Empresário de Paulínia comprou combustível desviado de duto | G1
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Empresário de Paulínia comprou combustível desviado de duto | G1

Operação prende suspeitos de furtar combustíveis de dutos da Transpetro no interior de SP

O empresário Marcelo Teixeira de Gouveia, dono de uma distribuidora de combustíveis, foi preso nesta segunda-feira (2), em Campinas (SP), sob a suspeita de fazer parte de um grupo criminoso e comprar combustíveis furtados de um duto da Transpetro que liga Paulínia a Brasília (DF).

De acordo com o delegado André Baldochi, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto, o empresário que tem a empresa instalada em Paulínia foi preso após os investigadores comprovarem que ele foi responsável por adquirir o combustível furtado.

"Identificamos duas empresas responsáveis por adquirir esse combustível: uma empresa de Paulina e uma empresa de Ardenópolis. Um dos empresários, dono dessa empresa de Paulina, foi preso hoje na cidade de Campinas, porque nós demonstramos que foi ele quem adquiriu esse combustível. A compra se deu, de fato, por essa empresa de Paulina, por esse empresário de Campinas", explica Baldochi.

Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, e causou um prejuízo de mais de R$ 5 milhões. As investigações começaram em agosto de 2025, após o furto em um duto na Rodovia Anhanguera (SP-330) entre Ribeirão Preto (SP) e Cravinhos (SP).

Até a última atualização desta reportagem, sete dos nove mandados de prisão temporária haviam sido cumpridos, e dois suspeitos seguiam foragidos. As equipes também cumpriram 13 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de medidas de quebra de sigilo bancário, telefônico e telemático.

Laerte Rodrigues dos Santos, suspeito de liderar a quadrilha, também foi preso pela Operação Sangria em Artur Nogueira (SP).

Todos devem responder por furto qualificado, receptação e organização criminosa. O g1 e a EPTV, afiliada da TV Globo, tentam localizar as defesas dos presos.

Como funcionava o esquema de desvio?

Como funcionava o esquema de desvio?

Como agiam suspeitos de furtar combustíveis e causar prejuízo de R$ 5 milhões à Transpetro

Os alvos são suspeitos de atuar na soldagem do duto no momento dos crimes. Também há motoristas de caminhões que transportavam os combustíveis furtados e empresas distribuidoras que adquiriam os produtos.

🔍O duto, alvo de furtos investigados pelas autoridades, tem origem na cidade de Paulínia e segue até Brasília. Ao longo do trajeto, atravessa diferentes regiões do país: passa pelo estado de São Paulo, pelo Triângulo Mineiro, pelo estado de Goiás e, por fim, chega ao Distrito Federal. Durante o percurso, existem diversos pontos de parada para o descarregamento do combustível.

"Há uma divisão de tarefas muito clara. Por ser um crime mais específico, você tem a pessoa especialista em soldar um registro junto aos dutos. Eles acessam o duto, seja cavando, seja quando o duto acaba, em algum momento, sendo exposto na terra, eles soldam o registro ali, depois vêm os motoristas com os caminhões, é acoplada uma mangueira, e com esse combustível é abastecido o caminhão, através da pressão do duto", explica Baldochi.

Quem são os envolvidos?

Quem são os envolvidos?

A Polícia Civil também divulgou nomes e a função de alguns dos suspeitos. Veja abaixo:

  • Laerte Rodrigues dos Santos (preso em Artur Nogueira) - um dos líderes da quadrilha.
  • Marcelo Teixeira de Gouveia (preso em Campinas) - dono de uma distribuidora em Paulínia.
  • Wagner de Souza Leite (preso em Ribeirão Preto) - motorista e dono de uma transportadora.
  • Wagner Silva Leite (foragido) - filho de Wagner de Souza e atuou como motorista.
  • Calil Fernando Carneiro (preso em Ribeirão Preto) - já atuou como motorista, mas agora atuava na preparação do duto. Já tinha sido preso em 2020 pelo mesmo tipo de crime

  • Laerte Rodrigues dos Santos (preso em Artur Nogueira) - um dos líderes da quadrilha.
  • Marcelo Teixeira de Gouveia (preso em Campinas) - dono de uma distribuidora em Paulínia.
  • Wagner de Souza Leite (preso em Ribeirão Preto) - motorista e dono de uma transportadora.
  • Wagner Silva Leite (foragido) - filho de Wagner de Souza e atuou como motorista.
  • Calil Fernando Carneiro (preso em Ribeirão Preto) - já atuou como motorista, mas agora atuava na preparação do duto. Já tinha sido preso em 2020 pelo mesmo tipo de crime
  • Operação Sangria

    Operação Sangria

    As ações da polícia foram realizadas em pelo menos sete cidades: Campinas (SP), Paulínia (SP), Leme (SP), Artur Nogueira (SP), Conchal (SP), Ribeirão Preto (SP) e Jardinópolis (SP).

    Entre os mandados de busca cumpridos, dois foram em empresas distribuidoras de combustíveis suspeitas de integrar a cadeia de escoamento do produto furtado. Um empresário do setor foi preso em Campinas.

    Além disso, foram apreendidos aparelhos celulares e equipamentos informáticos, que serão periciados.

    A operação visa atuar não só contra a subtração de combustível, mas também os consequentes danos à infraestrutura dutoviária, impactos operacionais e riscos ambientais.

    "São tipos de crime que causam enorme prejuízo à empresa, não só do combustível subtraído, mas o reparo desses dutos, esses dutos ficam parados, ou seja, há um enorme risco de desabastecimento, além dos crimes ambientais", destaca o delegado.

    O que diz a Transpetro?

    O que diz a Transpetro?

    Em nota, a Transpetro destacou ser vítima do crime de furto de petróleo e derivados em dutos e que tem como maior preocupação a "preservação da vida e a segurança das pessoas e do meio ambiente".

    Para reduzir a ocorrência desses crimes, a empresa diz que usa tecnologia que permite a rápida localização de derivações clandestinas; o trabalho de relacionamento comunitário focado na conscientização das pessoas que vivem no entorno dos ativos, para eventuais denúncias; e convênios com órgãos de segurança pública nos estados.

    A companhia ainda pontuou que, entre 2024 e 2025, registrou aumento no número de ataques criminosos a dutos operados por ela nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

    "A Transpetro colabora com as autoridades competentes, mantendo articulação constante com órgãos de segurança pública, como as polícias civis e militares, os Ministérios Públicos e o Disque Denúncia", declarou a empresa na nota.

    Operação da Polícia Civil mira grupo suspeito de furtar combustíveis de dutos da Transpetro — Foto: Polícia Civil

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