Itamaraty afirma que fronteira com a Venezuela segue em normalidade
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Itamaraty afirma que fronteira com a Venezuela segue em normalidade

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou neste sábado (3) que não há registro de movimentação anormal na fronteira do Brasil com a Venezuela. Em pronunciamento após reunião no Itamaraty, ele disse que a região segue sob monitoramento e que o governo mantém contato permanente com autoridades locais para garantir a segurança e a ordem na passagem entre os dois países.

A declaração foi dada após um encontro por videoconferência que reuniu o presidente da República, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e representantes da Secretaria de Comunicação Social e do Ministério da Justiça.

Durante a reunião, o presidente reiterou preocupações com a situação interna venezuelana, mas relatórios técnicos indicam que, até o momento, a fronteira permanece “absolutamente tranquila”.

Monitoramento e segurança em Roraima

O governo brasileiro afirmou que a estrutura militar na região é considerada robusta e suficiente para lidar com eventuais instabilidades. Segundo o ministro da Defesa, o efetivo das Forças Armadas na Amazônia soma cerca de 10 mil militares das três Forças. Em Roraima, o contingente é de aproximadamente 2 mil homens, com cerca de 200 militares posicionados diretamente na linha de fronteira.

“Nós já temos um contingente suficiente para dar tranquilidade. A fronteira está como sempre esteve: tranquila e sem problemas. No momento, está aberta”, declarou o ministro. Ele acrescentou que o reforço de equipamentos e de pessoal foi feito de forma preventiva e que a atenção foi intensificada em razão da presença de forças externas, como as dos Estados Unidos, na região vizinha.

Situação de brasileiros e combate à desinformação

O Ministério das Relações Exteriores informou que mantém contato permanente com a embaixada do Brasil na Venezuela. Segundo o chanceler Mauro Vieira, não há registro de brasileiros entre possíveis vítimas de ataques ou de conflitos internos. A orientação atual é de que brasileiros residentes e turistas no país vizinho conseguem circular e deixar o território venezuelano normalmente.

Um dos principais focos do governo é o combate à desinformação. Rumores sobre o fechamento de fronteiras pela Colômbia ou pela própria Venezuela foram citados como exemplos de informações que exigem verificação rigorosa. “As informações são variadas e nós precisamos colher dados corretos para evitar a desinformação. Neste momento, isso é o mais importante”, avaliou um porta-voz do Itamaraty.

Aguardando novos desdobramentos

O governo brasileiro adotou uma postura de cautela e aguarda novos pronunciamentos internacionais, inclusive do presidente dos Estados Unidos, para consolidar sua posição diplomática. Questionado sobre o paradeiro ou o estado de saúde de Nicolás Maduro, o ministro da Defesa disse que o governo brasileiro ainda não dispõe dessas informações.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.