O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, afirmou neste sábado (3) que o líder venezuelano Nicolás Maduro descobriu que o presidente Donald Trump “cumpre o que diz”. A declaração foi feita em uma publicação na rede social X, na qual Vance parabenizou a operação militar que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Segundo Vance, Trump ofereceu alternativas para solucionar o impasse com a Venezuela antes da intervenção militar. O vice-presidente afirmou, no entanto, que o governo norte-americano deixou claras condições consideradas inegociáveis, como a interrupção do tráfico de drogas e a devolução aos Estados Unidos do que classificou como “petróleo roubado".
Operação militar e os alvos
A captura do casal ocorreu durante uma ofensiva das Forças Armadas dos Estados Unidos realizada neste sábado. De acordo com informações divulgadas pela Casa Branca, Nicolás Maduro e Cilia Flores foram detidos no contexto da operação, que recebeu elogios de integrantes do governo norte-americano.
Observadores internacionais destacaram a precisão dos ataques. Apesar da intensidade da ofensiva, as ações militares não atingiram áreas consideradas estratégicas para o setor petrolífero da Venezuela.
Reação do governo venezuelano
Antes da confirmação da captura, autoridades venezuelanas haviam se manifestado sobre a presença de forças estrangeiras no país. O governo local fez um apelo para que a população e as forças de segurança se mobilizassem em defesa dos recursos naturais venezuelanos.
Para Vance, o desfecho da operação serve como um recado sobre a postura da atual gestão dos Estados Unidos em conflitos internacionais. Segundo ele, Maduro foi o exemplo mais recente da efetividade das advertências feitas por Trump.
Contexto e exigências americanas
O vice-presidente afirmou ainda que a recuperação de recursos ligados ao setor petrolífero sempre esteve entre as prioridades da política externa dos EUA para a Venezuela. Com a prisão de Maduro, segundo Vance, o governo norte-americano sinaliza o cumprimento das metas estabelecidas pelo presidente Donald Trump.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.
Com informações do Estadão Conteúdo