O sistema político do Irã é um dos mais complexos e singulares do mundo. Diferente das democracias ocidentais, o país opera sob uma teocracia islâmica estabelecida após a Revolução de 1979. No topo dessa pirâmide, a figura do Líder Supremo detém a palavra final, mas divide o palco — ainda que de forma desigual — com um presidente eleito.
Para entender como as decisões que impactam o petróleo e a geopolítica global são tomadas em Teerã, é preciso separar as funções desses dois cargos.
O poder absoluto do Líder Supremo
Conhecido como Rahbar, o Líder Supremo é a autoridade máxima. Ele não é apenas um chefe de Estado, mas o guardião religioso da nação. Sua função é vitalícia e ele não responde ao voto direto da população, mas sim à Assembleia dos Peritos, um grupo de clérigos que o elege.
As principais atribuições do Líder Supremo incluem o Comando Militar - ele é o comandante de todas as Forças Armadas e da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) - o Controle do Judiciário, e pode nomear o chefe do Poder Judiciário e metade do Conselho de Guardiães (órgão que pode vetar leis) e as Diretrizes de Estado, ou seja, ele define as políticas gerais de economia, educação e, crucialmente, a política externa e o programa nuclear.
O papel do Presidente do Irã
Embora seja o rosto do país em assembleias da ONU e em viagens internacionais, o Presidente do Irã é, na prática, o segundo em comando. Ele é eleito por voto popular para mandatos de quatro anos, mas sua candidatura precisa ser aprovada pelo Conselho de Guardiães — que é influenciado pelo Líder Supremo.
O presidente tem a função de implementar as políticas definidas pelo Líder Supremo, gerir a economia e o orçamento nacional e comandar os ministérios e a burocracia estatal.
Por que isso importa para o mundo?
A estrutura de poder no Irã explica por que, muitas vezes, mudanças de presidente não resultam em mudanças drásticas na postura do país em relação ao Ocidente ou a Israel. Enquanto o presidente pode tentar reformas econômicas ou aberturas diplomáticas, a "linha dura" da segurança nacional permanece firmemente nas mãos do Líder Supremo.