Tratamento com células-tronco reverte malformação em bebês
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Tratamento com células-tronco reverte malformação em bebês

Terapia com células-tronco reverteu a malformação em todos os bebês participantes do estudo. Condição afeta os movimentos da criança

atualizado

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Pesquisadores descobriram que um tratamento pioneiro com células-tronco pode reverter o quadro de espinha bífida aberta, uma malformação congênita grave no tubo neural do embrião que, por consequência, prejudica o fechamento completo da coluna vertebral e o canal espinhal do feto durante a gestação.

A condição, também chamada de mielomeningocele, pode afetar os movimentos e o controle da bexiga e do intestino do bebê pelo acúmulo excessivo de líquidos no cérebro.

Ela é a forma mais comum e grave de espinha bífida e ocorre com mais frequência em países de baixa renda.

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  • O tratamento atual para a condição é baseado em uma cirurgia para a correção do defeito na medula espinhal do feto. No entanto, dados mostram que cerca de 60% dos bebês ficam sem andar ou se movimentar de forma independente, mesmo após o procedimento.

    Já com a adoção da nova terapia com células-tronco, todos os recém-nascidos vieram ao mundo sem complicações.

    A descoberta foi liderada pela cirurgiã fetal e neonatal Diana Farmer, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista The Lancet nesse sábado (28/2).

    Células-troncos se mostraram promissoras

    Inicialmente, os pesquisadores testaram o tratamento com células-tronco provenientes da placenta em ovelhas. Todas as submetidas à terapia conseguiram andar e ficar de pé com independência, enquanto os animais que receberam apenas a cirurgia não.

    Com os dados positivos, o próximo passo foi testar em humanos. Seis gestantes passaram por cirurgia com células-tronco entre a 24ª e a 25ª semana de gestação. Após o procedimento, os bebês nasceram por volta da 34ª semana de gestação.

    Nenhum deles apresentou sinais de infecção e vazamento de líquido cefalorraquidiano. Também havia a preocupação de que as células-tronco pudessem provocar câncer nos recém-nascidos, mas nenhum crescimento tumoral foi detectado.

    As crianças tinham sinais de que uma herniação da fossa posterior havia sido revertida. A condição faz com que uma parte do cérebro desça para o pescoço e bloqueie a circulação do líquido cefalorraquidiano.

    Apesar dos resultados promissores, ainda são necessários estudos maiores para obter mais dados sobre a eficácia a longo prazo do novo tratamento. A equipe já recebeu autorização para realizar uma pesquisa clínica com 29 participantes.

    Além disso, Diana afirma que é necessário aguardar as crianças tratadas no estudo atual atingirem os dois anos, uma vez que esta é a idade que elas aprendem a andar.

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