O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, poderá ser condenado à prisão perpétua pela Justiça dos Estados Unidos após ser capturado em uma operação militar em Caracas. Sob custódia em um centro de detenção no Brooklyn, em Nova York, Maduro deve comparecer a um tribunal federal nesta segunda-feira (5) para ouvir formalmente as acusações de narcoterrorismo e outros crimes federais.
Primeira noite sob custódia
A transferência de Maduro para o solo americano ocorreu imediatamente após a operação militar determinada pelo presidente Donald Trump. De acordo com o correspondente Eduardo Barão, o ex-líder venezuelano e sua esposa, Cília Flores, passaram a primeira noite detidos em Nova York. Imagens divulgadas pela Casa Branca mostram o momento em que Maduro, algemado e escoltado por agentes, chegou a desejar "feliz ano novo" de forma irônica.
Reação na Venezuela e sucessão
Diante da ausência de Maduro, o Tribunal Supremo de Justiça venezuelano ordenou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse o comando do país de forma interina. Em pronunciamento oficial, Rodríguez classificou a ação americana como um "sequestro" e reiterou que Maduro permanece como o único presidente legítimo da República Bolivariana da Venezuela.
A atual gestão venezuelana convocou a população para uma mobilização nacional contra o que define como intervenção estrangeira. Enquanto Caracas vive um cenário de incerteza política, os desdobramentos jurídicos avançam nos Estados Unidos, onde o Departamento de Justiça prepara o processo que pode manter Maduro na cadeia pelo resto da vida.
Próximos passos no tribunal
Para a diplomacia internacional, o desfecho da operação militar representa uma mudança drástica nas relações entre Washington e Caracas. A expectativa agora gira em torno da apresentação de Maduro perante o juiz federal, onde sua defesa deverá se manifestar pela primeira vez após o início do confinamento no Brooklyn.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.