Quatro homens foram indiciados pelo crime; dois estão presos e Justiça já aceitou a denúncia
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GERADO EM: 03/03/2026 - 15:06
Filho de subsecretário entre foragidos por estupro coletivo no RJ
Vitor Hugo Oliveira Simonin, filho de um subsecretário, é um dos foragidos por estupro coletivo de uma adolescente em Copacabana. Quatro homens foram indiciados, dois estão presos. A Justiça aceitou a denúncia. Bruno Allegretti, outro foragido, foi suspenso da Unirio. A vítima, atraída por um ex-namorado, sofreu agressões. Secretária de Direitos Humanos afirma apoio, mas advogado da vítima nega.
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Um dos foragidos por suspeita de participação no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, é Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, filho de José Carlos Simonin, atual Subsecretário de Governança, Compliance e Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.
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O segundo foragido é Bruno Felipe dos Santos Allegretti, também com 18 anos. Outros dois suspeitos estão presos: Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos com 19 anos. Os quatro foram indiciados pela 12ª DP (Copacabana) pelo crime ocorrido no dia 31 de janeiro.
Eles respondem por estupro qualificado, cometido em concurso de pessoas. O grupo foi denunciado pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Violência Doméstica da Área Centro à Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente. A Justiça já aceitou a denúncia e decretou a prisão dos acusados.
Também existe o envolvimento de uma quinta pessoa. Um adolescente que já havia tido um relacionamento com a vítima e apontado como articulador do encontro. A situação dele foi encaminhada à Vara da Infância e da Juventude.
Divergência sobre o apoio
Divergência sobre o apoio
Em suas redes sociais, a secretária de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio, Rosangela Gomes, afirmou ter recebido a notícia com "profunda indignação e tristeza". Ela declarou ainda que o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Mulher, está prestando apoio jurídico e psicológico à vítima e à sua família.
No entanto, Rodrigo Mondego, advogado da adolescente e de sua família, respondeu a postagem, afirmando que "até o momento não foi oferecido absolutamente nenhum apoio jurídico ou psicológico".
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Medidas administrativas
Medidas administrativas
Um dos foragidos, Bruno Felipe dos Santos Allegretti era estudante no Centro Acadêmico de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Em nota, a instituição informou a suspensão cautelar por 120 dias, determinada nesta segunda-feira pelo reitor José da Costa Filho. A universidade também se colocou "à disposição das autoridades policiais e judiciais para colaborar com quaisquer esclarecimentos ou providências que venham a ser solicitados".
Já o Serrano Futebol Clube, da cidade de Petrópolis, anunciou o afastamento e a suspensão do contrato de João Gabriel Xavier Bertho, que atuava como atacante no clube.
A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do Campus Humaitá II informaram que iniciaram o processo de desligamento dos estudantes denunciados pelo crime contra a adolescente.
“Estamos todos indignados com o ocorrido e seguimos com os procedimentos para continuidade de processo iniciado pela gestão do campus, em conjunto com a Reitoria e sob orientação da procuradoria federal para desligamento dos estudantes”, informou o colégio.
O caso
O caso
O crime aconteceu na noite do dia 31 de janeiro, quando um menor de 17 anos atraiu a adolescente, que seria sua ex-namorada, para um encontro amoroso num apartamento na Rua Viveiros de Castro. Quando eles estavam tendo uma relação dentro do quarto, os outros homens entraram no cômodo e praticaram o crime.
Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, uma hora depois, a saída deles do condomínio. Segundo a Polícia Civil, após o crime, a adolescente procurou a 12ª DP (Copacabana) para fazer o Registro de Ocorrência. O delegado Ângelo Lages, que conduz o inquérito, detalhou como a vítima chegou à unidade de polícia.
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O exame de corpo de delito feito na vítima identificou lesões relacionadas à violência física, como ferimentos na área genital, sangue no canal vaginal e hematomas nas costas e nos glúteos.
Após a Polícia Civil indiciar os quatro homens pelo de crime de estupro com concurso de pessoas, eles foram denunciados pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) à Justiça, que os tornou réus e expediu um mandado de prisão preventiva contra eles na sexta-feira.
No sábado, a Polícia Civil fez uma operação, denominada "Não é Não", para prendê-los, mas nenhum deles foi encontrado. Eles são considerados foragidos da justiça. Trata-se de Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, João Gabriel Bertho Xavier e Matheus Veríssimo Zoel Martins, os dois de 19. Eles foram indiciados pelo de crime de estupro com concurso de pessoas.
O menor de 17 anos também está sendo procurado, mas teve sua identidade preservada. A apuração da sua conduta ficará a cargo da Vara da Infância e da Adolescência.
'Emboscada'
'Emboscada'
De acordo com as investigações, o menor, que já teve um relacionamento com a vítima entre 2023 e 2024, enviou uma mensagem a ela fazendo um convite para um encontro no apartamento de um amigo dele. E fez um pedido: que ela levasse uma amiga, mas ela afirmou não ter quem levar e foi sozinha. Ele, então, a recepcionou na portaria do prédio e, no elevador, comentou que havia outros amigos no imóvel e insinuou que eles também participariam do momento entre os dois, proposta que ela diz ter rejeitado.
Em depoimento, a vítima contou que, ao chegar ao apartamento, ela foi levada para um quarto e, durante a relação sexual entre ela e o ex-namorado, os quatro rapazes teriam adentrado o local, ficaram nus, passaram a tocá-la e a beijá-la à força. Em seguida, a obrigaram a fazer sexo oral. Ela tentou sair do quarto, mas foi impedida. A adolescente relatou ainda que sofreu penetração dos quatro sendo agredida com socos, tapas e chupes na região abdominal.
Segundo Lages, o crime de estupro praticado neste caso é qualificado pelo fato de a vítima ser menor de 18 anos, e há aumento de pena por ter sido praticado de forma coletiva. Os suspeitos podem ter que cumprir até 20 anos de prisão. De acordo com o delegado, o apartamento onde o crime aconteceu pertence ao pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos réus, e estava vazio, porque é utilizado apenas para aluguel por temporada.
O que diz a defesa
O que diz a defesa
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho negou a ocorrência de estupro. Segundo Rafael De Piro, advogado do foragido, duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feito anteriormente.
"Há nos autos do processo mensagens de texto trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Informa ainda que ele jamais foi aluno do Colégio Pedro II. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação", diz a nota.