Conflito no Oriente Médio pode mexer no seu bolso? Guerra põe cortes de juros em dúvida e pode pressionar inflação
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Conflito no Oriente Médio pode mexer no seu bolso? Guerra põe cortes de juros em dúvida e pode pressionar inflação

Mercado já discute se o Banco Central pode adiar ou reduzir o ritmo de cortes da Selic, prevista para ter sua 1ª redução desde junho. Alta do petróleo pode encarecer combustíveis e fazer inflação ganhar força

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    GERADO EM: 02/03/2026 - 19:39

    Conflito no Oriente Médio pode frear cortes de juros no Brasil

    O conflito no Oriente Médio está gerando incertezas sobre a política de corte de juros do Banco Central do Brasil, prevista para março. A alta do petróleo pode impactar a inflação, aumentando os preços dos combustíveis e pressionando o Copom a reavaliar a redução da Selic, atualmente em 15%. Economistas divergem sobre o impacto do conflito, com alguns prevendo uma desaceleração nos cortes de juros se a situação persistir.

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    A piora das tensões no Oriente Médio, com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que tem respondido às ofensivas em outras regiões, começa a lançar dúvidas entre economistas sobre a magnitude dos cortes de juros a serem realizados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne entre os dias 17 e 18 de março.

    • Míriam Leitão: Conflito no Oriente Médio não deve impedir corte de juros, mas divide mercado sobre ritmo
    • Rogério Ceron: Conflito no Oriente Médio não deve interferir na decisão do BC de queda de juros

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  • Rogério Ceron: Conflito no Oriente Médio não deve interferir na decisão do BC de queda de juros
  • A aposta majoritária do mercado ainda é de que a autoridade monetária comece o ciclo de cortes da taxa Selic dos atuais 15% para 14,5% ao ano na próxima reunião, mesmo com a escalada do conflito. Mas já há quem questione essa possibilidade, enquanto outros acendem uma luz amarela sobre a reunião seguinte, em abril, prevista para os dias 28 e 29 daquele mês.

    O desafio dos economistas para calibrar as expectativas é saber, com as notícias que se tem até agora, qual será a duração e o tamanho do conflito no Oriente Médio e, portanto, seu impacto sobre os preços do petróleo, do câmbio e outros ativos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já disse que projeta que a guerra deve durar entre quatro a cinco semanas.

    Efeito inflacionário

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    O receio do mercado é que uma alta mais persistente do petróleo acabe contaminando preços no Brasil, justamente num momento em que a inflação vinha mostrando desaceleração, de 5,06% em fevereiro de 2025, no acumulado em 12 meses, para 4,44% em janeiro deste ano. O BC pode manter os juros elevados por mais tempo, ou reduzir o ritmo de cortes, para preservar essa trajetória de queda.

    — O petróleo já disparou e, como importamos boa parte da nossa energia, isso pode acender a inflação de maneira mais instantânea. Gasolina mais cara significa frete mais caro e, em última instância, pressão sobre os preços ao consumidor — explica Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.

    • Selic: Banco Central deve detalhar nesta terça-feira cenário de corte de juros no próximo Copom

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  • Momentos de tensão global costumam fortalecer o dólar. Se o cenário de aversão a risco ganhar força, a divisa americana sobe e os produtos importados podem ficar mais caros no Brasil, o que adicionaria nova camada de pressão inflacionária, explica Marco Mecchi, diretor de investimentos da Azimut Brasil Wealth Management.

    Mecchi não vê, até então, o conflito no Oriente Médio como fator capaz de adiar o início do ciclo de corte de juros no Brasil. Ele espera que o BC siga cortando a Selic em 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões deste ano, mas sem qualquer chance de aceleração por conta do cenário:

    — Se havia alguma chance de cortes de 0,75 pontos-base, ela diminui bastante diante do aumento da incerteza global.

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  • Já Araújo, da Zero Markets Brasil, acredita que o Copom pode não cortar juros em março e nos meses seguintes e só iniciar uma redução quando o petróleo e o câmbio deixarem de ser “preocupação iminente”. O argumento para isso, segundo ele, é o tom da última ata do comitê usado como justificativa para manutenção da taxa em patamar restritivo.

    — O Conselho tem adotado medidas mais conservadoras. Sendo assim, um fato relevante como esse é capaz de alterar a rota dos cortes — observa. — O BC vai ter que segurar a Selic mais tempo pra não deixar isso (cenário de disparada do petróleo) virar uma inflação generalizada _ diz ele, ao elencar o efeito disso sobre o custo da gasolina e outros produtos. — A guerra não muda nossos fundamentos econômicos de uma hora para a outra, mas obriga o BC a pisar no freio e priorizar a inflação.

    Lin acredita que o BC ainda poderá reduzir os juros em 0,5 ponto percentual na próxima reunião. Ele destaca que a alta dos preços vem perdendo força no país, e o índice oficial de preços tem convergido em direção à meta de inflação, de 3%.

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  • Até agora, ele toma como parâmetro o conflito em junho de 2025, que durou cerca de doze dias, quando os EUA bombardearam estruturas nucleares iranianas. Se as tensões atuais durarem tempo parecido, os efeitos sobre os preços globais podem ser baixos, o que não alteraria o cenário para petróleo, câmbio e inflação no Brasil.

    — Caso o conflito se mostre mais prolongado, aí começamos a ter efeitos na curva de juros, especificamente em decisão de política monetária — diz ele. — Para a reunião de abril, podemos ter mais dúvidas se houver sinais de uma disrupção mais duradoura na oferta global de petróleo.

    Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, também aposta que o BC reduzirá a Selic de 15% para 14,5% na próxima reunião. Mas admite que o cenário do conflito traz mais incerteza com relação aos cortes seguintes, previstos para as reuniões de abril e maio, quando ela espera novas reduções de 0,5 ponto percentual.

    — Se tiver um cenário em que o conflito escale, o preço do petróleo ou o câmbio subam ainda mais, com maior aversão a risco, pode ser um sinal de alerta para o Copom desacelerar (o ritmo de queda dos juros).

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