Europa é altamente vulnerável ao conflito com o Irã, pois uma parcela significativa do gás natural liquefeito europeu vem do Catar, através do Estreito de Ormuz
Por Bloomberg
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GERADO EM: 02/03/2026 - 11:00
Suspensão na Produção de GNL no Catar Aumenta Incertezas Energéticas Globais
A QatarEnergy suspendeu a produção de gás natural liquefeito após ataques militares ao complexo de Ras Laffan, com impacto significativo no mercado global de energia. O Catar, um dos principais exportadores de GNL, enfrenta riscos crescentes devido ao conflito no Oriente Médio, ameaçando o abastecimento europeu, que já sofre com a vulnerabilidade energética após a invasão da Ucrânia.
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A QatarEnergy, empresa petrolífera estatal do Catar, anunciou a suspensão total da produção de gás natural liquefeito (GNL) e de produtos associados, segundo comunicado oficial que atribui a decisão a ataques militares ao seu complexo em Ras Laffan.
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O Catar é um dos maiores produtores globais de gás natural, e a paralisação pode ter impacto relevante no mercado internacional de energia. O petróleo e o gás ainda representam mais de 50% do PIB do país, cerca de 85% das receitas de exportação e 70% das receitas do governo.
A QatarEnergy havia informado anteriormente que um drone havia atingido um reservatório de água em uma usina elétrica no complexo e outro em uma instalação de energia em Ras Laffan, de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa.
“Um drone teve como alvo um reservatório de água pertencente a uma usina elétrica em Mesaieed, e o outro teve como alvo uma instalação de energia na Cidade Industrial de Ras Laffan, pertencente à Qatar Energy, sem relatos de vítimas humanas”, afirmou a nota, de acordo com Al Jazeera.
Fundada em 1974, a empresa atua na exploração de petróleo e gás, incluindo exploração, produção, refinamento, transporte e armazenamento. Uma das unidades de produção no complexo de Ras Laffan, no Catar, estava passando por manutenção programada até a semana passada, segundo traders, o que contribuirá para a redução dos fluxos.
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O Catar exportou 82,2 milhões de toneladas de GNL em 2025. Mais de quatro quintos do GNL do Catar foram entregues a compradores asiáticos no ano passado, sendo a China o maior comprador, responsável por quase um terço de suas importações provenientes do país. A Índia é o segundo maior importador.
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A ampliação do conflito no Oriente Médio põe em risco o mercado global de gás como não se via desde 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia desorganizou o comércio global há quatro anos.
Vizinhos do Irã, como o Catar, estão entre os produtores mais importantes do mundo, e a região também é uma rota vital de abastecimento, com 20% das exportações de gás natural liquefeito (GNL) passando pelo Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para a energia global.
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Se o conflito se prolongar e asinterrupções no transporte marítimo continuarem, os riscos para a produção de GNL aumentarão rapidamente, já que o setor depende de exportações constantes para escoar o combustível pelas instalações — caso contrário, poderá ser forçado a cortar a produção.
A invasão da Ucrânia forçou uma mudança drástica na matriz energética europeia, reduzindo a dependência da energia russa, e agora uma parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL) europeu vem do Catar, através do Estreito de Ormuz, onde o tráfego comercial praticamente parou.