Quem deve substituir Ali Khamenei? Conheça os cotados a assumir o controle do Irã após morte de aiatolá
Khamenei liderava o Irã desde 1989 e era, ao mesmo tempo, reverenciado por seguidores como representante de Deus e, como comandante em chefe das Forças Armadas
Por The New York Times — Teerã, Irã
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GERADO EM: 01/03/2026 - 12:28
Morte de Khamenei Abala o Irã e Aumenta Tensão Internacional
Após quase 40 anos de liderança no Irã, o aiatolá Ali Khamenei, figura central no regime teocrático, foi reportado morto em ataques dos EUA e Israel. Khamenei, que mantinha controle absoluto, já havia preparado uma sucessão, destacando três candidatos: Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i, Ali Asghar Hejazi e Hassan Khomeini. O futuro do Irã é incerto, com divisões claras na população e tensões internacionais em alta.
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Antes de as bombas americanas e israelenses começarem a cair no sábado, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, o centro autoritário do regime teocrático por quase 40 anos, havia planejado uma transição de poder em caso de sua morte.
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Khamenei, de 86 anos, liderava o Irã desde 1989 e detinha amplos poderes como líder supremo. Era ao mesmo tempo reverenciado por seguidores como representante de Deus e, como comandante em chefe das Forças Armadas, tinha a palavra final em todos os principais assuntos de Estado.
Explosões, fumaça e destruição: as imagens do ataque de EUA e Israel ao Irã
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Imagem capturada da televisão estatal iraniana mostra o local que seria da escola da escola primária para meninas na província iraniana de Hormozgan, perto do estreito de Ormuz. — Foto: IRIB TV / AFP
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Frame de vídeo mostra pessoas inspecionando os danos em um local atingido após ataques dos EUA e de Israel em Teerã, no Irã — Foto: AFP
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Frame de vídeo de redes sociais mostram explosões em Teerã após EUA e Israel bombardearem a capital em ataque coordenado ao Irã — Foto: AFP
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Uma nuvem de fumaça se eleva após uma explosão relatada em Teerã após EUA e Israel bombardearem capital em ataque coordenado. — Foto: ATTA KENARE / AFP
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Projétil iraniano atinge base naval dos EUA no Bahrein — Foto: AFP
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Fumaça sobe nos céus de Abu Dhabi em meio a ataque retaliatório do Irã por agressões dos EUA e Israel — Foto: AFP
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O rastro de um foguete do sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro de Israel é visível sobre os céus de Jerusalém — Foto: JACK GUEZ / AFP
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Fumaça de um ataque aéreo israelense na área sul do Líbano, al-Qatrani. EUA e Israel bombardearem a capital do Irã, Teerã, em ataque coordenado — Foto: Rabih DAHER / AFP
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EUA e Israel lançam ataque coordenado contra o Irã; bombas no Teerã (foto) começaram na manhã deste sábado (28) — Foto: ATTA KENARE / AFP
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Pessoas correm para se abrigar ao som das sirenes em Tel Aviv. As Forças Armadas de Israel afirmaram que seus ataques contra o Irã, em coordenação com os Estados Unidos, atingiram dezenas de instalações militares. — Foto: Jack GUEZ / AFP
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Motoristas lotam ruas de Teerã, capital iraniana — Foto: AFP
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O rastro de um foguete do sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro de Israel é visível sobre os céus de Jerusalém — Foto: JACK GUEZ / AFP
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Desde que sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini, o pai fundador da revolução islâmica, Khamenei governou com mão de ferro e recusou apelos por mudanças, reprimindo dissidências e ordenando a morte de manifestantes que desafiaram seu governo nas ruas. Acima de tudo, Khamenei se via como o guardião da revolução, responsável por salvaguardar a sobrevivência da república islâmica, e havia identificado possíveis substitutos para assumir esse papel após ele.
Agora, parece que seus planos serão postos à prova.
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O governo iraniano informou no domingo que ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã mataram Khamenei, horas depois de o presidente Donald Trump ter anunciado a morte de Khamenei. Pouco tempo depois, a agência estatal iraniana IRNA afirmou que o presidente do Irã, o chefe do Judiciário e um jurista do Conselho dos Guardiões estariam encarregados durante o período de transição, sem detalhar o que vem a seguir.
Em junho, durante a guerra de 12 dias com Israel, quando Khamenei estava escondido, ele nomeou três candidatos que poderiam ser rapidamente designados para sucedê-lo. O líder supremo deve ser um clérigo xiita e estudioso sênior nomeado por um comitê de clérigos conhecido como a Assembleia dos Peritos.
Os três candidatos que Khamenei disse preferir para o cargo de líder supremo, com base em entrevistas com seis autoridades iranianas de alto escalão e dois clérigos que não quiseram ser identificados ao discutir informações sensíveis, são o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i; o chefe de gabinete de Khamenei, Ali Asghar Hejazi; e Hassan Khomeini, um clérigo moderado da facção política reformista que é neto de Khomeini.
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O Exército israelense informou que Hejazi foi morto.
O filho de Khamenei, Mojtaba, que tem sido uma figura poderosa nos bastidores, é favorecido por algumas facções, mas Khamenei disse a seguidores que não queria que o posto de líder supremo fosse hereditário.
O que acontece agora no Irã é incerto.
As divisões do país ficaram evidentes até o fim do sábado. Em alguns bairros de Teerã, opositores de Khamenei foram vistos comemorando, dançando e gritando em celebração às notícias de sua morte, segundo mais de uma dúzia de moradores da capital, contatados por telefone e mensagens de texto.
“Você consegue ouvir os gritos e os aplausos? Olha, fogos de artifício no meu quarteirão”, disse Ali, um empresário, em uma chamada de vídeo do Irã.
Antes dos ataques aéreos de sábado, Khamenei tomou precauções para preparar o país e o regime para sobreviver. Ele delegou a condução do país a um de seus aliados mais próximos, o político veterano Ali Larijani, que é o chefe do Conselho de Segurança Nacional e efetivamente deixou de lado o presidente Masoud Pezeshkian.
“Faremos os criminosos sionistas e os americanos desonrosos se arrependerem”, disse Larijani nas redes sociais no sábado. “Os bravos soldados e a grande nação do Irã darão aos tiranos internacionais que estão indo para o inferno uma lição inesquecível.”
Khamenei também autorizou um pequeno círculo de aliados políticos e militares a tomar decisões caso ele fosse morto ou ficasse incomunicável durante uma guerra, e nomeou quatro níveis de sucessão para figuras militares e políticas de alto escalão que ele próprio designa, segundo seis autoridades iranianas de alto escalão.
Eles incluem seu chefe de gabinete, Hejazi; o general de brigada Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda Revolucionária; e seu principal assessor militar e ex-comandante-chefe da Guarda, general Yahya Rahim Safavi.
Não estava claro no início do domingo quem estava no comando.
Dias antes, Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, disse à mídia iraniana que, em caso de guerra com os Estados Unidos, “podemos ter perdido alguns de nossos líderes, mas isso não é um grande problema.”
“Não temos limites na defesa de nós mesmos”, afirmou.
Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.