.078 da via.
Ainda no domingo, a Comgás esteve no local e, segundo nota, “não identificou vazamento na rede”. Na segunda-feira, 2, técnicos da concessionária retornaram após a Enel — responsável pela rede subterrânea de energia da região — informar ter detectado a presença de gás em uma galeria.
Novamente, a Comgás realizou medições e análises técnicas e, em novo comunicado, afirmou ter descartado “mais uma vez a presença de gás natural proveniente da rede da Comgás”.
Na mesma linha, a Sabesp informou que equipes enviadas à Consolação confirmaram que a cratera “não é de responsabilidade da Companhia” e que suas tubulações estavam fora da área da ocorrência.
Durante toda a segunda-feira, enquanto as empresas se debruçavam sobre o caso, o trânsito foi desviado para vias adjacentes, já que apenas a faixa de ônibus permaneceu liberada. O buraco, inicialmente coberto com uma lona, só foi fechado cerca de 30 horas depois, em trabalho conjunto entre a equipe de manutenção da Enel e a prefeitura. A via voltou a operar normalmente por volta das 6h desta terça-feira.
A gestão municipal acionou a Cetesb para aprofundar a investigação. Em nota, a companhia informou que esteve na região por volta do meio-dia e que “não constatou presença de gás durante medição feita na galeria da Rua da Consolação”. Acrescentou ainda que permanece à disposição da prefeitura e das concessionárias para prestar apoio técnico.
O caso segue sob investigação. Segundo o secretário municipal das Subprefeituras, Fabrício Cobra, uma das principais hipóteses é a de que tenha ocorrido combustão de borracha no interior da rede subterrânea da Enel.
— O que temos confirmado é que se trata de uma galeria da rede elétrica da Enel que explodiu. A Comgás esteve presente durante todo o período, fez exames para identificar gases e não detectou metano. Ou seja, não é gás natural. Além disso, a característica da explosão não é compatível com esse tipo de combustível. Técnicos no local, em parceria com a Cetesb, levantaram a hipótese de que o material seja oriundo das próprias características da rede, já que houve fumaça preta cerca de uma hora antes, solo aquecido e cheiro de borracha queimada — afirmou.
— A hipótese é que possa ter ocorrido combustão de borracha dentro da rede da Enel, o que teria provocado a explosão. A Cetesb fará a análise e divulgará o resultado — completou.
Em nota, a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) informou que “a galeria danificada trata-se da rede subterrânea de energia” e que “nenhuma galeria pluvial da prefeitura foi atingida”.
A pasta acrescentou que, diante das características da ocorrência — como aquecimento do solo antes da explosão, ausência de labaredas e presença de fumaça com odor semelhante ao de borracha queimada —, a suspeita recai sobre falha na rede elétrica.
“A gestão municipal recompôs o pavimento para minimizar o impacto ao trânsito, com a liberação da via na madrugada desta terça-feira (3). Na segunda-feira, a SMSUB acompanhou o trabalho da Enel na reconstrução da rede própria, quando foi alterado o acesso ao poço de visita, com a substituição da tampa de concreto por uma de ferro, que permite manutenção mais ágil”, informou.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), aproveitou o episódio para criticar a Enel.
— Se ficar constatado que é responsabilidade deles, o que me parece provável, até porque não pode ser da Sabesp, já que não há rede de água no ponto, e a Comgás já descartou qualquer relação com o caso, o que resta é a possibilidade de ser algo ligado à Enel, até porque há ali o enterramento de fios. É preciso cobrar deles. Eles são muito lentos — declarou.
Nas ruas, a explosão também gerou apreensão. Um motorista que passava pela região afirmou que uma tragédia maior foi evitada por pouco, lembrando que, semanas antes, a via recebeu milhares de pessoas durante a realização de megablocos de carnaval.
— Imagina se tivesse acontecido naqueles dias, com toda aquela gente. Foi sorte não ter acontecido nada mais grave. Mas agora é preciso saber o que causou isso, porque não é normal — disse.