Saiba até que ponto é ético eliminar animais considerados invasores
otros

Saiba até que ponto é ético eliminar animais considerados invasores

Segundo os especialistas, antes de eliminar qualquer animal invasor, é necessário comprovar que ele de fato prejudica o ambiente em que está

atualizado

Compartilhar notícia

O funcionamento da natureza depende de vários componentes, especialmente dos seres vivos que fazem parte dela. No entanto, aliado ao desmatamento e às mudanças climáticas, um dos grandes problemas que podem atrapalhar a dinâmica natural é a chegada de espécies invasoras – ou seja, que estão fora da área de distribuição comum.

  • Ciência
    Quase extintos: conheça os 10 animais mais raros do mundo
  • Ciência
    Recuperação de animais extintos não pode comprometer leis de proteção
  • É o bicho!
    Maus-tratos a animais: como identificar e onde denunciar
  • Ciência
    Biólogos listam quais animais sofrem mais com as mudanças climáticas
  • Para chegar até o lugar errado, elas são introduzidas de forma intencional ou acidental. Sem controle, os animais podem causar a extinção de espécies nativas, seja por competição ou predação; alterar as cadeias alimentares; disseminar doenças; causar prejuízos econômicos à agricultura; e impactar a nossa saúde.

    Um bom exemplo ocorreu recentemente, quando duas espécies de louva-a-deus asiáticas foram declaradas formalmente como invasoras na Europa. Além de matar os exemplares nativos, os insetos ainda consomem outros bichos locais, impactando diretamente o ecossistema. A análise responsável pela classificação foi publicada no Journal of Orthoptera Research.

    Em alguns casos, a solução para diminuir os impactos é eliminá-los. A ação de matar deliberadamente um animal soa como polêmica para alguns. No entanto, do ponto biológico, a medida deve ser considerada, a depender da situação.

    No Brasil, Mayara aponta a presença do javali-europeu (Sus scrofa) como exemplo de invasão animal. Além de predar animais silvestres e destruir lavouras, o bicho transmite doenças para a fauna e rebanhos. Segundo ela, no caso em específico do mamífero, os órgãos ambientais permitem o abate para controle populacional.

    Outro exemplar bastante disseminado e que não é brasileiro é caramujo africano (Achatina fulica), que pode causar doenças a humanos através de vermes presentes em seu corpo.

    A eliminação é sempre o melhor caminho?

    Nem sempre o abate de animais é a melhor medida. Ele só deve ser adotado quando os “custos” da eliminação são menores do que as consequências que a espécie invasora poderá provocar no ambiente.

    Por outro lado, também existem correntes éticas dentro da biologia que são contra a eliminação dos animais, independente se eles poderão causar impactos na saúde pública ou no ambiente.

    “Sem dúvida, a prevenção é o melhor caminho. Quando chegamos ao ponto de extermínio, o custo já é muito alto para todos”, diz Marta.

    Como os humanos impactam na chegada dos invasores

    Para chegar até a moradia errada, os animais invasores são vítimas da ação humana. O transporte pode acontecer de forma intencional ou acidental. Através da globalização, com a chegada de navios e aviões internacionais diariamente, diversas espécies acabam se instalando em ecossistemas errôneos.

    “Do ponto de vista biológico, o fato de o animal não ‘ter escolhido’ estar ali não diminui seu impacto ecológico. A responsabilidade humana pela introdução implica também responsabilidade pelo manejo. Mas defendo que o controle deve sempre priorizar métodos que reduzam o sofrimento e sejam tecnicamente justificados”, afirma Mayara.

    É importante ressaltar que nem toda espécie vinda de outro lugar trará prejuízos à região. O abate só deve ser aplicado caso elas comprovadamente atrapalhem o ambiente invadido.

    Há formas de controlar?

    Sim. Segundo as biólogas, medidas concretas podem diminuir a chegada de animais invasores e, consequentemente, a eliminação deles. Entre as principais ações estão a adoção de políticas públicas de regulamentação para trazer espécies de fora e barreiras biológicas em portos e aeroportos. Além disso, a disseminação da educação ambiental ajuda a população a lidar melhor com a situação.

    Em alguns casos, é possível reaproveitar a presença dos bichos, transformando-os em ração ou em fontes de alimento para nós mesmos, como no caso das tilápias.

    No entanto, a medida deve ser cercada de cautela para não sair de controle. “Por exemplo, ao criar um destino econômico para a espécie, pode-se gerar dependência. Em vez de eliminar o problema, passa-se a incentivar a produção do animal”, alerta Marta.

    O caminho ideal é que as ações de prevenção consigam controlar a chegada de animais invasores e eles não precisem ser eliminados deliberadamente.

    Para ficar por dentro de tudo sobre ciência e nutrição, veja todas as reportagens de Saúde.