Dia 4 da guerra no Oriente Médio: explosões, colunas de fumaça, fogo não só no Irã, mas também nos vizinhos do Golfo — Catar, Emirados, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Omã — assim como na Jordânia. Todos esses países abrigam bases americanas e de países europeus como a França, por exemplo.
Várias cidades de Israel foram atingidas por mísseis iranianos e, agora, o Líbano se vê envolvido nessa guerra depois de o Hezbollah lançar mísseis e drones contra Israel — uma reação ao assassinato do líder supremo, Ali Khamenei. A resposta de Israel foi muito dura, com bombardeios em Beirute e no sul do Líbano. Agora, há tropas terrestres israelenses que entraram no território libanês. O Exército israelense alega estar se defendendo e eliminando o que restou do grupo xiita; trinta mil pessoas estão deixando suas casas no Líbano.
Enquanto isso, todo o Irã vem sendo duramente bombardeado pelas forças armadas israelenses e americanas nesta fase. O que está sendo mais atingido são as instalações militares de produção de mísseis balísticos, seus estoques e lançadores, para diminuir a capacidade de resposta iraniana. Lideranças de Teerã continuam sendo eliminadas: quartéis-generais da Guarda Revolucionária, serviços de informação, delegacias de polícia e os chamados órgãos opressores do regime dos aiatolás. A TV estatal também não foi poupada, assim como membros do Judiciário e políticos.
Os Estados Unidos informaram que foi afundada toda a frota naval do Irã, composta por 11 embarcações de guerra. Apesar disso, o ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou que o país não ataca seus países “amigos” do Golfo, mas apenas posições americanas nesses territórios. O problema são os efeitos desses ataques: destroços de mísseis e drones interceptados caem em regiões civis, causando danos. Hotéis e prédios foram atingidos sob a alegação de que soldados americanos estariam hospedados ali. Aeroportos fechados e o comércio marítimo parado.
Além do petróleo, os países da região sempre se colocaram como centros de negócios para comércio e finanças. Para a aviação, muitos desses países são hubs importantes, assim como para o comércio marítimo. Some-se a isso o fato de que ninguém gosta de ver seu país atacado. A Arábia Saudita, por exemplo, que sempre teve relações conturbadas com Teerã, teve sua capital bombardeada, já que a embaixada americana fica no centro administrativo de Riad. Esses países ainda não reagiram, mas há a possibilidade real de uma resposta, principalmente dos sauditas.
O continente começou discreto neste conflito, no sábado, chamando atenção para a violação do direito internacional. Por outro lado, alegava que o povo iraniano tem o direito de ser livre. Mas o discurso agora endureceu. Os países do Golfo têm laços econômicos e militares com a Europa; Paris, Londres e Berlim já avisaram que estão à disposição para defender seus interesses e os de aliados na região. A França já enviou seu porta-aviões, o Charles de Gaulle, junto com um grupo de ataque para a região.
Teerã respondeu ameaçando a União Europeia para que não entre na briga, pois as consequências podem ser complicadas: o Irã tem mísseis balísticos capazes de atingir alguns países do bloco europeu.
Além da interrupção do programa nuclear iraniano, os objetivos desta guerra não estão claros. O risco de o Irã entrar em uma guerra civil, com sérios efeitos colaterais, é alto. Tentativas de intervenção na política de países pelos Estados Unidos foram desastrosas — basta lembrar Afeganistão, Síria, Iraque e Líbia.
Estamos vendo guerras por toda parte: Oriente Médio, Europa, Ásia e África. Fica claro que o multilateralismo enfraqueceu. A voz da ONU soa rouca. É a era dos valentões, e a corrida armamentista só aumenta.
Ontem, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a nova doutrina nuclear e a justificou pela necessidade atual diante da nova geopolítica mundial. A França é a quarta potência nuclear do mundo e informou que vai aumentar suas ogivas, sem divulgar a quantidade de bombas que pretende manter. Macron também anunciou que o país já desenvolve uma nova geração de mísseis nucleares. Além disso, Paris disse estar disposta a compartilhar sua dissuasão nuclear com outros países membros da União Europeia, liderando um movimento de dissuasão europeia — papel que hoje é exercido pela OTAN, sob liderança dos Estados Unidos.