Iranianos em diáspora alimentam esperança de novo regime após ataques dos EUA e Israel e morte de líder supremo
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Iranianos em diáspora alimentam esperança de novo regime após ataques dos EUA e Israel e morte de líder supremo

Cidadãos do Irã que vivem na Turquia celebraram a ação militar e o fim do aiatolá Ali Khamenei; na Europa, manifestantes pediram por democracia

Por AFP — Istambul

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    GERADO EM: 28/02/2026 - 21:03

    Iranianos na diáspora celebram morte de Khamenei e pedem democracia

    Iranianos na diáspora celebram a morte do líder supremo Ali Khamenei após ataques dos EUA e Israel, vendo esperança para um novo regime. Na Turquia, onde muitos iranianos residem, há otimismo sobre a queda do atual regime em Teerã. Na Europa, manifestantes pedem democracia e rejeitam tanto a monarquia quanto a ditadura dos mulás, buscando um futuro mais livre e igualitário para o Irã.

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    Atentos e cheios de esperança, os iranianos que vivem na Turquia se mostram preparados para celebrar o fim do regime vigente em Teerã após os ataques conduzidos pelos EUA e Israel contra o Irã na manhã de sábado. Os bombardeios, que provocaram retaliações do Irã contra alvos em outros países do Golfo Pérsico, levaram à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e outras autoridades do Regime Islâmico. À noite, os iranianos em diáspora ainda buscavam qualquer informação que pudesse chegar de seu país.

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  • — Todo mundo está esperando e está contente — disse Ali, um diretor de cinema iraniano de cerca de 40 anos, que vive em Istambul. Como o restante de seus compatriotas com quem a AFP entrou em contato, ele preferiu que seu sobrenome não fosse publicado.

    A Turquia, um país majoritariamente sunita, compartilha 550 km de fronteira e três postos de passagem com seu grande vizinho xiita. Oficialmente, mais de 72 mil iranianos residem na Turquia com permissão de estadia, e outros 5 mil o fazem como refugiados.

    — Os iranianos contavam os minutos até que os americanos viessem derrubar o regime. E agora é o que os Estados Unidos e Israel estão fazendo! — afirmou Ali, celebrando a "operação humanitária" conduzida ontem. — Não agir é não valorizar a vida humana e optar por apoiar um regime terrorista.

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  • Como sua amiga Sepideh, Ali é um fervoroso simpatizante de Reza Pahlavi, o filho do xá do Irã deposto. Ambos esperam que o ex-príncipe herdeiro possa liderar uma transição de poder em sua terra natal.

    — Estou feliz e preocupada — comentou Sepideh, uma ex-professora que vive na Turquia como refugiada. — Consegui me comunicar com meus amigos esta manhã, mas cortaram a internet no Irã.

    Comemorações em diversas partes de Teerã após a morte do líder Ali Khamenei

    No sábado, o filho do falecido xá do Irã comemorou o anúncio da morte do líder supremo pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e assegurou que a República Islâmica que substituiu o governo pró-Ocidente de seu pai terminou.

    "Com sua morte, a República Islâmica chegou de fato a seu fim e, em breve, será jogada na lata de lixo da história", escreveu Reza Pahlavi no X.

    — Todos os iranianos estão prontos! Assim que Reza Pahlavi der a ordem, voltaremos, não ficaremos nem mais um minuto no exterior — manifestou Amir Hossein, um cantor natural de Teerã que vive na Turquia. — Voltaremos para construir um Irã grandioso.

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    Mehdi, um jovem engenheiro de origem azeri e natural de Tabriz, no oeste do Irã, exilou-se na Turquia junto com a esposa. Segundo relatou à AFP, conseguiu falar com a família na noite de sexta-feira.

    — Eles esperavam que uma guerra estourasse e foram guardando mantimentos e gasolina para ir para o campo — contou. — Nós não queríamos a guerra, é o regime brutal dos mulás que nos colocou nesta situação. — acrescentou,

    O rapaz ressaltou que não apoia "nem Israel nem [o presidente americano, Donald] Trump", nem tampouco o retorno de Reza Pahlavi. Para ele, anunciam-se "dias difíceis, mas sobreviveremos".

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  • Para todos, esta guerra que começa representa uma oportunidade de vingar a morte e as detenções de dezenas de milhares de manifestantes, principalmente jovens, durante a grande onda de protestos em janeiro, que foi duramente reprimida pelo regime iraniano.

    Nina, uma mulher de cerca de 30 anos, originária de Tabriz, mas que vive na Turquia há quatro anos, aponta que "se não conseguirmos derrubar o regime agora, haverá ainda mais massacres". Reza, de 39 anos, também não aprova a guerra, mas pondera:

    — Preferimos isso a que eles [as autoridades] matem nossos filhos.

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  • Como Nina, ele também espera que os bombardeios de sábado incentivem os iranianos a voltar às ruas, não como ocorreu durante a guerra de 12 dias de junho passado. O rapaz disse estar convencido de que desta vez "os americanos e os israelenses terminarão o trabalho".

    — Isto é muito diferente, o regime vai mudar. Da última vez, as pessoas não se preocupavam verdadeiramente com isso e eram passivas. Mas agora estavam esperando que Trump e Israel as ajudassem — pontou. — Elas estão muito furiosas. Cerca de 40 mil pessoas morreram e esperam, como um lobo, a ocasião de se vingar.

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    Membros da diáspora iraniana na Europa se reuniram para expressar sua solidariedade em várias cidades no sábado. Em Londres, cerca de 300 pessoas se manifestaram com bandeiras iranianas em frente à residência e aos escritórios do primeiro-ministro, e alguns marcharam em direção à embaixada iraniana, observou um repórter da AFP. Dezenas de manifestantes pacifistas gritaram "Não intervenham no Irã" e "Parem de matar crianças".

    Cerca de 20 pessoas se manifestaram diante da embaixada iraniana em Bruxelas, algumas exibindo bandeiras iranianas anteriores à revolução, agora símbolo de oposição à atual liderança. Em Berlim, uma concentração em frente à embaixada iraniana denunciou tanto o governo quanto o filho do xá, defendendo que "não haja nem monarquia nem ditadura dos mulás", mas sim "democracia e igualdade".

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