Com jogos suspensos e rotina de explosões, futebol do Oriente Médio convive com tensão: 'Situação preocupa', diz Artur Jorge
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Com jogos suspensos e rotina de explosões, futebol do Oriente Médio convive com tensão: 'Situação preocupa', diz Artur Jorge

'Ouvimos explosões de manhã, à tarde e à noite', relata Marcelo Cardoso, preparador físico brasileiro do Sharjah FC, dos Emirados Árabes

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    GERADO EM: 02/03/2026 - 21:10

    Tensões no Oriente Médio Impactam Futebol e Ligas Locais

    Com o aumento das tensões no Oriente Médio, o futebol local enfrenta desafios significativos. Jogos foram suspensos em países como Irã, Catar e Emirados Árabes, devido a conflitos envolvendo EUA, Israel e Irã. Marcelo Cardoso, do Sharjah FC, relata treinamentos sob explosões frequentes e mísseis no céu. A situação afeta ligas e competições internacionais, causando incertezas e preocupações entre atletas e técnicos.

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    Treinar ao som de explosões e ver traçados de mísseis no céu definitivamente não estava nos planos de quem se transferiu para países do Golfo Pérsico. Turbinadas pelo dinheiro do petróleo, algumas ligas locais se tornaram destino comum de atletas e profissionais do futebol. Só que a região virou palco do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. E, agora, quem estava acostumado apenas com gritos de gol ou protestos de torcidas está tendo que lidar com esta nova situação.

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  • O país mais atingido é o Irã, alvo da dupla EUA-Israel. A federação nacional de futebol já anunciou a paralisação de todas as suas competições. Embora não sejam o palco principal do conflito, Catar e Emirados Árabes são alvos da contra-ofensiva iraniana. Os ataques são direcionados a bases militares americanas nos dois territórios. Mas podem ser percebidos por toda a população.

    - Vivemos momentos de alguma tensão com o início do conflito. Ainda que seguindo o protocolo do Estado e resguardado em casa, tem sido possível durante todo o dia e noite ver bem de perto o rebentamento dos mísseis no céu de Doha. Temos alertas constantes no telefone quando o risco de ataque é maior. A situação preocupa, mas o momento é de manter a serenidade e garantir a segurança - relatou o técnico Artur Jorge, ex-Botafogo e atualmente no comando do Al-Rayyan, do Catar, que conta com os brasileiros Gregore, Róger Guedes, Wesley, Gabriel Pereira e Rodrigo Moreno.

    - Todos os jogos da Liga foram cancelados e adiados. O mesmo aconteceu com o jogo que teríamos no dia 4, a semifinal da Gulf Cup Champions, a jogar no Kuwait. Aguardamos com paciência e esperança o fim do conflito para podermos voltar à nossa rotina diária aqui no Qatar - completou o treinador português.

    'Às vezes dá para ver choques no ar'

    'Às vezes dá para ver choques no ar'

    A eficiência do escudo anti-mísseis, que derruba diariamente centenas de tentativas de ataques israelenses, garante a segurança da população emiradense. Mas as explosões no ar viraram parte do dia a dia desde o início do conflito.

    - É o dia inteiro. Ouvimos explosões de manhã, à tarde e à noite. Algumas vezes dá para ver, porque os mísseis deixam um traçado no céu. Tanto os de ataque quanto os que fazem o escudo de defesa. Às vezes dá para ver o choque no ar. E as paredes chegam a chacoalhar - contou o brasileiro Marcelo Cardoso, preparador físico do Sharjah FC, dos atletas brasileiros Igor Coronado, Leandrinho, Luan Pereira, Caio Lucas e Matheus Saldanha:

    - Durante o treino às vezes a gente ouve um barulho. As pessoas olham para cima, tentam ver de onde foi, e vida que segue. Porque sabem que, se houve o barulho, é porque um míssel foi interceptado - continuou Cardoso.

    Os alertas do Ministério da Defesa no celular viraram comuns. No caso dos brasileiros, há ainda os contatos da embaixada. Apesar da proteção, há recomendação para que a população evite sair de casa sem necessidade.

    Marcelo Cardoso soma, entre idas e vindas, 21 anos de carreira no futebol do Oriente Médio. Ele já visitou, a trabalho, países em conflitos. Mas admite que nunca vivenciou uma situação como esta.

    - A gente se sente protegido. O sistema de proteção do espaço aéreo é muito eficiente - pondera, para completar:

    - Mas o barulho é muito grande. À noite, além das interceptações, tem os caças que intensificam os voos. Todo mundo acaba ficando preocupado.