O governo do Paquistão confirmou a execução de operações militares ao longo da fronteira com o Afeganistão na madrugada deste domingo (22). A ofensiva visou redutos de militantes paquistaneses apontados como responsáveis por recentes ataques terroristas no país. Embora Islamabad não tenha detalhado as localizações geográficas exatas, o ministro da Informação, Attaullah Tarar, afirmou que se trataram de "operações seletivas baseadas em inteligência" contra sete bases do grupo Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP) e de uma ala do Estado Islâmico.
Em contrapartida, o porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, denunciou as incursões em território estrangeiro por meio de uma publicação no X. Segundo Mujahid, os bombardeios atingiram civis nas províncias de Nangarhar e Paktika, resultando em dezenas de vítimas, incluindo mulheres e crianças. O representante afegão acusou as forças paquistanesas de tentarem mascarar fragilidades de segurança interna com agressões externas.
A movimentação militar ocorre em um cenário de violência acentuada. Recentemente, um atentado suicida com um veículo carregado de explosivos atingiu um posto de segurança no distrito de Bajaur, matando 11 soldados e uma criança. Outro ataque suicida, horas antes da resposta militar, vitimou dois soldados no distrito de Bannu. O exército paquistanês já havia alertado que não exerceria moderação e perseguiria os responsáveis "independentemente de sua localização".
O ministro Tarar declarou possuir "provas conclusivas" de que o comando desses ataques, incluindo um atentado contra uma mesquita xiita em Islamabad que deixou 31 mortos, está sediado em solo afegão.
O aumento da atividade do TTP — aliado ao Talibã afegão, mas com estrutura independente — tem tensionado a relação entre os vizinhos desde que o grupo retomou o poder em Cabul, em 2021. Enquanto Islamabad acusa Cabul de abrigar terroristas, o governo afegão nega as alegações.
Apesar de um cessar-fogo mediado pelo Catar estar em vigor, as tentativas de um acordo formal em Istambul não avançaram. A série de confrontos fronteiriços e explosões mútuas desde outubro mantém a região em um estado de fragilidade diplomática e alta prontidão militar.
*Com informações do Estadão Conteúdo.