Parecia que o Líbano vivia um raro momento de estabilidade, ainda que Israel nunca tenha interrompido seus bombardeios ao país desde o cessar-fogo
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você
GERADO EM: 02/03/2026 - 11:05
Conflito Israel-Irã: Hezbollah arrasta Líbano para crise iminente
Hezbollah arrasta Líbano para conflito Israel-Irã, ameaçando estabilidade. Apesar de bombardeios israelenses contínuos desde 2024, novo governo libanês tenta desarmar Hezbollah e evitar guerra civil. Mísseis lançados em resposta à morte de Khamenei reacendem tensões, com Israel retaliando. O Líbano, entre a magia e a tragédia, enfrenta novo desafio em sua história tumultuada.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
- Sem ruptura real no poder: EUA, Irã e Israel após Khamenei
- Heróis ou vilões? A guerra de Trump e Netanyahu contra o Irã
Parecia que o Líbano vivia nos últimos meses um raro momento de estabilidade, ainda que Israel nunca tenha interrompido seus bombardeios ao país desde o cessar-fogo em novembro de 2024 e siga ocupando cinco pontos do sul do território libanês. Os alvos israelenses são o Hezbollah, uma milícia aliada ao Irã com braços militar e político que atuou por décadas como uma espécie de Estado paralelo em Beirute. Sempre levou mais em consideração os interesses iranianos do que os libaneses. Desde a derrota pouco mais de um ano atrás, quando seu histórico líder Hassan Nasrallah foi morto em ataque de Israel, a organização estava enfraquecida e evitando uma escalada no confronto.
Em Beirute, um novo governo opositor ao Hezbollah está no poder. O primeiro-ministro é Nawaf Salam, um muçulmano sunita, como prevê o consenso libanês, que presidiu o Tribunal Internacional de Justiça de Haia. Desfruta de enorme respeito internacional e doméstico. O presidente é Joseph Aoun, um cristão maronita como prevê o consenso libanês, que comandou as Forças Armadas. Também desfruta de enorme respeito internacional e doméstico.
Mais Sobre Líbano
Ambos os líderes vinham implementando o desarmamento do Hezbollah no Sul Líbano, cumprindo a parte do governo libanês no Acordo de cessar-fogo. Mantêm diálogo próximo com os EUA. Buscam explicar que a ação para desarmar o grupo aliado ao Irã precisa ser negociada com a organização para evitar uma nova guerra civil no Líbano, como a que traumatizou o país entre 1975 e 1990. Afinal, apesar de a maioria dos libaneses, especialmente cristãos, sunitas e drusos, se oporem ao Hezbollah, o grupo conta com forte apoio entre os xiitas que representam pouco mais de um terço da população libanesa – é uma estimativa, já que o Líbano não realiza censo há quase 90 anos.
Para Israel, o desarmamento estava lento e o governo de Benjamin Netanyahu manteve sempre a ameaça de uma escalada. Apesar de quase nenhum libanês ter simpatia por Israel nos dias de hoje tanto pela questão Palestina como pelos constantes bombardeios ao Líbano, a maior parte dos libaneses não quer guerra contra o muito mais poderoso país vizinho. Por este motivo, autoridades libanesas pressionavam o Hezbollah a não iniciar mais um conflito contra Israel. O resultado, todos sabem, seria mais uma destruição do Líbano.
- Leia também: Um replay da guerra de 2025 no Irã?
O grupo, porém, lançou mísseis contra Israel nesta segunda em resposta à morte ao aiatolá Ali Khamanei, líder Supremo do Irã. Minutos depois, Dahieh, como é conhecido o subúrbio ao Sul de Beirute, passou a ser bombardeada por Israel, que pode ampliar ainda mais a ofensiva. Mais uma vez, os outros libaneses são sugados para um conflito entre o regime de Teerã, com seus aliados do Hezbollah, e Israel. Infelizmente, o mágico Líbano que eu queria mostrar aos meus filhos vive mais um momento trágico em sua história. Cabe torcer para o conflito não se alongar e os libaneses possam voltar a viver a magia de seu pequeno território, terra dos ancestrais de milhões de brasileiros da diáspora libanesa.