Subir o Everest ficou mais difícil; veja as novas regras
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Subir o Everest ficou mais difícil; veja as novas regras

O governo do Nepal quer apertar o cerco para quem sonha em chegar ao pico da montanha mais alta do mundo. Um novo pacote de regras para escalar o Monte Everest foi aprovado em fevereiro pela Assembleia Nacional e promete mudar a forma como as expedições são autorizadas, embora ainda dependa de etapas finais para entrar em vigor.

A principal mudança é a exigência de experiência prévia. Estrangeiros terão de comprovar que já escalaram, com sucesso, uma montanha de pelo menos 7.000 metros no próprio Nepal antes de solicitar a licença para o Everest. O objetivo é reduzir os famosos “engarrafamentos” na chamada Zona da Morte, onde erros custam vidas.

Mortes na montanha

Mais de 300 pessoas já morreram na montanha de 8.849 metros acima do nível do mar, na cordilheira do Himalaia, localizada entre o Nepal e o Tibete. Ainda assim, o local continua mexendo com o imaginário de muitos alpinistas, que podem passar anos se preparando para uma subida em condições extremas.

Nas buscas do Google, o misto de fascínio e perigo que envolve o Everest fica ainda mais evidente. Nos últimos cinco anos, ao comparar perguntas sobre quantas pessoas morreram e quantas escalaram ou subiram a montanha, o tema das mortes gera quase o dobro da repercussão.

É com a promessa de tornar a experiência mais segura para quem recebe autorização para encarar o desafio que as novas regras surgem. A implementação, porém, ainda é vista com cautela.

Uma reportagem especial da National Geographic lembra que o pré-requisito de experiência em alta montanha já foi proposto algumas vezes nos últimos 30 anos, mas acabou descartado diante da resistência de agências de turismo e de parte da comunidade de alpinistas. O texto ressalta que a superlotação — com filas na montanha —, o gerenciamento de lixo e o aumento das mortes seguem como problemas urgentes.

Segundo a mesma apuração, 18 alpinistas morreram no Everest em 2023; em 2024, foram oito mortes; e, em 2025, cinco.

O que mais muda

Além da exigência de experiência prévia em montanhas de 7.000 metros, as novas medidas incluem:

  • Atestado médico recente para todos os membros da expedição;
  • Plano detalhado de escalada aprovado previamente;
  • Chip de rastreamento obrigatório (GPS);
  • Proibição de escaladas solo;
  • Nova taxa ambiental no lugar do antigo depósito de lixo;
  • Seguro obrigatório, incluindo resgate e remoção de corpos.
  • O valor da licença básica para estrangeiros também subiu de US$ 11 mil para US$ 15 mil. O documento emitido pelo Departamento de Turismo do Nepal ou pela Associação de Montanhismo do Tibete é obrigatório e terá validade de 55 dias.

    Quantas pessoas escalaram o Everest?

    Segundo o Banco de Dados do Himalaia, já foram registradas mais de 12.800 ascensões ao cume desde 1953, quando Edmund Hillary e Tenzing Norgay chegaram ao topo pela primeira vez com sucesso.