Guerra no Oriente Médio chega ao 4º dia sem sinal de trégua e excedendo a região
Por O Globo, com agências internacionais — Tel Aviv e Washington
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GERADO EM: 03/03/2026 - 15:26
Netanyahu Rejeita Alegações de Influência Israelense em Conflito EUA-Irã
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou com desdém alegações de que Israel teria "arrastado os EUA" para um conflito com o Irã, após declarações de Marco Rubio sobre uma ofensiva iminente. A cooperação EUA-Israel é descrita como estreita, mas a falta de uma narrativa unificada sobre a ofensiva gera confusão. Trump sugeriu que a ação israelense foi resultado de sua pressão, enquanto Rubio defendeu a legitimidade da ação preventiva.
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou com deboche ao ser perguntado se Israel havia "arrastado os EUA" para a guerra com o Irã, durante uma entrevista à rede americana Fox News, na noite de segunda-feira. A pergunta, lançada pelo popular apresentador conservador Sean Hannity, repercutia um comentário feito horas antes pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que ao ser questionado sobre qual "ameaça iminente" teria levado o governo a autorizar o ataque, citou havia tomado conhecimento sobre uma iminente ação israelense — o que, justificou, provocaria uma reação inevitável do regime dos aiatolás sobre os EUA.
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— Isso é ridículo — respondeu Netanyahu na entrevista televisiva. — Donald Trump é o líder mais poderoso do mundo. Ele faz o que acha que é o certo para os EUA.
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Em um momento em que a cooperação entre EUA e Israel é descrita como estreita e letal no campo de batalha, a dificuldade dos aliados estabelecerem uma retórica unificada sobre o que levou à ofensiva contra o Irã e seus objetivos tem resultado em uma mensagem permeada de incongruências e ambiguidades. Em uma tentativa de consertar a fala de Rubio na véspera, o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que a ação israelense, na verdade, teria sido resultado de sua pressão.
— Acho que eles [o Irã] iriam atacar primeiro, e eu não queria que isso acontecesse — afirmou Trump a repórteres durante um encontro nesta terça com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, na Casa Branca. — Então, de certa forma, posso ter forçado Israel a agir.
A discussão em torno do início da operação ocorre após uma reunião entre o secretário de Estado e os parlamentares, a fim de prestar esclarecimentos sobre o que levou a administração Trump a envolver o país em uma potencial nova guerra prolongada no Oriente Médio de forma unilateral. Antes do início do encontro, Rubio falou com a imprensa, e afirmou que a decisão foi tomada após os EUA tomarem conhecimento sobre uma operação iminente de Israel contra o Irã.
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— Sabíamos que, se não fossemos atrás deles [Irã] de forma preventiva antes que lançassem esses ataques, sofreríamos um número maior de baixas — disse Rubio, referindo-se a uma suposta ordem iraniana para responder automaticamente contra as forças americanas em caso de ataque. — Se tivéssemos ficado esperando que esse ataque [israelense] ocorresse antes de atingir [o Irã], teríamos sofrido muito mais baixas. Portanto, o presidente tomou a decisão bastante acertada.
Ao ser questionado sobre se os EUA enfrentavam uma "ameaça iminente" — um requisito legal para que o presidente use força militar sem consultar o Congresso —, Rubio insistiu nos planos israelenses.
— Certamente que havia uma ameaça iminente, e essa ameaça era saber que, se o Irã fosse atacado, e acreditávamos que seria, viria imediatamente atrás de nós — respondeu. — Não ficaríamos sentados esperando o ataque.
A explicação de Rubio também contradiz relatos de fontes americanas, que afirmaram nos últimos dias que a operação que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei partiu de uma informação obtida pela Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), de que o líder supremo e outras figuras de alto escalão do regime estariam reunidas em um mesmo local no sábado. A oportunidade de atingir alvos de alto valor do regime iraniano em um único ataque fez os planos militares serem antecipados, o que resultou em um incomum ataque inicial à luz do dia. (Com AFP)