Há quase sete anos, o servidor público Elizandro Freitas, morador de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, aproveita as horas de folga para consertar e doar cadeiras de rodas e outros equipamentos ortopédicos, devolvendo mobilidade e dignidade a pessoas com deficiência física da comunidade.
Da necessidade da família à missão solidária
A iniciativa começou em casa, quando a irmã e o pai de Elizandro passaram a depender de cadeira de rodas para se locomover. A dor de ver os dois com a rotina limitada virou motivação para aprender, por conta própria, a conservar e adaptar os equipamentos.
Ele comprou ferramentas simples, buscou materiais descartados e fez da primeira cadeira, da irmã, um projeto de aprendizado. Aos poucos, vizinhos e conhecidos em situação parecida começaram a procurar ajuda, e o conserto pontual se transformou em trabalho contínuo de doação e empréstimo.
Garagem vira oficina de reaproveitamento
A garagem da casa dele virou oficina. É ali que ferros que iriam para o lixo, rodas enferrujadas e peças de plástico sem utilidade ganham nova forma. Com recursos próprios, ele recupera cadeiras de rodas, de banho, muletas e andadores, sempre de graça, nas horas vagas e nos fins de semana.
Segundo Elizandro, o retorno não é financeiro, mas emocional. Ele afirma que ver alguém voltar a sair de casa ou tomar banho com mais segurança paga o esforço e o tempo investidos.
Mais de 500 famílias atendidas em Colombo
O servidor calcula que já ajudou mais de 500 famílias em Colombo e em outros bairros da Região Metropolitana de Curitiba. Entre os beneficiados está Silas, de 92 anos, que voltou a sair da cama e a aproveitar o sol na calçada depois que recebeu uma cadeira de rodas recuperada.
Para a professora Adenir Rodrigues, que precisava de equipamentos para o pai recém-saído do hospital, a resposta de Elizandro foi imediata. Em pouco tempo, ela recebeu uma cadeira de rodas e uma cadeira de banho, que hoje fazem parte da rotina da família.
Gratidão como combustível
Na visão do servidor, a gratidão de quem recebe o equipamento é o que o incentiva a continuar, mesmo quando alguém questiona o fato de ele gastar tempo e dinheiro em um trabalho voluntário.