Conflito no Oriente Médio não deve interferir na decisão do Banco Central de queda de juros, diz Rogério Ceron
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Conflito no Oriente Médio não deve interferir na decisão do Banco Central de queda de juros, diz Rogério Ceron

Mas secretário do Tesouro avalia que se guerra persistir e preço do petróleo subir a US$ 100, parada na redução da Selic pode acontecer antes

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    GERADO EM: 02/03/2026 - 10:29

    Conflito no Oriente Médio não afeta Selic, diz Tesouro Nacional

    O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou que o conflito no Oriente Médio, envolvendo EUA, Israel e Irã, não deve impactar imediatamente a inflação no Brasil, mantendo o cenário de redução da Selic pelo Banco Central. No entanto, se o preço do petróleo subir para US$ 100, a queda dos juros pode ser interrompida. Ceron destacou que o aumento do petróleo traz efeitos fiscais positivos para o Brasil, devido a receitas de royalties e dividendos.

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    O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, avalia que se o barril de petróleo permanecer entre US$ 75 e US$ 85 por conta do novo conflito no Oriente Médio, em que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, não haverá pressão inflacionária para o Brasil no primeiro momento. Para ele, também não há efeito relevante no cenário traçado e sinalizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Em sua ata, o Copom sinalizou que começa a reduzir os juros em março e, segundo o boletim Focus, a taxa Selic deve cair para 14,5%.

    • Guerra no Oriente Médio: Petróleo dispara e dólar sobe com conflito entre EUA e Israel e Irã

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  • — Sem fazer qualquer inferência, mas me parece que está um cenário traçado, e a princípio não tem um efeito relevante nesse primeiro momento. Se (o petróleo) ficar mais ou menos nesse patamar, dada a apreciação cambial que aconteceu, não tem uma pressão inflacionária muito relevante. Então não acredito em alteração do cenário traçado pelo Banco Central — afirmou Ceron, que participou da terceira edição do Rumos 2026, evento promovido pelo Valor Econômico, com debates com autoridades e executivos sobre ambiente de negócios, desafios macroeconômicos, segurança pública e eleições. O evento acontece no hotel Rosewood em São Paulo.

    Segundo ele, o que pode acontecer mais para a frente, é o momento de parada da queda de juros ocorrer antes do previsto, caso esse cenário de incerteza, com alta mais forte do petróleo e repasse a preços, comece a ficar mais intenso.

    — Talvez você não se beneficie do cenário de desinflação que estava acontecendo em função da apreciação cambial muito forte. Mas não acredito numa pressão (inflacionária) muito relevante. Claro, não pensando em um cenário de barril de petróleo acima de US$ 100 dólares, que começa a ter uma pressão maior do ponto de vista inflacionário e gera outras repercussões — avaliou.

    Ceron disse que essa alta da commoditie tem até mesmo efeitos positivos do ponto de vista fiscal, já que o Brasil tem uma posição exportadora importante. Com o óleo mais caro, o país ganha em termos de receitas com royalties, que ficam acima do projetado, além de mais dividendos da Petrobras. E, no Orçamento, há uma previsão de receita com petróleo acima de R$ 30 bilhões e, com preço mais alto, há sinalizaão de perspectiva mais favorável para a materialização desses valores.

    — Então, tem esses efeitos. Somados, eles não são pequenos — disse Ceron, lembrando que um cenário de guerra é sempre ruim no crescimento global.

    O secertário recordou o cenário de 2021 e 2022, quando também houve um boom no petróleo, com efeitos diretos sobre a questão fiscal, que foram "relevantíssimos", tanto do ponto de vista de royalties quanto de dividendos.

    Brasil tem recebido fluxo de recursos

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    O secretário afirmou que é muito cedo para avaliar um cenário que ainda é bem incerto, mas ele diz que o Brasil está bem posicionado, e não por outra razão, está sendo um dos receptores desse fluxo de recursos que está se realocando no mundo todo.

    — O Brasil está sendo muito beneficiado por esse fluxo que busca diverficação, e num cenário como esse, também acaba sendo beneficiado porque nós somos um país pacífico, sem atritos. Por mais que tenha acontecido o episódio na Venezuela, foi algo muito pontual, e o Brasil tem histórico de muita estabilidade. O Brasil não deixa de ser uma espécie de porto seguro para o mundo para diversificar sua locação no portfólio — avaliou.

    Federalização do BRB

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    Ceron, que também é presidente do Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal, afirmou que "não tem nenhum movimento ou intenção" do banco para federalização do Banco de Brasília (BRB), cuja crise se aprofundou após operações com o Master.

    — Isso não existe. Inclusive, pedi para o presidente da Caixa que sinalizasse se existe algum tipo de estudo, e a Caixa disse que não existe. O que a Caixa está fazendo é acompanhando — garantiu.

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