Veja a cronologia das tensões entre EUA e Venezuela
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Veja a cronologia das tensões entre EUA e Venezuela

Operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela envolveu dezenas de ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas, culminando em um ataque em grande escala em Caracas, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ambos levados para fora do país e alvo de acusações nos EUA.

Governo de Donald Trump justificou as ações como parte de um conflito armado contra cartéis de drogas considerados organizações terroristas estrangeiras, enviando uma grande força naval à região, impondo sanções ao setor petrolífero venezuelano e autorizando operações secretas da CIA em solo venezuelano, enquanto autoridades americanas alegaram envolvimento de Maduro no tráfico internacional.

Senadores, organizações de direitos humanos e autoridades internacionais questionaram a legalidade dos ataques e exigiram transparência, enquanto o governo venezuelano classificou as ações como imperialistas e mobilizou tropas; ao longo dos meses, o número de mortos aumentou e ocorreram tensões diplomáticas e debates sobre os poderes presidenciais de guerra nos EUA.

Este resumo foi gerado por inteligência artificial e cuidadosamente revisado por jornalistas antes de ser publicado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vinha ameaçando havia meses ordenar ataques militares contra alvos em território venezuelano, após uma série de ações contra embarcações acusadas de transportar drogas a partor do país sul-americano.

O ditador venezuelano Nicolás Maduro disse que as operações militares dos EUA representavam uma tentativa mal disfarçada de destituí-lo do poder.

Neste sábado (03) os EUA realizaram um "ataque em grande escala" contra a Venezuela e afirmaram que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, haviam sido capturados e levados para fora do país.

Trump divulgou a operação nas redes sociais horas após o início da ofensiva. O governo venezuelano classificou a ação como um “ataque imperialista” e convocou a população a ir às ruas.

A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que Maduro e Flores responderão a acusações criminais após denúncia apresentada em Nova York.

Antes da escalada, os EUA haviam realizado ao menos 35 ataques contra supostos barcos de contrabando de drogas em águas sul-americanas desde o início de setembro, segundo anúncios do governo republicano.

As ações teriam deixado pelo menos 115 mortos. Washington também enviou uma frota de navios de guerra para a região, no maior aumento de presença militar em gerações.

A Casa Branca declarou estar em “conflito armado” com cartéis de drogas para conter o fluxo de narcóticos para os Estados Unidos, enquanto autoridades americanas acusam Maduro de apoiar o tráfico internacional.

Veja a seguir uma linha do tempo das ações militares dos EUA e dos acontecimentos relacionados:

20 de janeiro de 2025

Trump assinou uma ordem executiva que abriu caminho para a classificação de organizações criminosas e cartéis de drogas como “organizações terroristas estrangeiras”. Entre elas estava o Tren de Aragua, uma gangue de origem venezuelana. Agências de inteligência dos Estados Unidos contestaram a alegação central do presidente de que o governo de Nicolás Maduro colaborava com o grupo e orquestrava o tráfico de drogas e a imigração ilegal para o país.

20 de fevereiro

O governo Trump designou formalmente oito organizações criminosas latino-americanas como organizações terroristas estrangeiras. A classificação costuma ser reservada a grupos como a Al-Qaeda ou o Estado Islâmico, que utilizam a violência com fins políticos, e não a quadrilhas criminosas com fins lucrativos.

19 de agosto

As Forças Armadas dos Estados Unidos enviaram três contratorpedeiros com mísseis guiados para águas próximas à Venezuela. Em poucas semanas, a força naval no Caribe foi ampliada para incluir três navios de assalto anfíbio e outras embarcações, com cerca de 6.000 marinheiros e fuzileiros navais, além de diversas aeronaves. Em setembro, os EUA também deslocaram caças F-35 para Porto Rico, enquanto um submarino da Marinha equipado com mísseis de cruzeiro operava na costa da América do Sul.

2 de setembro

Os Estados Unidos realizaram o primeiro ataque contra o que Trump afirmou ser um navio transportando drogas, que teria partido da Venezuela e sido operado pela Tren de Aragua. Segundo o presidente, as 11 pessoas a bordo da embarcação morreram. Ele divulgou um vídeo curto no qual o barco aparece explodindo em chamas.

10 de setembro

Em carta enviada à Casa Branca, senadores democratas afirmaram que o governo não apresentou “nenhuma justificativa legal legítima” para o ataque. O senador Jack Reed, de Rhode Island, principal democrata do Comitê de Serviços Armados do Senado, declarou que as Forças Armadas dos EUA não têm “autoridade para caçar suspeitos de crimes e matá-los sem julgamento”.

15 de setembro

As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram um segundo ataque contra o que descreveram como um suposto barco de drogas, matando três pessoas. Questionado sobre quais provas indicavam que a embarcação transportava entorpecentes, Trump afirmou a jornalistas que grandes sacos de cocaína e fentanil ficaram espalhados pelo oceano. Até o momento, imagens do material citado pelo presidente não foram divulgadas nem pelas Forças Armadas nem pela Casa Branca.

19 de setembro

Trump afirmou que as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram um terceiro ataque fatal contra um suposto barco envolvido no contrabando de drogas. Senadores e organizações de direitos humanos voltaram a questionar a legalidade das ações, classificando os ataques como uma possível extrapolação da autoridade do Poder Executivo.

2 de outubro

Trump declarou os cartéis de drogas como combatentes ilegais e afirmou que os Estados Unidos estavam agora em um “conflito armado” com essas organizações, segundo um memorando do governo obtido pela Associated Press. O documento representa uma ampliação extraordinária dos poderes presidenciais em matéria de guerra e provocou críticas de parlamentares, incluindo o senador republicano Rand Paul, do Kentucky.

3 de outubro

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que ordenou um quarto ataque contra uma pequena embarcação que, segundo ele, transportava drogas.

8 de outubro

Os republicanos no Senado rejeitaram um projeto de lei que obrigaria o presidente a solicitar autorização do Congresso antes de realizar novos ataques militares.

14 de outubro

Trump anunciou um quinto ataque contra uma pequena embarcação acusada de transportar drogas e afirmou que seis pessoas foram mortas.

15 de outubro

Trump confirmou que autorizou a CIA a realizar operações secretas dentro da Venezuela e afirmou que avalia a possibilidade de conduzir operações terrestres no país. Ele se recusou a dizer se a agência tem autorização para agir diretamente contra Nicolás Maduro.

16 de outubro

O almirante da Marinha responsável por supervisionar as operações militares na região anunciou que se aposentará em dezembro. Alvin Holsey assumiu o comando do Comando Sul dos EUA apenas em novembro do ano anterior, à frente de uma área que abrange o Caribe e as águas ao largo da América do Sul. Esses cargos, em geral, têm duração de três a quatro anos.

16 de outubro

Trump afirmou que os EUA atacaram um sexto navio suspeito de transportar drogas no Caribe, matando duas pessoas e deixando dois sobreviventes em uma embarcação semissubmersível. Segundo o presidente, os sobreviventes seriam enviados ao Equador e à Colômbia, seus países de origem, “para detenção e julgamento”. A repatriação evitou questionamentos sobre qual seria a situação legal deles no sistema judiciário dos EUA.

17 de outubro

As Forças Armadas dos EUA atacaram um sétimo navio que, segundo Hegseth, transportava “quantidades substanciais de narcóticos” e estava associado ao grupo rebelde colombiano Exército de Libertação Nacional (ELN). Três pessoas morreram.

20 de outubro

O deputado Adam Smith, do estado de Washington, principal democrata do Comitê de Serviços Armados da Câmara, convocou uma audiência sobre os ataques a embarcações. “Em mais de 20 anos no comitê, nunca vi um comandante combatente deixar o cargo tão cedo e em meio a tamanha turbulência”, afirmou Smith, em declaração sobre a saída iminente de Holsey. “Também nunca vi uma falta tão impressionante de transparência por parte do governo e do Departamento de Defesa em informar de forma significativa o Congresso sobre o uso de força militar letal.”

21 de outubro

Hegseth afirmou que as Forças Armadas dos EUA realizaram um oitavo ataque contra um suposto navio que transportava drogas, matando duas pessoas no Pacífico Oriental. A ação representou uma ampliação da área de atuação militar para as águas da América do Sul, por onde passa grande parte da cocaína contrabandeada dos maiores produtores mundiais.

22 de outubro

Hegseth anunciou o nono ataque, também no Pacífico Oriental, e afirmou que três homens foram mortos.

24 de outubro

Hegseth ordenou o envio do porta-aviões mais avançado das Forças Armadas dos EUA, o USS Gerald R. Ford, à região, em uma escalada significativa do poderio militar.

24 de outubro

Hegseth afirmou que os militares realizaram o décimo ataque contra um barco suspeito de tráfico de drogas, deixando seis mortos.

27 de outubro

Hegseth afirmou que outros três ataques foram realizados no Pacífico oriental, resultando na morte de 14 pessoas e deixando um sobrevivente. Segundo ele, as autoridades mexicanas assumiram a coordenação do resgate do único sobrevivente, que chegou a ser dado como morto após o México suspender as buscas.

29 de outubro

Hegseth afirmou que as Forças Armadas dos EUA realizaram o 14º ataque contra um barco que, segundo ele, transportava drogas no Pacífico oriental, matando as quatro pessoas a bordo.

29 de outubro

O senador Mark Warner, da Virgínia, líder democrata no Comitê de Inteligência do Senado, afirmou que o governo informou os republicanos, mas não os democratas, sobre os ataques às embarcações. À época, o Senado analisava uma possível votação de uma resolução sobre poderes de guerra que proibiria ataques na Venezuela ou em áreas próximas sem a aprovação do Congresso.

31 de outubro

O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, pediu a abertura de uma investigação sobre os ataques, no que pareceu ser a primeira condenação desse tipo por parte de um órgão das Nações Unidas. Ravina Shamdasani, porta-voz do gabinete de Türk, transmitiu a mensagem em entrevista à imprensa: “Os EUA devem interromper tais ataques e adotar todas as medidas necessárias para impedir a execução extrajudicial de pessoas a bordo dessas embarcações”.

1º de novembro

Hegseth anunciou o 15º ataque conhecido, informando que três pessoas morreram.

4 de novembro

No 16º ataque conhecido, Hegseth publicou nas redes sociais que duas pessoas morreram a bordo de uma embarcação no Pacífico Oriental.

6 de novembro

Hegseth anunciou o 17º ataque conhecido, que matou três pessoas. O Senado, dominado por republicanos, rejeitou a legislação que limitaria a capacidade de Trump de ordenar ataques em solo venezuelano sem autorização do Congresso. Legisladores de ambos os partidos exigiram mais informações sobre os ataques, mas os republicanos demonstraram maior disposição em dar margem de manobra a Trump para reforçar as forças navais.

9 de novembro

As Forças Armadas dos EUA atacaram duas embarcações no Pacífico Oriental, matando seis pessoas, segundo anúncio de Hegseth no dia seguinte.

10 de novembro

O 20º ataque conhecido a um barco acusado de transportar drogas matou quatro pessoas no Caribe, segundo publicação nas redes sociais do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA.

11 de novembro

O governo da Venezuela anunciou uma mobilização "massiva" de tropas e voluntários para dois dias de exercícios, motivada pelo aumento do contingente militar dos EUA. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, afirmou que as forças armadas do país estão "mais fortes do que nunca em sua unidade, moral e equipamento".

15 de novembro

Três pessoas morreram após o Exército dos EUA realizar seu 21º ataque a um suposto barco de contrabando de drogas no Pacífico Oriental, segundo publicação do Comando Sul um dia depois.

16 de novembro

16 de novembro

Trump afirmou que os EUA "podem estar tendo algumas discussões" com Maduro e que "a Venezuela gostaria de conversar", sem dar detalhes. "Conversarei com qualquer pessoa", disse ele. "Vamos ver o que acontece."

4 de dezembro

O almirante Frank "Mitch" Bradley participou de reuniões secretas a portas fechadas no Capitólio, quando legisladores começaram a investigar os ataques. A apuração teve início após relatos de que Bradley teria ordenado um ataque subsequente que matou os sobreviventes do primeiro ataque em 2 de setembro, para atender às exigências de Hegseth.

O senador Tom Cotton, republicano do Arkansas, disse aos repórteres que "Bradley foi muito claro ao afirmar que não recebeu nenhuma ordem para não dar trégua ou matar todos". Os democratas afirmaram ter achado o vídeo de todo o ataque perturbador. Smith descreveu os sobreviventes como "basicamente duas pessoas sem camisa, agarradas à proa de um barco virado e inoperante, à deriva na água, até que os mísseis chegassem e os matassem".

4 de dezembro

Quatro pessoas morreram no 22º ataque a um suposto barco de contrabando de drogas no Pacífico Oriental, segundo publicação do Comando Sul.

10 de dezembro

Os EUA apreenderam um petroleiro na costa da Venezuela depois que o navio deixou o país com cerca de 2 milhões de barris de petróleo bruto pesado. A procuradora-geral Pam Bondi afirmou que o petroleiro fazia parte de "uma rede ilícita de transporte de petróleo que apoia organizações terroristas estrangeiras". O governo da Venezuela classificou a apreensão como "um roubo flagrante e um ato de pirataria internacional".

15 de dezembro

As Forças Armadas dos EUA atacaram três barcos suspeitos de contrabando de drogas, matando oito pessoas no leste do Oceano Pacífico, segundo anúncio do Comando Sul.

16 de dezembro

Hegseth afirmou que o Pentágono não divulgará publicamente o vídeo não editado do ataque de 2 de setembro, que matou dois sobreviventes, mesmo com o aumento das perguntas no Congresso sobre o incidente e a operação perto da Venezuela.

16 de dezembro

Trump anunciou que estava ordenando um bloqueio a todos os "petroleiros sancionados" que entram e saem da Venezuela, medida que parece destinada a pressionar ainda mais a economia do país, dependente do petróleo.

Ele afirmou que a Venezuela estaria usando o petróleo para financiar tráfico de drogas, terrorismo e outros crimes. Trump prometeu continuar aumentando o poderio militar até que a Venezuela devolvesse petróleo, terras e ativos dos EUA, embora não tenha ficado claro por que acreditava ter direito a esses recursos.

17 de dezembro

As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter atacado um barco acusado de contrabando de drogas no leste do Oceano Pacífico, matando quatro pessoas. Na Câmara, republicanos rejeitaram duas resoluções apoiadas pelos democratas que teriam limitado o poder de Trump de usar força militar contra cartéis de drogas e a Venezuela. Essas foram as primeiras votações na Câmara após os republicanos do Senado terem rejeitado resoluções semelhantes sobre poderes de guerra.

18 de dezembro

As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter realizado mais dois ataques a embarcações suspeitas de transportar drogas no Pacífico Oriental, matando cinco pessoas.

20 de dezembro

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que a Guarda Costeira dos EUA, com apoio do Departamento de Defesa, interceptou um segundo petroleiro na costa da Venezuela.

22 de dezembro

Trump confirmou que a Guarda Costeira dos EUA estava perseguindo outro petroleiro, descrito pelo governo como parte da "frota negra". As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter atacado um barco acusado de contrabandear drogas no leste do Oceano Pacífico, matando quatro pessoas.

29 de dezembro

Trump disse a repórteres que os EUA atacaram uma instalação onde barcos acusados de transportar drogas "carregam". Ele se recusou a informar se o ataque ao cais foi realizado pelas Forças Armadas dos EUA ou pela CIA, nem confirmou o local exato, incluindo se ocorreu na Venezuela. As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter atacado um barco acusado de contrabando de drogas no leste do Oceano Pacífico, matando duas pessoas.

30 de dezembro

A CIA esteve por trás do ataque com drones em uma área de atracação que se acredita ter sido usada por cartéis de drogas venezuelanos, segundo duas pessoas familiarizadas com a operação secreta, que pediram anonimato para comentar o assunto. Foi a primeira ação direta conhecida em solo venezuelano desde o início dos ataques dos EUA em setembro. As autoridades venezuelanas não reconheceram o ataque.

As Forças Armadas dos EUA atacaram mais três barcos suspeitos de contrabandear drogas, matando três pessoas no primeiro barco, enquanto os ocupantes dos outros dois pularam ao mar e podem ter sobrevivido, informou o Comando Sul no dia seguinte.

31 de dezembro

Os EUA impuseram sanções a quatro empresas que atuam no setor petrolífero da Venezuela e designaram mais quatro petroleiros como propriedade bloqueada, parte de uma frota paralela que estaria tentando driblar as sanções americanas.

As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter atacado mais dois barcos, matando cinco pessoas que supostamente estavam contrabandeando drogas por rotas conhecidas de tráfico.

1º de janeiro de 2026

Em entrevista à televisão estatal no dia de Ano-Novo, Maduro afirmou que a Venezuela está aberta a negociar um acordo com os EUA para combater o tráfico de drogas. Ele se recusou a comentar o ataque liderado pela CIA e reiterou que os EUA querem forçar uma mudança de governo na Venezuela e obter acesso às suas vastas reservas de petróleo.

3 de janeiro

Os EUA realizaram um "ataque em grande escala" em Caracas, capital da Venezuela, capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e os retiraram do país.

Segundo a procuradora-geral Pam Bondi, eles enfrentariam acusações após uma denúncia apresentada em Nova York. Maduro havia sido indiciado em 2020 por conspiração de "narcoterrorismo", mas não se sabia anteriormente que Flores também havia sido indiciada.