Papa lamenta ataques dos EUA contra a Venezuela: “Profunda preocupação”
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Papa lamenta ataques dos EUA contra a Venezuela: “Profunda preocupação”

O Papa Leão XIV se manifestou, na manhã deste domingo (4) sobre os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela. Através das redes sociais, Leão afirmou que acompanha os acontecimentos com “profunda preocupação” e que o bem do povo venezuelano “deve prevalecer sobre qualquer outra consideração”.

“Rezo por tudo isso e convido vocês a rezarem também, confiando nossas orações à intercessão de Nossa Senhora de Coromoto e dos Santos José Gregório Hernández e Carmen Rendiles”, disse o Papa.

Na madrugada deste sábado (3),os Estados Unidos bombardearam a capital da Venezuela e capturaram o então presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa. Os dois foram levados para uma prisão em Nova York, onde serão julgados.

No fim da tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, realizou um pronunciamento em que acusou Maduro de crimes como tráfico de drogas e terrorismo e afirmou que tanto ele como a primeira-dama, Cília Flores, foram indiciados.

'Agressão militar'

O governo da Venezuela, liderado por Nicolás Maduro, acusou formalmente os Estados Unidos de uma “agressão militar” e decretou estado de emergência em todo o país na madrugada deste sábado (3). A medida foi anunciada após uma série de fortes explosões ser registrada em Caracas, capital do país, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.


Relatos de testemunhas e de agências internacionais confirmam explosões e o sobrevoo de aeronaves militares em baixa altitude, o que levou ao esvaziamento do espaço aéreo venezuelano e à suspensão de voos civis.


Em comunicado oficial, o governo venezuelano repudiou o que chamou de “gravíssima agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos”. Segundo a nota, a ação representa uma “flagrante violação da Carta das Nações Unidas” e teria como objetivo “apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente o petróleo e os minerais”.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.