Manifestação esvaziada de bolsonaristas no Rio tem discurso de pré-candidato ao governo, críticas a Lula e ao STF
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Manifestação esvaziada de bolsonaristas no Rio tem discurso de pré-candidato ao governo, críticas a Lula e ao STF

Secretário estadual das cidades, Douglas Ruas (PL) esteve no primeiro ato após anúncio de sua candidatura; grupo da USP estima 4,7 mil pessoas no evento convocado por Nikolas Ferreira

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    GERADO EM: 01/03/2026 - 12:47

    Baixa adesão em ato bolsonarista no RJ critica Lula e STF

    A manifestação bolsonarista na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, atraiu poucos participantes e focou críticas ao presidente Lula e aos ministros do STF. O evento contou com a presença de Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do estado pelo PL, que atacou o prefeito Eduardo Paes, aliado de Lula. A manifestação, convocada por Nikolas Ferreira, também ocorreu em outras cidades e incluiu pedidos de anistia e críticas a ministros do STF.

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    Em ato esvaziado, manifestantes bolsonaristas se reuniram na Praia de Copacabana, na manhã deste domingo, para protestar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Intitulado "Acorda Brasil", o ato foi convocado nacionalmente pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

    • Anúncio: ‘Grande liderança, jovem, policial civil’, diz Flávio Bolsonaro ao anunciar Douglas Ruas candidato do PL no Rio
    • Estratégia: PL quer Douglas Ruas governador em mandato-tampão antes de enfrentar Paes nas eleições do Rio

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  • De acordo com o grupo Monitor do debate político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) — coordenado por Pablo Ortellado e Márcio Moretto, da Universidade de São Paulo (USP) —, em parceria com a ONG More in Common, estiveram presentes apenas 4,7 mil pessoas.

    Além do Rio, houve manifestações neste domingo em pelo menos 20 capitais, além do Distrito Federal. Cidades como Brasília (DF), Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Florianópolis (SC) registraram protestos. A principal ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo.

    Discurso de pré-candidato

    Discurso de pré-candidato

    No Rio de Janeiro, o ato contou com a participação de nomes como os deputados federais do PL Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante, Altineu Côrtes, General Pazuello e o senador Carlos Portinho. Além dos parlamentares, quem também discursou foi o secretário estadual das cidades, Douglas Ruas (PL), escolhido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato ao governo do Rio.

    Em seu discurso, Ruas atacou seu provável rival nas eleições deste ano, o prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD). Em tom de campanha, o pré-candidato ressaltou que o mandatário carioca é aliado de Lula, e lembrou de sua participação no desfile da escola Acadêmicos de Niterói.

    — 2026 é o ano da virada, do Brasil acordar. Está muito claro o que temos do outro lado. O presidente que diz que traficante é vítima, não vamos admitir isso. Ele esteve aqui, e ao lado do Eduardo, sambou, riu e aplaudiu o maior ataque já visto à família brasileira. Nós defendemos a família, eles defendem os vagabundos. Isso tem que ficar claro — declarou Ruas.

    No trio elétrico, neste domingo, também houve ironias ao rebaixamento da escola de samba, criticada pela ala que retratou famílias conservadoras em "latas de conserva". O enredo em homenagem ao presidente Lula virou alvo de ações da oposição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suposta campanha antecipada.

    — Vamos enfrentar o crime organizado com toda a força do estado, e não vamos permitir que zombem, sambem e aplaudam um ataque à família. A família é nosso projeto, a base das pessoa de bem. Vamos juntos rumo a vitória — completou Ruas.

    Em seguida, o deputado estadual Rodrigo Amorim (União), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), endossou o discurso de Ruas e chamou Paes de "o soldado de Lula".

    — O deputado estadual Douglas Ruas tem uma missão importante de enfrentar o PT no Rio de Janeiro, de enfrentar o soldado do Lula no Rio de Janeiro. Fora, Paes! — afirmou.

    Como foi a manifestação

    Como foi a manifestação

    O protesto começou por volta das 11h15, e um dos primeiros a discursar foi Portinho, líder do PL no Senado. Escanteado na chapa majoritária formada pelo partido para as eleições deste ano, o senador disse que sua prioridade é eleger Flávio à Presidência.

    — O nosso propósito maior, com todos os sacrifícios que forem necessários, é eleger Flávio. Nosso propósito é "fora, Lula" — disse. — Chega desse governo de perseguição política. Nós precisamos pacificar o país e o devolver à ordem e ao progresso — completou.

    Depois, quem discursou foi Jordy. O parlamentar ressaltou a importância de realizar o ato no Rio, disse que os ministros do Supremo são "tiranos" e atacou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

    — Quando nós falamos "fora, Lula, Moraes e Toffoli", é porque queremos Bolsonaro livre. Hoje temos um presidente do Congresso frouxo, que se chama Davi Alcolumbre, por isso tivemos que aceitar a dosimetria — afirmou o deputado, em alusão ao projeto de lei para reduzir as penas dos condenados pelos atos golpistas.

    O prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), também esteve em Copacabana. Ele é pré-candidato ao Senado na chapa definida pelo PL para rivalizar com Paes. O nome para a outra vaga é o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que não compareceu ao protesto.

    Um dos discursos mais celebrados foi o deputado federal Luiz Lima (Novo-RJ). Ele mencionou o ataque feito por Estados Unidos e Israel contra o Irã, neste sábado, que virou alvo de disputa política entre bolsonaristas e apoiadores de Lula. Em nota, o Itamaraty classificou a ofensiva como um fator de agravamento da instabilidade no Oriente Médio, o que foi criticado pela direita.

    — Ontem, a gente teve a queda do regime teocrático e ditatorial iraniano. E parece que o PT sofre de ataque diplomático quando ele vê a queda desses regimes. Estamos vivendo uma ditadura. No fundo, ele (Lula) quer implementar no Brasil — disse o deputado.

    Lima também destacou a importância das eleições ao Senado, e defendeu que os eleitores não podem deixar Flávio "na mesma enrascada" que Bolsonaro. Segundo o parlamentar, os candidatos ao cargo devem ter "coragem" para cobrar o impeachment de ministros do Supremo — crítica sofrida justamente por Castro, indicado para a vaga, cobrado por bolsonaristas de seu partido a criticar de forma mais contundente a atuação do Supremo.

    — Eu quero que qualquer senador do Rio ou de outro estado grave um vídeo dizendo que vai pedir impeachment do Moraes e do Toffoli. Se não gravar, pode ser apoiado pelo PL, pelo Novo, pelo raio que o parta. O meu apoio não vai ter. Senador tem que ter coragem de pedir impeachment — frisou Lima.

    Pauta difusa

    Pauta difusa

    Quando convocou a manifestação pelas redes sociais, Nikolas abordou que o tema ficaria restrito a "Fora, Lula, Moraes e Toffoli". Isso desagradou a ala bolsonarista que defende moderação para eleger Flávio. Por conta disso, os organizadores também incluíram os pedidos de anistia.

    No dia 14 de fevereiro, Nikolas chegou a dizer que seus apoiadores não deveriam acreditar em parlamentares que os convocassem para os atos sem mencionar o impeachment dos ministros do Supremo. A postura gerou reação de nomes como o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o deputado Gil Diniz (PL-SP), o que fez parlamentar mineiro incorporar o tema em seus pronunciamentos antes dos protestos.

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