Desembargador investigado por vazamento de operação contra TH Jóias atribuiu ato à polícia: 'Não foi na Justiça Federal'
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Desembargador investigado por vazamento de operação contra TH Jóias atribuiu ato à polícia: 'Não foi na Justiça Federal'

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    GERADO EM: 02/03/2026 - 16:44

    Desembargador do TRF-2 é preso por vazamento de operação policial

    O desembargador Macário Júdice Neto, do TRF-2, foi preso acusado de vazar a Operação Zargun, que visava o então deputado TH Jóias. Durante julgamento, Macário atribuiu o vazamento às polícias Federal e Civil, o que a PF considerou leviano. O relatório da PF também destaca a ligação de Macário com Rodrigo Bacellar, indiciado por envolvimento com o Comando Vermelho. Macário não foi indiciado, mas seu caso foi encaminhado à PGR.

    CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

    • Relatório enviado ao STF: PM cedido ao Tribunal de Justiça do Rio vazava operações para o Comando Vermelho, diz investigação da PF
    • Indiciamento de Bacellar e TH Jóias cita 'estado paralelo' dos 'capos da política'; veja tudo o que a PF aponta no caso

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  • Indiciamento de Bacellar e TH Jóias cita 'estado paralelo' dos 'capos da política'; veja tudo o que a PF aponta no caso
  • Macário consta entre os investigados, mas não foi indiciado: por ser desembargador federal, seu caso foi remetido para a Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, foram indiciados TH; o presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar; Flávia Ferraço Lopes Judice, mulher de Macário; assim como Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado, respectivamente mulher e ex-assessor de TH Jóias.

    O relatório final da PF, que pode ser enviado à Justiça caso a PGR decida oferecer denúncia, transcreve trecho do voto de Macário, durante uma sessão da 1ª Seção Especializada do TRF-2. Na ocasião, o desembargador reconheceu: "A operação vazou. E não foi na Justiça Federal", afirmou o magistrado, que disse ainda que se opôs à "execução dos mandados junto com a Polícia Civil". Ouça o trecho do voto de Macário:

    Desembargador investigado por vazamento de operação atribuiu ato à polícia

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  • Na ocasião, além de TH, também foram presos Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, apontado como traficante; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor de TH Jóias; o ex-secretário municipal de Ordem Pública Alessandro Pitombeira Carracena; o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel, que estava de plantão no Aeroporto do Galeão; três policiais militares; e outras oito pessoas. Para essa ação, realizada em 3 de setembro, foram empregados esforços conjuntos das polícias Civil e Federal, assim como dos ministérios públicos do Rio (MPRJ) e Federal (MPF), por conta de investigações convergentes de todos esses órgãos.

    Macário, durante a sessão no TRF-2, alegou que foi contra a participação da PCERJ, mas justificou que não se tratava de uma desconfiança. "Não porque desconfio ou não confio na Polícia Civil. Porque depois que três ou quatro se reúnem vira comício. Eu fui absolutamente contra e adverti o Superintendente (da Polícia Federal, Fábio Galvão): Não faça essa operação em conjunto. E fizeram. E tiveram a dificuldade de prender o TH, porque a operação vazou", disse Macário, que acabou preso em 16 de dezembro. "Depois das 18h do dia anterior da prisão, já sabiam, quem é que ia deixar alguma coisa à mostra?"

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  • Conforme O GLOBO mostrou na semana passada, a PF encontrou no computador de Macário Júdice o voto que ele daria sobre o caso em que TH Jóias era investigado: para a investigação, o magistrado elencava argumentos numa tentativa de "mitigar a gravidade" de conversas entre traficantes e o então parlamentar.

    Para a Polícia Federal, a conclusão de Júdice Neto seria pela incompetência em julgar a ação penal, que seria enviada para outra instância. "Em seu bojo, Macário disserta acerca de suposta ausência de elementos que indiquem que as condutas praticadas por TH Jóias tenham sido praticadas durante o exercício de seu mandato parlamentar", avalia o relatório da PF, assinado pelo delegado Guilhermo de Paula Catramby.

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  • A PF entendeu que havia ali o "desespero do magistrado em se desvencilhar da causa", usando "um suporte argumentativo claudicante" (hesitante), o que acabou "frontalmente ilidido pela robustez da denúncia" da Procuradoria, que foi "enfática ao atrelar o mandato de TH Jóias à sua atuação na organização criminosa sob análise".

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  • A Operação Zargun foi resultado da junção das operações Oricalco e Bandeirantes, que ocorreriam após a expedição de mandados de prisão e de busca e apreensão por parte do TRF-2 e pelo Tribunal de Justiça do Rio. No primeiro deles, Macário era justamente o relator do caso.

    Encontro em churrascaria

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    O relatório da PF pontua que o desembargador — que "afastado da magistratura por quase 18 anos por suspeitas de venda de sentenças e envolvimento com a máfia do Jogo do Bicho" — mantinha uma "relação de intimidade" com Rodrigo Bacellar. A conclusão da PF é que há indícios de que teria ocorrido um encontro entre o então presidente da Alerj e o magistrado numa churrascaria na véspera da operação que prendeu TH, "permitindo-se concluir que Bacellar e Macário provavelmente estavam juntos quando TH Jóias enviava mensagens a Bacellar sobre sua evasão e destruição de provas".

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  • A PF reconhece que registros telefônicos e telemáticos "não confirmam a presença simultânea" de Bacellar e Macário na churrascaria. Mas a investigação aponta para um "conjunto de incongruências observadas", como um prato deixado "de maneira abrupta na mesa", por Macário, durante um jantar "em contexto de confraria", o que indicaria que o desembargador federal "possa ter se ausentado momentaneamente do jantar" para se encontrar com Bacellar, na noite de 2 de setembro.

    Até o fechamento desta reportagem, O GLOBO não conseguiu contatar a defesa de Macário Júdice. Em nota, o advogado Daniel Bialski, que defende Bacellar, afirmou que “inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento; ao contrário, só há ilações desamparadas”. A defesa acrescenta que o indiciamento é “arbitrário e abusivo”. Já o advogado de TH negou a participação de seu cliente em atividades criminosas e disse que ele não teve acesso a informações vazadas.

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    Para a Polícia Federal, Bacellar, apontado pela investigação como quem exerce papel de "liderança do núcleo político" do Comando Vermelho, tem como seu "maior ativo" a "capacidade de interlocução e persuasão em todos os poderes do Estado do Rio de Janeiro". Entre os exemplos elencados pela PF sobre essa atuação estão o vazamento da operação para TH, assim como um pedido do ex-governador Sérgio Cabral para que o então presidente da Alerj "intercedesse junto à Sexta Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio", na intenção de que o julgamento de um processo contra Cabral fosse retirado de pauta.

    O adiamento do julgamento acabou acontecendo, o que levou o ex-governador a agradecer a Bacellar, chamando-o de "irmão", "um querido" e até enviando um "Te amo, amigo" por meio de mensagem de texto. Ainda de acordo com o relatório do delegado Guilhermo Catramby, o "atendimento desse tipo de demanda aproxima Bacellar" de Macário Júdice Neto, também investigado pela PF. A investigação identificou "diversos julgados e votos" relacionados a Cabral e a Adriana Ancelmo, sua ex-mulher, com decisões do desembargador federal com "caráter favorável ao ex-casal" em sua maioria.

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