Leonardo Sanches é o primeiro paciente goiano a receber a terapia experimental; o delegado passou pelo procedimento em janeiro
atualizado
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O delegado Leonardo Sanches, de 44 anos, titular da Delegacia da Polícia Civil de Silvânia, tornou-se o primeiro paciente goiano a receber a terapia experimental com polilaminina — biomaterial desenvolvido para estimular a regeneração de lesões medulares.
Tetraplégico desde um grave acidente ocorrido em julho do ano passado, ele passou pelo procedimento em janeiro deste ano, no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia (GO), adininistrado pela equipe do Rio de Janeiro, responsável pela pesquisa com a proteína.
Leonardo conseguiu acesso à substância após decisão judicial – o processo segue em segredo de justiça.
A expectativa da equipe médica e da família é que o tratamento ajude a reduzir as sequelas da lesão na medula espinhal em decorrência do acidente e possibilite, gradualmente, ganhos motores que possam levá-lo a voltar a andar. Embora os resultados ainda estejam em fase inicial de avaliação, a terapia é vista como uma esperança de recuperação funcional.
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O que é a polilaminina
A polilaminina é um biomaterial sintético desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Inspirada na laminina — proteína presente na matriz extracelular e fundamental para o crescimento e a sobrevivência dos neurônios —, a substância foi criada para favorecer a regeneração da medula espinhal após lesões traumáticas.
O tratamento atua reduzindo a inflamação no local da lesão, modulando o microambiente neural, favorecendo a sobrevivência celular e estimulando o crescimento de axônios. A proposta é permitir a reconexão do tecido nervoso danificado, o que pode resultar na recuperação parcial de movimentos e sensibilidade.
Os resultados iniciais foram obtidos em estudos pré-clínicos e publicados na revista científica Acta Biomaterialia. Em janeiro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico de fase 1, destinado a avaliar a segurança da terapia em humanos.
Caso os dados confirmem a segurança do procedimento, a pesquisa poderá avançar para a fase 2, quando se avalia a eficácia inicial, e posteriormente para a fase 3, etapa que amplia o número de participantes para confirmar eficácia e segurança.
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