As Forças Armadas da Venezuela fizeram um apelo à população para que retome as atividades rotineiras após a deposição e captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos. Em pronunciamento na televisão, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, defendeu o retorno à normalidade econômica, trabalhista e educativa nos próximos dias.
Segundo o ministro, o país deve seguir o "trilho constitucional". Padrino López também instou os cidadãos a manterem a paz e a ordem, alertando para que não cedam ao que classificou como "guerra psicológica" e "ameaça do medo".
Capital amanhece em silêncio e estabelecimentos fechados
Apesar do chamado das autoridades, a capital Caracas apresentou um cenário de tranquilidade atípica neste domingo (4). O fluxo de veículos foi reduzido e a maioria dos estabelecimentos comerciais, incluindo postos de gasolina e lojas de conveniência, permaneceu de portas fechadas.
Espaços públicos habitualmente frequentados por ciclistas e corredores estavam vazios. A segurança no palácio presidencial foi reforçada, com a guarda sendo realizada por uma combinação de membros das Forças Armadas e civis armados.
O cenário de pós-operação é visível no estado de La Guaira, onde famílias ainda trabalham na limpeza de escombros. Explosões ocorridas durante a ação militar que capturou Maduro e sua esposa causaram danos estruturais severos, deixando prédios com paredes abertas na região.
A mudança brusca no comando do país gerou um clima de dúvida generalizada entre os venezuelanos. As declarações do presidente americano Donald Trump, de que os Estados Unidos auxiliariam Delcy Rodríguez na condução da Venezuela, deixaram a população sem clareza sobre o futuro imediato da administração nacional.
População teme repressão e evita comemorações
Em bairros populares, como no leste de Caracas, o sentimento é de cautela. O operário Daniel Medalla relatou a suspensão de missas matinais e teorizou que o esvaziamento das ruas não se deve a greves, mas ao receio de represálias oficiais.
De acordo com o relato do trabalhador de 66 anos, há um temor de que celebrações pela saída de Maduro possam resultar em repressão, semelhante ao que ocorreu durante o período eleitoral do ano passado. "Estávamos ansiosos por isso", afirmou Medalla, resumindo a expectativa de parte dos moradores diante do novo cenário político.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.