Desenvolvimento infantil e acondroplasia:
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Desenvolvimento infantil e acondroplasia:


A acondroplasia é considerada a forma mais comum de nanismo. A doença exige um olhar atento para garantir o desenvolvimento adequado das crianças com a condição e orientar famílias e educadores sobre o ritmo próprio de crescimento e as necessidades específicas de cada um, fundamental para promover a autonomia e a qualidade de vida.

A doença é causada por uma mutação no gene FGFR3, que retarda a formação óssea e a das cartilagens, e resulta em um desenvolvimento físico que segue um ritmo próprio. Por isso, crianças com acondroplasia podem apresentar atrasos em marcos de desenvolvimento (processo esse de mudança no comportamento, relacionado com a idade, tanto na postura quanto no movimento da criança), como se sentar, engatinhar e andar. Neste sentido, é essencial que famílias e educadores entendam que esse ritmo é esperado e requer incentivo e apoio.

Cuidados essenciais nos primeiros anos de vida

O acompanhamento médico multidisciplinar é extremamente necessário, especialmente na primeira infância, para monitorar e prevenir complicações. Os principais pontos de atenção são:

  • Respiração e sono: é fundamental monitorar a respiração da criança, principalmente durante o sono, devido ao possível estreitamento das vias respiratórias e da base do crânio. A apneia do sono é uma comorbidade comum que exige atenção.
  • Audição: as características anatômicas desproporcionais dos ossos do crânio podem alterar a angulação e gerar o estreitamento das vias auditivas torna a criança mais vulnerável a infecções de ouvido (otites de repetição), que podem levar à perda auditiva leve. O acompanhamento com um otorrinolaringologista é crucial.
  • Postura e marcha: a hiperlordose lombar (curvatura acentuada da coluna) e o arqueamento das pernas exigem atenção precoce de ortopedistas e fisioterapeutas. O apoio à marcha e à postura correta deve ser incentivado para prevenir dor crônica futura.
  • O papel do ambiente: casa e escola como fatores de autonomia

    A autonomia da criança está diretamente ligada à sua capacidade de interagir com o ambiente sem depender de terceiros.

  • Adaptação familiar: à medida que a criança cresce, a família deve adaptar cômodos da casa, garantindo que atividades básicas como higiene pessoal e alcance de objetos sejam feitas de forma independente. O desenvolvimento de habilidades de autocuidado ajuda a construir a autoestima.
  • Ambiente escolar inclusivo: as escolas desempenham um papel vital na formação da identidade. Adaptações simples, como cadeiras e mesas ajustáveis, plataformas de acesso a pias e bebedouros, e o uso de degraus de acesso promovem a inclusão e o senso de pertencimento, garantindo que a criança participe integralmente das atividades pedagógicas e sociais.
  • O impacto do acolhimento e da convivência

    Além dos desafios físicos, a acondroplasia impõe desafios emocionais. O acolhimento e a convivência com a diversidade são fatores de proteção contra a baixa autoestima e o isolamento:

  • Apoio emocional: o suporte psicológico e a criação de um ambiente familiar e escolar que celebre a diversidade são vitais. A criança que é encorajada a se expressar e é incluída em todas as atividades desenvolve maior autoconfiança e resiliência, fatores que influenciam positivamente seu desenvolvimento social e emocional.
  • O tratamento adequado, que inclui acompanhamento multidisciplinar (geneticista, pediatra, endócrino-pediatra, ortopedista, psicólogo, entre outros) e tratamento farmacológico, aliado a um ambiente que promove a autonomia, é importante para ajudar a melhorar a qualidade de vida de crianças com acondroplasia.4

    O conhecimento torna o mundo mais acessível. Combater o preconceito e trabalhar pela inclusão da pessoa com nanismo são atitudes fundamentais para tornar a sociedade mais inclusiva. Para saber mais sobre a acondroplasia, acesse o site

    Este material não tem qualquer caráter promocional e busca, unicamente, apresentar informações científicas relativas a doenças e/ou saúde. Material financiado pela BioMarin. COM-SC-0891/Janeiro-2026

    Referência

  • Hoover-Fong J, Scott CI, Jones MC. Health Supervision for People With Achondroplasia. American Academy of Pediatrics. Link. Acesso em Setembro, 2024.
  • Hoover-Fong J, Cheung MS, Fano V, et al. Lifetime impact of achondroplasia: Current evidence and perspectives on the natural history. ScienceDirect. Link. Acesso em Setembro, 2024.
  • FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. A importância do desenvolvimento motor na primeira infância. Rio de Janeiro: Fiocruz, 17 abr. 2018. Disponível em: Link
  • Savarirayan R, Ireland P, Irving M, et al. International Consensus Statement on the diagnosis, multidisciplinary management and lifelong care of individuals with achondroplasia. Nature Reviews Endocrinology. 2022;18(3):173-189. Link.
  • Hoover-Fong JE, Alade AY, Hashmi SS, et al. Achondroplasia Natural History Study (CLARITY): a multicenter retrospective cohort study of achondroplasia in the United States. Nature News. Link. Acesso em Setembro, 2024.
  • Beyond Achondroplasia. Adaptations. Acessado em Julho de 2024. Link.
  • Beyond Achondroplasia. School. Acessado em Julho de 2024. Link.