Israel ataca assembleia que escolherá novo líder supremo do Irã
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Israel ataca assembleia que escolherá novo líder supremo do Irã

O Exército de Israel atacou, nesta terça-feira (3), o prédio onde a Assembleia de Peritos do Irã, órgão responsável pela escolha do novo líder supremo do país. A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters.

Ainda não há informações sobre mortos ou feridos. No entanto, a imprensa israelense diz que havia no local pelo menos 88 pessoas que compõem a assembleia.

Agências de notícias iranianas relataram que o prédio foi "arrasado" durante os ataques israelenses, segundo o The Jerusalem Post.

A Assembleia de Peritos é um conselho de cerca de 90 clérigos de alto escalão encarregado de eleger o novo Líder Supremo do Irã. O prédio está localizado na cidade de Qom, ao sul de Teerã.

Israel atacou complexo da liderança do regime do Irã

As Forças de Defesa de Israel informaram, nesta terça-feira (3), que bombardearam o complexo presidencial e a sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, na capital Teerã. A informação foi divulgada na plataforma X, antigo Twitter.

“Destruído. O complexo da liderança do regime iraniano - a sede central foi desmantelada”, declarou o Exército israelense na publicação.

“Este quartel-general era um dos ativos mais fortemente protegidos do Irã. O complexo que abrigava o fórum mais importante do regime foi atacado pela Força Aérea Israelense durante a noite, utilizando informações de inteligência precisas”, acrescentou.

Segundo o Exército de Israel, os líderes por trás do regime, assim como a sede onde estavam instalados, foram “eliminados”.

Quem são os aiatolás, que comandam o Irã?

A nomeação como jurista no Conselho de Liderança ocorre em meio aos ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que mataramKhameneie o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

O Conselho de Liderança reúne o clérigo mais graduado, o presidente e o chefe do Judiciário até a escolha de um novo líder supremo. A trajetória de Arafi ajuda a explicar o peso que o título de aiatolá tem no sistema político iraniano, em que autoridade religiosa e poder de Estado se misturam.

O que faz um aiatolá

No xiismo, aiatolá significa “sinal de Deus” e corresponde ao posto mais alto da hierarquia religiosa. O título é reservado a estudiosos com formação extensa em jurisprudência, ética e filosofia islâmicas.

Diferentemente de outros clérigos, esse grau não resulta de eleição, mas de reconhecimento por mérito acadêmico e religioso. A autoridade de um aiatolá pode ir além dos temas espirituais, sobretudo em países em que a religião estrutura o poder de Estado, como o Irã.

Como é a sucessão no topo do poder


A escolha de um novo líder supremo passa pela Assembleia de Peritos, colegiado de cerca de 88 a 96 clérigos xiitas eleito pela população. O órgão tem a prerrogativa de indicar, supervisionar e, em tese, destituir a autoridade máxima do país.

Antes da votação para a Assembleia de Peritos, o Conselho dos Guardiões, formado por 12 integrantes, entre eles nomes indicados diretamente pelo líder supremo, avalia quais candidatos podem concorrer. Na prática, apenas figuras alinhadas ao sistema político avançam.

Em caso de morte do líder supremo, a Constituição prevê a formação de um Conselho de Liderança para comandar a transição. O grupo reúne o clérigo mais graduado, o presidente e o chefe do Judiciário e permanece no poder até que a Assembleia de Peritos escolha o sucessor definitivo.

Nessas condições, a presença de Alireza Arafi como membro jurista do Conselho de Liderança provisório o coloca no centro do processo de sucessão e evidencia a relevância do alto clero xiita na definição dos rumos políticos do Irã.

Qual a diferença entre o líder supremo e o presidente?

O presidente atua como chefe de governo e administra o dia a dia da gestão pública. Cabe a ele formar o gabinete de ministros, propor o orçamento e implementar políticas internas, sempre subordinado às orientações do líder supremo.

Embora eleito por voto popular a cada quatro anos, o presidente não tem controle sobre as Forças Armadas. Sua candidatura precisa passar por análise e aprovação prévia do Conselho dos Guardiões, que filtra os nomes autorizados a disputar o cargo.