Na Band, Mamonas Assassinas acertaram resultado de Fluminense e Palmeiras
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Na Band, Mamonas Assassinas acertaram resultado de Fluminense e Palmeiras

O acidente aéreo que matou os cinco integrantes dos Mamonas Assassinas completa 30 anos nesta segunda-feira (2). O grupo, que fez sucesso a partir de 1994 e teve fim trágico em 1996, era conhecido pelas letras excêntricas, pop rock e, claro, pelas brincadeiras em frente às câmeras.

Em 1995, logo após estourar nas paradas de sucesso, a banda esteve nos estúdios da Band. E, é claro, os cinco roubaram as câmeras e brincaram com a equipe da emissora na época. Eles chegaram a imitar uma transmissão de futebol da Rádio Bandeirantes e deram um palpite sobre uma partida que aconteceria naquela semana.

O Esporte na Band foi atrás de descobrir qual era a partida mencionada por Dinho e os outros integrantes do Mamonas Assassinas. Em um momento, os membros do grupo citam o Fluminense e Dinho, corintiano, afirma que torceria pelo Fluminense ganhar.

A fala dá uma pista de que o time a ser enfrentado pelo clube de Laranjeiras seria o Palmeiras. Ele também afirma que "um empate fora de casa seria uma vitória", o que indica que a partida seria em São Paulo. Logo em seguida, Júlio Rasec e Sérgio Reoli também citam o Palmeiras. Reoli, inclusive, diz ser tricolor, mas paulista e por isso torcia por um empate.

E não é que eles acertaram? A partida terminou em empate, o que foi uma vitória para o Fluminense, que jogou no campo do Palmeiras, em São Paulo.

Como foi a partida entre Palmeiras e Fluminense em 1995?

Palmeiras e Fluminense se enfrentaram em 28 de outubro de 1995, pela segunda fase do Campeonato Brasileiro. A partida aconteceria no Parque Antártica, mas foi transferida para Franca (SP), a cerca de 420 km de São Paulo, após o pagamento de uma empresa – cada equipe recebeu R$ 45 mil, valor equivalente a 450 vezes o salário mínimo da época.

As duas equipes vinham em momentos distintos. O Palmeiras foi comandado por Márcio Araújo, que assumiu o cargo interinamente após a saída de Carlos Alberto Silva. O Fluminense, por sua vez, jogava com a tranquilidade de ter liderado o Grupo B da primeira fase do Brasileirão, garantindo vaga antecipada às semifinais da competição.

Ao todo, 18 mil ingressos foram disponibilizados para a partida no Estádio José Lancha Filho – o público pagante foi de 14.758 torcedores. Jogando fora de casa, o Flu se deu bem e conquistou o empate por 1 a 1. O time comandado por Joel Santana abriu o placar aos 17 minutos do primeiro tempo, em lançamento de Aílton que Valdeir mandou por cima de Velloso. O goleiro ainda evitou o segundo gol aos 33, em cabeçada de Alê que ainda bateu na trave.

O Palmeiras, porém, empatou aos 41 minutos. Antônio Carlos lançou para Müller, a defesa do Fluminense parou pedindo impedimento, e Edílson apareceu sozinho para mandar para as redes. No segundo tempo, o time ainda ganhou terreno com as entradas de Paulo Isidoro e Alex Alves, substituindo respectivamente Mancuso e Edílson, mas teve que se contentar com o empate.

O time chegou a ser vaiado pela torcida, o que incomodou Márcio Araújo. “O jogador do Palmeiras tem se abalado com as vaias. É preciso estar acima delas porque os atletas que estão aqui são de uma equipe grande”, afirmou o técnico interino, segundo a Folha de S. Paulo. No fim, o treinador seria substituído por Vanderlei Luxemburgo.

Na ocasião, o Palmeiras atuou com Velloso; Cafu, Antônio Carlos, Cléber e Wagner; Amaral, Mancuso (Paulo Isidoro), Flávio Conceição e Edilson (Alex Alves); Müller e Rivaldo. O Fluminense teve Nei; Ronald, Lima, Alê e Cássio; Vampeta, Cadu (Darci), Ailton e Rogerinho; Valdeir (Leandro Silva) e Gaúcho (Anderson).

Relembre o acidente que matou os Mamonas Assassinas

O Learjet 25D que levava a banda para a intensa rotina de shows pelo Brasil decolou de Brasília para Guarulhos, com atraso. O voo transcorreu bem, mas, na hora do pouso, a aeronave precisou arremeter por conta do mau tempo e pela dificuldade de estabilizar o avião.

A arremetida foi executada e, segundo instruções da torre de controle, a aeronave precisava retomar a rota e fazer o pouso. Mas, às 23h16, o voo se chocou contra a Serra da Cantareira a 3.300 pés. A aeronave acabou destruída e todos os ocupantes, incluindo os membros da banda, morreram no acidente.

Segundo o Cenipa, Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Força Aérea Brasileira, dois fatores foram contribuintes para a fatalidade. Os técnicos apontaram que piloto e co-piloto estavam submetidos a uma jornada de trabalho exaustiva, com mais de 16 horas de trabalho até o acidente, o que afetaria o desempenho no voo.

O Cenipa também apontou que a relação de piloto e co-piloto, que já era tensa, se agravou com o estresse físico e mental por conta da jornada exaustiva. Além disso, o órgão indicou que houve deficiências na comunicação e no planejamento.

O órgão da FAB apontou também que a região sobrevoada do acidente apresentava circunstâncias ambientais limitadoras de visibilidade, quase sem iluminação e coberta de nuvens, o que seria determinante para o acidente.