Celso Amorim chama morte do líder supremo do Irã de 'totalmente condenável' e vê risco de crise prolongada
Para assessor internacional do presidente Lula, morte de aiatolá não ajuda oposição iraniana
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GERADO EM: 01/03/2026 - 12:00
Celso Amorim condena morte de Khamenei e alerta para crise prolongada no Irã
Celso Amorim, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, classificou a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, como “totalmente condenável” e “inaceitável”, destacando o grave precedente nas relações internacionais. Amorim, sem julgar o governo iraniano, acredita que o assassinato não ajuda a oposição interna e alerta para uma crise prolongada e complexa na região.
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O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais e ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, classificou como “totalmente condenável” e “inaceitável” a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em ataques dos Estados Unidos e Israel ao país. Para ele, a ação representa um precedente grave nas relações internacionais.
— Acho que, obviamente, matar um líder de um país, à distância, é totalmente condenável, é inaceitável. Ninguém pode se arrogar em juízo do mundo — afirmou Amorim ao GLOBO.
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O assessor internacional do presidente Lula ressaltou que não faz juízo sobre o governo iraniano em si:
— Não estou entrando no mérito do governo iraniano, isso é outra questão.
Segundo ele, a eliminação de Khamenei não configura ajuda à oposição interna.
Amorim também avaliou que a morte de Khamenei tende a prolongar a instabilidade no país. Ele lembrou que esteve no Irã em diferentes ocasiões, negociando a pedido do presidente Lula, que também visitou o país, em iniciativas voltadas ao diálogo diplomático.
— O que eu pelo menos constatei é que é um país que obviamente tem divisões, tem uma oposição, tem várias coisas que nós podemos criticar do nosso ponto de vista, mas não é um país totalmente dividido, totalmente enfraquecido, totalmente debilitado — disse o ex-chanceler.
Para ele, o cenário é complexo e não terá desfecho simples.
— É algo duradouro, não sei exatamente que direção isso vai tomar, mas não será uma questão simples. Não será, digamos assim, exagerando um pouco, um passeio, como foi a invasão do Iraque, também condenável, mas foi fácil. Nesse caso, é condenável e é muito complexa.
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O líder supremo é a mais alta autoridade política e religiosa da República Islâmica do Irã. O cargo foi criado após a Revolução de 1979 e concentra amplos poderes: o líder supremo comanda as Forças Armadas, tem influência decisiva sobre a política externa, nomeia chefes do Judiciário, da mídia estatal e metade dos membros do Conselho dos Guardiães, além de exercer autoridade final sobre temas estratégicos do Estado. Desde 1989, o posto era ocupado pelo aiatolá Ali Khamenei, que sucedeu Ruhollah Khomeini.
Khamenei morreu, junto a outras figuras centrais do regime iraniano, após ser atingido em ataques atribuídos aos EUA e a Israel contra estruturas do Estado iraniano. A morte foi confirmada pelo governo iraniano e ocorreu em meio à escalada militar na região.