A startup argentina Beeflow, especializada em polinização agrícola com abelhas, aposta no Brasil como vetor de crescimento neste ano. A meta é alcançar faturamento acima de US$ 10 milhões em 2026. Fundada em 2016, com operação comercial iniciada em 2019 nos Estados Unidos, a empresa atua em cinco países e concentra 50% da receita em atendimento à produção de mirtilo.
A América do Norte responde hoje por cerca de metade do faturamento; o Peru, por 25%. No Brasil, onde iniciou testes em lavouras de laranja em 2022, a companhia avança em café e maçã. “Agora temos dados para buscar novos clientes e escalar”, diz Felipe Cresciulo, gerente nacional da Beeflow no Brasil. O faturamento de 2025 não é revelado.
Polinização profissional nas lavouras
No radar
Desde a fundação, a Beeflow captou mais de US$ 15 milhões em investimentos. A rodada Série A, fechada em junho de 2021, somou US$ 8,4 milhões e foi liderada pela Ospraie Ag Science, fundo especializado em agronegócio com sede em Nova York. Entre os investidores também está a Future Ventures, gestora de Steve Jurvetson, um dos primeiros aportadores de Tesla e SpaceX. Uma rodada maior está no radar, mas a empresa aguarda alcançar o equilíbrio entre receitas e custos antes de buscar novos investidores.
Campo regenerado
A SLC Agrícola ampliou em 79% a área certificada pelo programa internacional Regenagri, selo que reconhece fazendas com práticas de recuperação do solo. A empresa chegou a 325 mil hectares de soja, algodão e milho em dez unidades chanceladas com o selo, ante 181,5 mil hectares no ano passado. É a maior extensão certificada nas Américas, afirma Álvaro Dilli, diretor de Sustentabilidade da SLC. A meta é da companhia alcançar 550 mil hectares com o selo até 2030. “Estamos incorporando tecnologias que afetam a forma como produzimos”, observa.
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Avança
A iRancho, agtech de gestão pecuária, atingiu em fevereiro mil usuários e projeta terminar o ano com R$ 870 mil em receita recorrente mensal. A empresa gerencia 7,3 milhões de animais em 12 mil fazendas, com ativos totais de R$ 13 bilhões, e movimenta 200 mil animais por semana na plataforma. O tíquete médio é de R$ 650 por fazenda, com concentração de clientes entre 1 mil e 5 mil cabeças no Centro-Oeste e Norte. A agtech está presente em 24 Estados e em sete países.
Continuidade
Em 2025, a iRancho expandiu seu faturamento em 48%. Para sustentar a continuidade do crescimento, a empresa abriu em dezembro uma rodada para captar R$ 10 milhões. Os recursos serão destinados à criação de times de ciência de dados e inteligência artificial, expansão comercial e possíveis aquisições de concorrentes. A captação envolve fundos de venture capital e parceiros estratégicos, com fechamento previsto para julho. A agtech avalia M&As para crescimento de carteira e ampliar soluções.
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Ambição
A brasileira Promip quer se tornar uma das três maiores plataformas globais de baculovírus, biológico utilizado no combate à lagarta-da-soja. Com aporte de R$ 20 milhões, a empresa inicia neste semestre a operação de sua nova unidade em Engenheiro Coelho (SP). A fábrica vai triplicar a capacidade de produção para 200 toneladas por ano. O foco são os mercados de soja e milho, culturas nas quais o biológico cresce mais de dois dígitos, conta Carlos Eduardo Zamataro, diretor comercial. “O investimento viabiliza a expansão industrial para suportar a liderança no mercado da América do Sul”, afirma.
Cautela
O agronegócio brasileiro ainda digere o novo cenário tarifário dos Estados Unidos, depois que uma sobretaxa global de 10% foi aplicada sobre produtos importados. “Mesmo com o alívio, falta previsibilidade para os embarques com insegurança entre os importadores quanto aos ajustes”, aponta uma liderança do setor cafeeiro. Pescados, frutas, mel e café solúvel estão no rol.