Venezuela é a cobaia da América Latina de Trump
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Venezuela é a cobaia da América Latina de Trump

Uma explicação para a intervenção americana na Venezuela foi dada pelo jornal New York Times, neste sábado (3), e ela não é nada promissora para a América Latina: “Após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e aplicarão a doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental”. É o que prevê a Estratégia de Segurança Nacional recentemente divulgada pela Casa Branca.

O presidente Trump, em nome dessa nova estratégia, prometeu realocar forças de todo o mundo para a América Latina, deter os traficantes em alto mar, usar força letal contra imigrantes e traficantes de drogas.

A Venezuela tornou-se a cobaia. “Este imperialismo moderno representa uma abordagem perigosa e ilegal ao lugar da América no mundo. Ao proceder sem qualquer aparência de legitimidade internacional, autoridade legal válida ou endosso interno, o Sr. Trump corre o risco de fornecer justificativa para autoritários na China, na Rússia e noutros lugares que querem dominar os seus próprios vizinhos.”

O editorial discute o que é legalidade para Trump: os pequenos barcos suspeitos de traficar droga “violam o direito internacional”. E os assassinatos de seus tripulantes sem a oportunidade de se defenderem? E o ataque desta madrugada à Venezuela? E o perdão concedido ao ex-presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández, que dirigiu uma vasta operação de tráfico entre 2014 a 2022. Sobre Nicolás Maduro, o jornal acrescenta:

“Poucas pessoas sentirão qualquer simpatia pelo Sr. Maduro. Ele é antidemocrático e repressivo, e desestabilizou o Hemisfério Ocidental nos últimos anos.

As Nações Unidas divulgaram recentemente um relatório detalhando mais de uma década de assassinatos, tortura, violência sexual e detenções arbitrárias perpetradas por seus capangas contra opositores políticos. Ele fraudou a eleição presidencial da Venezuela em 2024. Ele alimentou a instabilidade econômica e política em toda a região, instigando um êxodo de quase oito milhões de migrantes.”

Mas não é Maduro quem trafica fentanil para os EUA – é o México. E não é ele, também, quem manda cocaína para os americanos – é, principalmente, a Colômbia. A pequena produção de cocaína venezuelana vai para a Europa.

Qual a lição que fica, segundo o New York Times:

Se há uma lição fundamental a ser aprendida com a política externa americana no último século, é que tentar derrubar até mesmo o regime mais deplorável pode piorar ainda mais a situação.

Os Estados Unidos passaram 20 anos sem conseguir estabelecer um governo estável no Afeganistão e substituíram uma ditadura na Líbia por um Estado fragmentado. As trágicas consequências da guerra de 2003 no Iraque continuam a afetar os Estados Unidos e o Oriente Médio.

Talvez o mais relevante seja o fato de que os Estados Unidos, esporadicamente, desestabilizaram países da América Latina, incluindo Chile, Cuba, Guatemala e Nicarágua, ao tentar derrubar governos pela força.”