O acidente aéreo que matou os cinco integrantes da banda Mamonas Assassinas completa 30 anos nesta segunda-feira (2). O fim trágico do grupo de rock irreverente e cômico marcou a história da música brasileira, que, mesmo três décadas depois, ainda canta os sucessos da banda.
No curto período em que estrelaram programas de TV, shows lotados e ganharam o carinho do público. Mas a história de sucesso da banda começou de forma curiosa, em um café após a primeira apresentação do grupo como Mamonas Assassinas ainda em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Após a chegada de Dinho ao Utopia, a banda mudou de nome e começou a investir em shows pela cidade. Foi na danceteria Lua Nua que o grupo se apresentou pela primeira vez como Mamonas Assassinas. Foi também lá que os executivos da gravadora EMI assistiram ao vivo os Mamonas pela primeira vez, atraídos por uma fita cassete enviada por Saccomani.
Impressionados, os executivos deixaram a danceteria e, em busca de mais tranquilidade e com a ideia de assinar um contrato com o grupo, foram ao café embaixo do local. E foi lá que eles acertaram o primeiro contrato da vida deles.
À época do acidente, em 1996, Saccomani contou para a Band como Dinho e o grupo estavam ansiosos em assinar o contrato. "E aqui ficou acertado que dois largariam o emprego para trabalhar com a gente, negociado um adiantamento mínimo", contou.
Ele revelou que Dinho, vocalista da banda, questionou se era certo dar esse passo na carreira. "Estava até falando que momentos antes o Dinho me chamou e perguntou se era para irmos em frente. Eu falei que tudo ia dar certo, que estavam em boas mãos", disse.
Como foi o acidente dos Mamonas Assassinas
O Learjet 25D que levava a banda para a intensa rotina de shows pelo Brasil decolou de Brasília para Guarulhos, com atraso. O voo transcorreu bem, mas, na hora do pouso, a aeronave precisou arremeter por conta do mau tempo e pela dificuldade de estabilizar o avião.
A arremetida foi executada e, segundo instruções da torre de controle, a aeronave precisava retomar a rota e fazer o pouso. Mas, às 23h16, o voo se chocou contra a Serra da Cantareira a 3.300 pés. A aeronave acabou destruída e todos os ocupantes, incluindo os membros da banda, morreram no acidente.
Segundo o Cenipa, Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Força Aérea Brasileira, dois fatores foram contribuintes para a fatalidade. Os técnicos apontaram que piloto e co-piloto estavam submetidos a uma jornada de trabalho exaustiva, com mais de 16 horas de trabalho até o acidente, o que afetaria o desempenho no voo.
O Cenipa também apontou que a relação de piloto e co-piloto, que já era tensa, se agravou com o estresse físico e mental por conta da jornada exaustiva. Além disso, o órgão indicou que houve deficiências na comunicação e no planejamento.
O órgão da FAB apontou também que a região sobrevoada do acidente apresentava circunstâncias ambientais limitadoras de visibilidade, quase sem iluminação e coberta de nuvens, o que seria determinante para o acidente.