Desobstrução de rede na Zona Norte evita que dois milhões de litros de esgoto sejam lançados por dia na Baía de Guanabara
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Desobstrução de rede na Zona Norte evita que dois milhões de litros de esgoto sejam lançados por dia na Baía de Guanabara

Intervenção recuperou trecho do sistema que deságua no Rio Trapicheiros, na Zona Norte

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    GERADO EM: 27/02/2026 - 18:53

    Desobstrução de rede de esgoto reduz poluição na Baía de Guanabara

    A desobstrução de uma rede de esgoto na Zona Norte do Rio impediu o lançamento de dois milhões de litros de esgoto por dia na Baía de Guanabara. Águas do Rio removeu 46 toneladas de areia, reativando 280 metros de tubulação. A ação integra esforços maiores na Bacia do Mangue, visando reduzir a poluição através de intervenções e inspeções, com esgoto redirecionado para estações de tratamento.

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    Cerca de dois milhões de litros de esgoto por dia deixaram de ser lançados na Baía de Guanabara após a desobstrução de um trecho da rede de esgotamento sanitário que impactava o Rio Trapicheiros, na Zona Norte, segundo a concessionária Águas do Rio. A intervenção eliminou um despejo irregular que atingia diretamente o curso d’água e, em efeito cascata, o Canal do Mangue, no Centro, por onde os efluentes chegam à baía.

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  • De acordo com a Águas do Rio, a rede estava parcialmente obstruída, o que fazia com que o esgoto retornasse e fosse despejado no rio. Em cerca de três semanas de trabalho, foram retiradas 46 toneladas de areia, permitindo a reativação de 280 metros da tubulação. Com isso, deixou de ser lançado no Trapicheiros um volume estimado de 24 litros de esgoto por segundo, o equivalente a dois milhões de litros por dia.

    Renan Mendonça, diretor executivo da Águas do Rio, explica que a recuperação da Baía de Guanabara começa muito antes da orla:

    — Ela se inicia nos rios que cortam os bairros da Zona Norte. Nossa estratégia na Bacia do Mangue é atacar a raiz do problema. Identificar onde o sistema está obstruído ou onde há conexões irregulares e agir. Cada litro de esgoto que interceptamos aqui no Trapicheiros é um litro a menos poluindo o Canal do Mangue e, consequentemente, a baía. É um trabalho contínuo de monitoramento e proteção dos nossos corpos hídricos.

    A Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) informou que há um projeto apresentado pela concessionária prevendo a captação e o tratamento da rede de esgoto do Rio Trapicheiros. Segundo o órgão regulador, o projeto recebeu parecer técnico solicitando adequações, e a Águas do Rio ainda está dentro do prazo para realizá-las. A agência acrescenta que intervenções semelhantes, como os coletores de tempo seco em outros rios urbanos, têm projetos em fase de finalização e fazem parte das obrigações previstas no contrato de concessão, analisadas periodicamente pela fiscalização.

    Com aproximadamente 6,1 quilômetros de extensão, o Rio Trapicheiros nasce no Maciço da Tijuca, atravessa bairros como Tijuca, Maracanã e São Cristóvão e deságua no Rio Maracanã, que conduz as águas até o Canal do Mangue e, depois, à baía. Ao longo de décadas, o rio passou a receber lançamentos irregulares de esgoto, associados à ocupação urbana intensa, a ligações clandestinas e a falhas históricas na infraestrutura de saneamento.

    A ação da Águas do Rio integra um conjunto de fiscalizações concentradas na Bacia do Canal do Mangue, área estratégica por reunir diversos rios urbanos da Zona Norte que deságuam diretamente na Baía de Guanabara. De acordo com a concessionária, o trabalho envolve inspeções manuais e por vídeo, uso de corantes e reagentes para rastrear a origem da poluição e intervenções de desobstrução e reparo das redes.

    No conjunto da bacia, entre abril de 2024 e dezembro de 2025, as ações evitaram o despejo de 70,9 litros de esgoto por segundo, com 162 reparos, a eliminação de 29 ligações clandestinas e a emissão de 432 notificações, segundo dados da empresa.

    O esgoto interceptado na Zona Norte é direcionado, em grande parte, para a Estação de Tratamento de Esgoto Alegria, no Caju, considerada a maior do estado. A unidade recebe cerca de 1.893 litros de esgoto por segundo, o equivalente a 65 piscinas olímpicas por dia, provenientes de bairros da Zona Norte e da região central. Outras três estações — Pavuna, Penha e Ilha do Governador — atendem exclusivamente à Zona Norte e, juntas, recebem cerca de 857 litros por segundo, cerca de 30 piscinas olímpicas por dia.

    Segundo a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas), a redução do despejo de esgoto na baía está diretamente relacionada, também, a obras estruturantes executadas pelo estado no âmbito do Programa de Saneamento Ambiental (Psam), que funciona sob sua coordenação. As intervenções foram planejadas antes do contrato de concessão e não estavam incluídas nas obrigações da Águas do Rio, mas são complementares ao sistema operado pela concessionária.

    Entre as principais ações está o Coletor Tronco Faria Timbó, que fará a interligação de todo o esgoto já coletado à Estação de Tratamento de Alegria, eliminando lançamentos diretos que chegavam à baía sem tratamento. A obra está em fase final, com previsão de conclusão para o mês que vem, e deverá evitar o despejo de 1.049 litros de esgoto por segundo na água.

    Entre as frentes já concluídas pelo Psam estão a canalização do esgoto da comunidade Roquette Pinto, que impede o lançamento de 65 litros de esgoto por segundo; a implantação do Coletor Tronco Cidade Nova, responsável por evitar o despejo irregular de 700 litros por segundo no Canal do Mangue; e o Coletor Tronco Manguinhos, que impede o despejo de cerca de 1.293 litros de esgoto por segundo. Todo esse volume teria como destino final a Baía de Guanabara.

    Questionados, a Águas do Rio, a Agenersa e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) não responderam, até o fechamento desta edição, qual o volume de esgoto ainda despejado na Baía de Guanabara.

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